Publicado em · Atualizado em

Explosão em depósito de armas da EMCO na Bulgária é segundo incidente em semanas; autoridades investigam sabotagem

Na noite de 12 de setembro, uma explosão seguida de incêndio atingiu um depósito de armas e munições da EMCO perto de Tsareva Livada, na região de Gabrovo, na Bulgária. Ninguém ficou ferido. Trata-se do segundo incêndio em instalações da EMCO em poucas semanas — o anterior ocorreu em 10 de agosto em Tryavna. O ministro do Interior búlgaro, Ivan Demerdzhiev, afirmou que versões como sabotagem e possível ligação com o incidente anterior estão sendo consideradas, e que não se descarta interferência externa.

Pontos principais

  • Explosão e incêndio em depósito da EMCO na noite de 12 de setembro, na região de Gabrovo
  • Segundo incidente em instalações da EMCO em poucas semanas, após incêndio em 10 de agosto em Tryavna
  • Ninguém ficou ferido; dois guardas conseguiram deixar o local
  • Diretor da EMCO Slavcho Dimiev confirmou que o depósito armazenava munições e pólvora
  • Ministro do Interior Ivan Demerdzhiev disse que não se descarta sabotagem nem interferência externa
  • EMCO pertence ao comerciante de armas búlgaro Emilian Gebrev; armazéns armazenavam munições para exportação à Ucrânia e à Geórgia entre 2011 e 2020

Por que importa

O incidente atinge uma instalação de defesa cujo proprietário, Emilian Gebrev, já foi alvo de ataques que promotores búlgaros atribuem a agentes russos. Os armazéns da EMCO já abrigaram munições destinadas à exportação à Ucrânia, o que torna qualquer interrupção potencialmente relevante para cadeias de suprimento de defesa ucranianas. É o segundo incêndio em uma instalação da EMCO em poucas semanas, e as autoridades não descartam sabotagem ou interferência externa. O episódio ocorre após explosões recentes em outros locais da indústria de defesa europeia, incluindo na Itália, levantando questões sobre um possível padrão coordenado de ataques.

O que aconteceu

Na noite de 12 de setembro, uma explosão seguida de incêndio ocorreu em um depósito de armas e munições da EMCO perto da vila de Tsareva Livada, na região de Gabrovo, na Bulgária. De acordo com o governador regional Kristina Sidorova, o fogo atingiu a base de armazéns da fábrica e se propagava de armazém para armazém. O diretor da EMCO Slavcho Dimiev confirmou à Televisão Nacional Búlgara que o depósito armazenava munições e pólvora. Ninguém ficou ferido: dois guardas conseguiram deixar o local. O assentamento mais próximo fica a mais de um quilômetro da instalação, e a área foi totalmente cercada por bombeiros. O ministro do Interior Ivan Demerdzhiev afirmou que diversas versões estão sendo investigadas, incluindo possível sabotagem e uma ligação com o incêndio anterior em outra instalação da EMCO em agosto, e que a possibilidade de interferência externa não está descartada. Investigadores também vão analisar incêndios similares anteriores em armazéns da empresa e de outras empresas para identificar possíveis conexões.

Onde as versões divergem

As fontes divergem sobre a localização exata do incêndio: algumas indicam a vila de Tsareva Livada, outras apontam para um armazém da EMCO na área de Gorni Vyrpishhta, localidades vizinhas próximas da mesma instalação. O ministro do Interior Ivan Demerdzhiev também mudou sua avaliação entre os dois incidentes: após o incêndio de agosto em Tryavna, afirmou que a versão preliminar era de que não havia ligação com fatores externos; após o incêndio de 12 de setembro, disse que sabotagem e interferência externa não estão descartadas. Por fim, o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, afirmou que o governo italiano não tinha dados que indicassem envolvimento russo na explosão de agosto na ex-fábrica Simmel Difesa (hoje KNDS Ammo Italy), em contraste com a avaliação de promotores búlgaros que apontam um vínculo russo com ataques passados a instalações da EMCO.

Contexto

Promotores búlgaros já vincularam ataques anteriores a instalações de Gebrev e a tentativa de envenená-lo em 2015 a agentes russos, e veem possíveis ligações com as explosões em Vrbětice, na República Tcheca, em 2014. Em 2024, a Bulgária emitiu ordens de prisão contra seis cidadãos russos acusados de envolvimento na destruição de armazéns da EMCO que armazenavam munições para exportação à Ucrânia e à Geórgia entre 2011 e 2020. No fim de agosto, o jornal britânico The Telegraph, citando fontes de inteligência ocidentais, relatou que a Rússia havia lançado uma nova onda de ataques a empresas da indústria de defesa europeia usando grupos criminosos locais.