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Sistema eletrônico ucraniano 'Lima' desvia mísseis balísticos russos que miravam instalação em Kiev

O sistema de guerra eletrônica "Lima", operado pela unidade ucraniana "Nichtna Varta" (Vigília Noturna), desviou dois mísseis balísticos russos — em velocidade hipersônica — que se dirigiam a uma instalação governamental importante em Kiev no início de 2026, fazendo-os cair no rio Dniepre, segundo reportagem do The Wall Street Journal. O episódio foi confirmado por fontes militares ucranianas e especialistas em defesa aérea ouvidos pelo WSJ, embora o sistema não substitua interceptadores Patriot. Reportagem da WSJ foi publicada em 6 de outubro.

Pontos principais

  • Dois mísseis balísticos russos foram desviados de uma instalação governamental em Kiev no início de 2026.
  • Os mísseis voavam em velocidade hipersônica e caíram no rio Dniepre após a ação do sistema.
  • O sistema 'Lima' pertence à unidade de guerra eletrônica 'Nichtna Varta' e usa uma técnica chamada spoofing, que transmite sinais falsos de navegação.
  • Durante o ataque, aplicativos de navegação em telefones de moradores de Kiev mostraram a localização como se fosse no Peru.
  • Um major da unidade com indicativo 'Alkhimik' afirmou ao WSJ que o sistema pode interferir em drones, mísseis e bombas guiadas a cerca de 193 km.
  • O caso foi divulgado pelo The Wall Street Journal com base em fontes militares ucranianas; reportagem foi publicada em 6 de outubro.
  • Especialistas ucranianos e ocidentais em defesa aérea confirmaram ao WSJ que sistemas como o 'Lima' podem atrapalhar ataques balísticos, mas a guerra eletrônica não substitui interceptadores Patriot.

Por que importa

O caso mostra que a Ucrânia dispõe de uma capacidade nacional de guerra eletrônica capaz de interferir até com mísseis balísticos hipersônicos — alvo de difícil interceptação para defesas aéreas tradicionais. Representa uma alternativa de menor custo aos interceptadores Patriot, cujo estoque é limitado, e pode ajudar a proteger alvos governamentais e infraestruturas sensíveis em Kiev. Também evidencia a corrida tecnológica entre contramedidas russas — como antenas chinesas CRPA, em número crescente — e atualizações ucranianas como a versão 'Lima Quant'.

O que aconteceu

No início de 2026, dois mísseis balísticos russos foram lançados contra uma instalação governamental importante em Kiev. Segundo reportagem do The Wall Street Journal publicada em 6 de outubro daquele ano, ambos os mísseis — que voavam em velocidade hipersônica — foram desviados pelo sistema de guerra eletrônica 'Lima', operado pela unidade ucraniana 'Nichtna Varta'. O sistema utilizou spoofing, técnica que sobrecarregou o espectro de rádio com sinais falsos de navegação, desorientando os mísseis. Após a interferência, eles caíram no rio Dniepre. Aproximadamente no mesmo momento, aplicativos de navegação em telefones de moradores de Kiev passaram a mostrar que os usuários estavam supostamente no Peru — efeito que o WSJ descreveu como uma espécie de 'cartão de visitas eletrônico' do trabalho da 'Nichtna Varta'. Um major da unidade com indicativo 'Alkhimik' relatou ao WSJ que o 'Lima' pode interferir em drones, mísseis e bombas guiadas a cerca de 193 km de distância. O caso foi confirmado por fontes militares ucranianas e por especialistas em defesa aérea ouvidos pelo jornal, que também observaram que esse tipo de guerra eletrônica não substitui inteiramente os interceptadores Patriot.

O que dizem as fontes ucranianas

As fontes disponíveis são exclusivamente veículos ucranianos (LIGA.net, ZN.UA, hromadske e NV) reproduzindo a matéria do WSJ. A cobertura destaca o feito do sistema nacional 'Lima' ao proteger uma instalação governamental em Kiev, apresenta como conquista da indústria e da engenharia ucranianas e enfatiza a vantagem prática de custo em relação aos interceptadores Patriot. Os textos ampliam o episódio para um panorama mais amplo da guerra eletrônica ucraniana: a alegação de interceptação do míssil 'Kinzhal' em novembro de 2025, a criação da versão 'Lima Quant' para lidar com antenas CRPA, o aumento do número dessas antenas pelos russos e números elevados de drones russos detectados e neutralizados por fabricantes como a Phantom Defense e por operações como a 'Vivaldi' do Terceiro Corpo do Exército.

O que dizem as fontes internacionais

A reportagem original é do The Wall Street Journal (EUA), baseada em fontes militares ucranianas e em consultas a especialistas ucranianos e ocidentais em defesa aérea. A abordagem do WSJ situa o episódio no contexto mais amplo da corrida tecnológica entre sistemas de guerra eletrônica e contramedidas, citando o histórico da unidade com o míssil 'Kinzhal' e a escalada russa no uso de antenas CRPA chinesas. O jornal também ressalva que a guerra eletrônica não substitui interceptadores Patriot, colocando a capacidade ucraniana como complementar, e não substituta, da defesa aérea tradicional.

Onde as versões divergem

Há divergência sobre o alcance reportado do sistema 'Lima': o major 'Alkhimik' citou cerca de 193 km (120 milhas) ao WSJ, enquanto outras formulações do próprio jornal e de outras fontes mencionam até 200 km. Há também diferença sobre a origem do relato da interceptação do míssil 'Kinzhal' em novembro de 2025: o WSJ descreve a ação via sinal de navegação falso, e O Telegraph publicou, na mesma época, que a 'Nichtna Varta' redirecionou o míssil com comandos de navegação e uma música — versão que não aparece no material do WSJ.

Contexto

Mísseis balísticos são alvos particularmente difíceis para a defesa aérea ucraniana por causa de sua alta velocidade e trajetória de voo. Em novembro de 2025, a mesma unidade já havia alegado ter interferido em um míssil hipersônico russo 'Kinzhal' por meio do 'Lima', alimentando o projétil com um sinal de navegação falso que o fez mudar de rumo e se desintegrar pelo próprio esforço da velocidade extrema. No fim de 2024, as forças ucranianas descobriram que a Rússia havia começado a instalar antenas chinesas do tipo CRPA (Controlled Reception Pattern Antennas) em mísseis e drones — equipamentos capazes de identificar a fonte de interferência e ajustar a navegação para evitá-la. Em resposta, os desenvolvedores do 'Lima', junto com o fabricante Cascade, produziram em cerca de três meses a versão 'Lima Quant', baseada em novos algoritmos matemáticos para vencer a proteção das CRPA. A Rússia reagiu ampliando progressivamente o número dessas antenas em seus armamentos — de 4 para 8, depois 16 e, agora, 32. Um oficial das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia afirma que o 'Lima' suprime entre 70% e 95% dos drones controlados por rádio no setor de atuação de sua equipe, embora o sistema por vezes também interfira em drones ucranianos. A matéria do WSJ que detalha o incidente foi publicada em 6 de outubro de 2026.