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Elite russa busca sair do país e teme nova mobilização após eleições, reporta Bloomberg

Reportagem da Bloomberg publicada em 18 de setembro indica que parte da elite russa e funcionários do Kremlin temem que uma nova onda de mobilização seja anunciada após as eleições parlamentares, e estariam transferindo ativos para o exterior e aconselhando parentes a deixar a Rússia. Putin nega publicamente qualquer preparação para nova mobilização, mas um representante de um serviço de segurança europeu afirma que a Rússia planeja convocar cerca de 300 mil pessoas até o fim do ano. A Bloomberg destaca que o Kremlin construiu infraestrutura digital para o recrutamento e que sinais de saída do país já aumentaram antes da votação.

Pontos principais

  • Bloomberg publicou reportagem em 18 de setembro sobre possível nova onda de mobilização na Rússia
  • Elite russa e funcionários do Kremlin estaria buscando abrir contas no exterior e aconselhando parentes a deixar o país
  • Trabalhadores dos centros de alistamento do exército russo também procuram formas de sair da Rússia
  • Putin nega publicamente que esteja sendo preparada uma nova mobilização
  • Serviço de segurança europeu afirma que a Rússia planeja convocar cerca de 300 mil pessoas até o fim do ano
  • Reserva de voluntários do exército russo estaria se esgotando, segundo a reportagem
  • Kremlin construiu infraestrutura digital de recrutamento desde 2022 e restringiu rotas de saída do país

Por que importa

A reportagem sinaliza uma possível escalada no esforço de guerra da Rússia contra a Ucrânia por meio de nova mobilização em larga escala, ao mesmo tempo em que revela ansiedade e falta de confiança entre elites russas quanto aos planos do Kremlin. Indica que a reserva de voluntários russos está se esgotando e que as baixas continuam elevadas. Também expõe a distância entre as negativas públicas de Putin e avaliações não oficiais vindas de fontes europeias.

O que aconteceu

Em 18 de setembro, a Bloomberg publicou reportagem citando documentos e fontes familiarizadas com o tema segundo as quais cresce o medo, entre funcionários do Kremlin e integrantes da elite russa, de que o governo russo anuncie uma nova mobilização após as eleições para a Duma do Estado. De acordo com a reportagem, esses funcionários e trabalhadores dos centros de alistamento estariam tentando abrir contas em bancos estrangeiros, transferir ativos para o exterior e aconselhando parentes e amigos a deixar o país. Antes da votação, aumentou o número de russos saindo para países vizinhos como Geórgia e Armênia. Putin nega publicamente a preparação de uma nova mobilização, mas um representante de um serviço de segurança europeu disse à Bloomberg que a Rússia pretende convocar cerca de 300 mil pessoas até o final do ano. A reportagem destaca ainda que, diferentemente da mobilização parcial de setembro de 2022, uma nova convocação pode ocorrer sem anúncio público formal e que a infraestrutura digital (registro militar unificado ligado a bases fiscais, policiais, de saúde, registros imobiliários e controle de fronteira) permite esse caminho mais silencioso.

Onde as versões divergem

Putin nega publicamente que esteja sendo preparada uma nova mobilização, enquanto um representante de um serviço de segurança europeu afirma à Bloomberg que a Rússia pretende convocar até 300 mil pessoas até o final do ano e outra fonte descreve a reserva de voluntários como em esgotamento. A Bloomberg ressalva que as preocupações com nova mobilização não significam que uma decisão nesse sentido já tenha sido tomada.

Contexto

A mobilização parcial de setembro de 2022 provocou fuga em massa de russos do país. Desde então, o Kremlin construiu infraestrutura digital para o recrutamento ao mesmo tempo em que restringia rotas de saída. A guerra em larga escala contra a Ucrânia já dura cinco anos até a data da publicação.