Kaja Kallas pede moratório de ataques no Mar Negro para retomar exportação de grãos da Ucrânia
A Alta Representante da UE para Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, pediu nesta terça-feira (23) um moratório de ataques no Mar Negro para restabelecer as exportações marítimas de grãos da Ucrânia. O apelo foi feito na abertura de um evento temático sobre o Mar Negro e a segurança alimentar global na Assembleia Geral da ONU, organizado sob a presidência da União Europeia. Segundo Kallas, as exportações marítimas de grãos ucranianos estão efetivamente paradas desde agosto devido à escalada dos ataques russos.
Pontos principais
- Kaja Kallas pediu moratório de ataques no Mar Negro para restabelecer exportações de grãos da Ucrânia
- Apelo foi feito em evento da Assembleia Geral da ONU organizado pela presidência da UE
- Ucrânia responde por cerca de 15% das exportações mundiais de milho, 10% de trigo, 15–20% de cevada e 50% de óleo de girassol
- Cerca de 90% das exportações agrícolas ucranianas passam pelo corredor do Mar Negro
- Exportações marítimas de grãos da Ucrânia estão paradas desde agosto por causa de ataques russos
- Kallas afirmou que a Rússia bloqueia exportações e causa deliberadamente uma crise alimentar global
- Turquia já transmitiu a Ucrânia e Rússia propostas para cessar hostilidades e ataques no Mar Negro
Por que importa
As exportações marítimas de grãos da Ucrânia estão efetivamente paralisadas desde agosto de 2025 por causa da escalada dos ataques russos, atingindo um país que fornece cerca de 15% do milho mundial, 10% do trigo, 15–20% da cevada e aproximadamente 50% do óleo de girassol. Como quase 90% dos embarques agrícolas ucranianos passam pelo corredor do Mar Negro, um moratório teria efeito direto sobre a oferta global de alimentos. A proposta da UE é vista como um passo rumo à retomada de um arranjo semelhante à Iniciativa de Grãos do Mar Negro de 2022–2023, que o bloco descreve como decisiva para conter a crise alimentar global. Em paralelo, a Turquia já transmitiu a Kiev e Moscou propostas próprias para cessar hostilidades na região.
O que aconteceu
A Alta Representante da UE para Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, defendeu publicamente nesta terça-feira (23) um moratório sobre os ataques no Mar Negro como forma de restabelecer as exportações de grãos ucranianos. O apelo ocorreu na abertura de um evento temático sobre o Mar Negro e a segurança alimentar global na Assembleia Geral da ONU, organizado sob a presidência da União Europeia. Em sua fala, Kallas afirmou que a Rússia bloqueia as exportações de grãos pelo Mar Negro e provoca deliberadamente uma crise alimentar global, e que as exportações marítimas de grãos da Ucrânia estão efetivamente paralisadas desde agosto devido à escalada dos ataques russos, que tornam o transporte comercial inviável. Segundo a chefe da diplomacia europeia, a Ucrânia responde por cerca de 15% das exportações mundiais de milho, 10% de trigo, 15–20% de cevada e aproximadamente 50% de óleo de girassol, e cerca de 90% desses produtos agrícolas são transportados pelo corredor do Mar Negro. Ela acrescentou que Kiev tem demonstrado de forma consistente disposição para uma solução diplomática, inclusive com iniciativas de cessar-fogo completo e participação de autoridades ucranianas em eventos diplomáticos à margem da ONU.
Contexto
A Iniciativa de Grãos do Mar Negro operou entre 2022 e 2023 e teve papel decisivo no combate à crise alimentar global. Desde maio de 2022, a iniciativa "Corredores de Solidariedade" da UE viabilizou cerca de 304 bilhões de euros em comércio, e em 2025 o bloco mobilizou 2,1 bilhões de euros para reforçar a segurança alimentar global. A assistência da UE à Ucrânia inclui a identificação de capacidades de armazenagem de grãos, apoio a agricultores e pequenas e médias empresas e a otimização do transporte internacional. Separadamente, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, afirmou anteriormente que Ancara enviou a Moscou e Kiev propostas de desescalada no Mar Negro.