Ucrânia confirma operação 'Vivaldi', contraofensiva ao norte de Donetsk
O Terceiro Corpo de Exército da Ucrânia confirmou publicamente em 15 de setembro a operação ofensiva 'Vivaldi', conduzida ao norte do oblast de Donetsk, a leste e nordeste da cidade de Lyman. O comandante Andriy Biletsky revelou detalhes da primeira fase, incluindo a libertação da vila de Serednie e a limpeza de Novoselivka, Oleksandrivka, Yarova e arredores de Koroviy Yar. Analistas ocidentais avaliaram a operação como uma das vitórias mais significativas da Ucrânia em 2026.
Pontos principais
- O Terceiro Corpo de Exército confirmou oficialmente em 15 de setembro a operação 'Vivaldi' no norte do oblast de Donetsk, a leste e nordeste de Lyman.
- O comandante Andriy Biletsky revelou a operação por meio de um vídeo, descrevendo-a como composta por quatro fases, sendo esta apenas a primeira.
- A vila de Serednie foi libertada, e áreas de infiltração russa foram eliminadas em Novoselivka, Oleksandrivka, Yarova e arredores de Koroviy Yar.
- O Terceiro Corpo de Exército afirmou que cerca de 85 km² foram libertados na primeira fase (75 km² limpos e 10 km² adicionais com Serednie).
- O analista francês de OSINT Clément Molin e o Institute for the Study of War (ISW) estimaram cerca de 200 km² libertados e classificaram a ação como uma das maiores vitórias ucranianas de 2026.
- Conforme o Terceiro Corpo de Exército, unidades da 60ª Brigada Mecanizada, 125ª Brigada Mecanizada Pesada, 66ª Brigada Mecanizada, entre outras, participaram da operação.
- O Estado-Maior Geral da Ucrânia e o projeto DeepState não haviam comentado oficialmente os avanços no norte de Donetsk até a publicação.
Por que importa
A confirmação oficial marca a primeira vez em meses que a Ucrânia reconhece publicamente operações ofensivas no norte do oblast de Donetsk. A região do saliente de Lyman ameaçava a aglomeração urbano-industrial de Sloviansk-Kramatorsk, um dos principais polos populacionais de Donbas sob controle ucraniano. Analistas independentes ocidentais classificaram o sucesso como uma das vitórias mais relevantes da Ucrânia em 2026, capaz de atrasar o avanço russo no norte de Donbas.
O que aconteceu
Em 15 de setembro de 2026, o comandante do Terceiro Corpo de Exército da Ucrânia, Andriy Biletsky, divulgou por meio de vídeo a existência da operação 'Vivaldi', uma ofensiva conduzida sob sigilo informacional no norte do oblast de Donetsk, a leste e nordeste de Lyman. Biletsky afirmou que a primeira fase já foi concluída e que outras três etapas estão planejadas.
Na primeira fase, unidades do Terceiro Corpo de Exército eliminaram focos de infiltração russa em Novoselivka, Oleksandrivka, Yarova e arredores de Koroviy Yar. A vila de Serednie também foi libertada e se encontra sob controle das Forças de Defesa. Conforme o comando, a área libertada soma cerca de 75 km² limpos de tropas de infiltração mais 10 km² com a libertação de Serednie, totalizando aproximadamente 85 km² — área superior à cidade de Zhytomyr e quase equivalente a Chernihiv, segundo o próprio corpo.
O Terceiro Corpo de Exército relatou que a operação desferiu um golpe pesado na capacidade de combate dos 20º e 25º Exércitos de Armas Combinadas da Rússia, com perdas estimadas em cerca de 1.500 militares, mais de 12.000 drones e centenas de unidades de blindados, sistemas de artilharia e outros equipamentos. As unidades de drones do corpo cortaram rotas logísticas inimigas; como resultado, os russos teriam deslocado os estoques de combustíveis e lubrificantes para fora da Ucrânia, para o oblast de Voronezh.
Participaram da operação a 60ª Brigada Mecanizada, a 125ª Brigada Mecanizada Pesada, um grupo tático da 3ª Brigada de Assalto, o 3º Batalhão de Reconhecimento, o 25º Batalhão Antitanque do 3º Corpo, a 66ª Brigada Mecanizada, o 85º Grupo Tático do 8º Regimento SSO, a unidade especial 'Artan' da HUR do Ministério da Defesa e o 10º Destacamento Móvel de Fronteira 'DOZOR'. A estrada Kharkiv-Sloviansk permanece sob controle das Forças Armadas da Ucrânia. Biletsky pediu silêncio informacional para preservar a operação.
Até a publicação, o Estado-Maior Geral da Ucrânia não havia comentado oficialmente os possíveis êxitos no norte de Donetsk, e o projeto DeepState ainda não havia atualizado seu mapa de combate para a área.
O que dizem as fontes ucranianas
As fontes ucranianas — todas mídias e agências do país — centram a revelação na figura do comandante do Terceiro Corpo de Exército, Andriy Biletsky, e destacam os ganhos táticos e as perdas russas comunicadas oficialmente. Elas sublinham o contraste entre a confirmação tardia e o silêncio informacional mantido durante meses, observando que tanto o Estado-Maior Geral quanto o DeepState não haviam se pronunciado até a publicação. O ângulo prioriza o sucesso operacional e o cuidado com a保密ência da operação.
Onde as versões divergem
Há divergência sobre a extensão do território libertado. O Terceiro Corpo de Exército informou cerca de 85 km² (75 km² limpos de infiltração mais 10 km² com Serednie), enquanto o analista francês de OSINT Clément Molin e o Institute for the Study of War (ISW) estimaram cerca de 200 km² libertados, indicando que o saliente russo ao norte de Lyman teria sido cortado. As fontes ucranianas Радіо Свобода e Громадське радіо registram ambos os números.
Contexto
Durante meses antes do anúncio, a operação foi mantida em sigilo informacional total. O Estado-Maior da Ucrânia se recusou a comentar, e o projeto DeepState não atualizou seu mapa de linha de frente para a área. Analistas militares independentes já haviam descrito avanços ucranianos no chamado saliente de Lyman antes da confirmação oficial, e o analista francês Clément Molin caracterizou publicamente a operação em 8 de setembro como uma das vitórias mais importantes da Ucrânia em 2026, capaz de atrasar o avanço sobre o norte de Donbas.