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Jornalista polonês se infiltra em congresso de movimento anti-imigração e registra declarações hostis contra ucranianos

Um jornalista do Gazeta Wyborcza se inscreveu como membro do movimento polonês 'Patrulhas Civis' e participou de seu primeiro congresso nacional, realizado no primeiro fim de semana de setembro em um camping. No evento, ele registrou declarações hostis de participantes contra ucranianos e outros estrangeiros. Após ser identificado como jornalista, foi convidado a se retirar.

Pontos principais

  • Jornalista Rafał Górski, do Gazeta Wyborcza, se registrou como membro das Patrulhas Civis pagando 10 złoty por mês.
  • O primeiro congresso do movimento ocorreu no primeiro fim de semana de setembro, em um camping.
  • Górski participou como 'membro comum' com carteirinha de número 1662/2026.
  • Um participante chamado Paweł listou como inimigos o primeiro-ministro Donald Tusk, o ex-primeiro-ministro Mateusz Morawiecki, a União Europeia e a Ucrânia.
  • Um participante chamado Marek disse que ucranianos são ingratos e não sabem se comportar, mesmo após quatro anos no país.
  • Um membro honorário chamado Grzegorz afirmou que um taxista conhecido leva ucranianos a reuniões secretas na floresta para conspirar contra a Polônia.
  • Após ser identificado como jornalista, Górski foi convidado a deixar o evento.

Por que importa

A infiltração oferece um olhar interno sobre um movimento polonês ativo que difunde retórica anti-ucraniana e xenófoba. O congresso produziu declarações explícitas de conspiração sobre ucranianos supostamente se reunindo em florestas para tramar contra a Polônia, e participantes listaram publicamente como inimigos o primeiro-ministro polonês, seu antecessor, a União Europeia e a Ucrânia — um indicador do alcance e da intensidade do discurso de ódio dentro dessa rede.

O que aconteceu

O jornalista Rafał Górski, do Gazeta Wyborcza, se registrou como membro das Patrulhas Civis preenchendo um formulário no aplicativo do movimento e pagando uma taxa de 10 złoty por mês. No primeiro fim de semana de setembro, ele participou do primeiro congresso nacional e da Assembleia Geral da diretoria do movimento, realizado em um camping, na condição de 'membro comum' com carteirinha de número 1662/2026. Durante o evento, documentou falas de participantes: Paweł afirmou que estrangeiros com sotaque não deveriam circular livremente pelos territórios e listou Tusk, Morawiecki, a UE e a Ucrânia como inimigos; Marek disse que ucranianos são ingratos e não sabem se comportar; o membro honorário Grzegorz alegou que um taxista conhecido leva ucranianos a reuniões secretas em uma floresta para conspirar contra a Polônia. Membros também mencionaram colombianos como problema, queixando-se de música alta e consumo de álcool. Após um participante responsável pelos contatos com a mídia reconhecer Górski como jornalista, ele foi convidado a se retirar do evento.

O que dizem as fontes ucranianas

As duas matérias em ucraniano enquadram explicitamente o congresso das Patrulhas Civis como um encontro de um movimento xenófobo, dando destaque às declarações hostis dos participantes contra ucranianos.

Contexto

O movimento Patrulhas Civis foi fundado em 2024 e afirma ter realizado 2 mil patrulhas por toda a Polônia por meio de uma rede de coordenadores regionais. O movimento já esteve envolvido em incidentes violentos, incluindo um ataque a um dormitório que abrigava estrangeiros, no qual moradores foram agredidos pelo fato de serem estrangeiros.