Ucrânia atinge refinaria da Gazprom em Bashkórtostan e fábrica de máquinas em Sasovo na noite de 8 de outubro
Na noite e manhã de 8 de outubro, as Forças de Defesa da Ucrânia atacaram o complexo de refino e petroquímica Gazprom Neftekhim Salavat, em Salavat, na República do Bashkórtostan (Rússia), causando incêndio na área da planta. Na mesma noite, drones ucranianos também atingiram a fábrica de máquinas Sasta e o data center da Yandex localizado em seu terreno, na cidade de Sasovo, oblast de Ryazan. A Yandex confirmou a paralisação total do data center e relatou problemas de energia em uma zona de disponibilidade do Yandex Cloud; ações da empresa na bolsa de Moscou caíram 3,4% após os reportes iniciais. O Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Ucrânia confirmou ambos os ataques e enquadrou as operações como exercício do direito de autodefesa previsto no Artigo 51 da Carta da ONU.
Pontos principais
- Explosões foram ouvidas em Salavat na manhã de 8 de outubro; incêndio foi registrado na área do complexo Gazprom Neftekhim Salavat após o ataque
- Na mesma noite, drones ucranianos atingiram a fábrica Sasta e o data center Yandex DC Sasovo, em Sasovo, oblast de Ryazan
- O Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Ucrânia confirmou ambos os ataques e os enquadrou como exercício do direito de autodefesa conforme o Artigo 51 da Carta da ONU
- O complexo Gazprom Neftekhim Salavat é um dos maiores da Rússia em refino e petroquímica, com capacidade de processar até 10 milhões de toneladas de matéria-prima hidrocarbonada por ano
- A Yandex confirmou a paralisação total do data center em Sasovo, sem vítimas; foram reportados problemas de energia na zona de disponibilidade ru-central1-b do Yandex Cloud
- Ações da Yandex na bolsa de Moscou caíram 3,4% na manhã de 8 de outubro após os reportes do incêndio em Sasovo
- O complexo Gazprom Neftekhim Salavat já havia sido atingido em 24 de setembro de 2025 (dano na unidade ELOU-AVT-6), em 14 de julho de 2026 e em 13 de agosto de 2026
Por que importa
O ataque atingiu um dos maiores complexos de refino e petroquímica da Rússia, distante mais de 1.300 km da fronteira com a Ucrânia, demonstrando o alcance das operações ucranianas com drones. A Gazprom Neftekhim Salavat, do grupo Gazprom, produz gasolina, diesel, óleo combustível, polietileno, estireno e amônia, e o Estado-Maior da Ucrânia afirma que o complexo abastece as Forças Armadas russas. A usina já havia sido atingida várias vezes em 2025-2026, com incêndios que interromperam o processamento de petróleo. O ataque simultâneo à fábrica Sasta — fornecedora de máquinas CNC usadas na cadeia produtiva de mísseis Iskander e sob sanções de EUA, Canadá, Suíça, UE, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e Japão — alinha-se à estratégia ucraniana de reduzir o potencial militar-econômico da Rússia. A interrupção do data center Yandex DC Sasovo e os problemas no Yandex Cloud ampliaram o impacto, com a cotação da Yandex recuando 3,4% na bolsa de Moscou logo após os reportes do incêndio.
O que aconteceu
Na noite e manhã de 8 de outubro, drones das Forças de Defesa da Ucrânia atacaram dois alvos no território russo. O primeiro foi o complexo de refino e petroquímica Gazprom Neftekhim Salavat, na cidade de Salavat, República do Bashkórtostan; moradores locais relataram explosões e um incêndio foi registrado na área da planta. O Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Ucrânia confirmou a operação. O segundo alvo foi a fábrica de máquinas Sasta, em Sasovo, oblast de Ryazan, onde está instalado o data center Yandex DC Sasovo. Após o ataque, incêndio foi registrado no terreno da Sasta. A Yandex confirmou a paralisação total do data center, sem vítimas, e relatou problemas de energia em uma zona de disponibilidade (ru-central1-b) do Yandex Cloud, afetando capacidade de computação, redes, armazenamento de dados, bancos de dados e serviços Kubernetes. Usuários relataram indisponibilidade em Yandex.Disk e Yandex.Documents. Ações da Yandex na bolsa de Moscou caíram 3,4% na manhã de 8 de outubro. O governador da oblast de Ryazan reportou oficialmente a derrubada de dois UAVs na região e o incêndio no telhado de uma das empresas. Os canais de monitoramento Exilenova+ e Supernova+ e o projeto OSINT Astra também cobriram os ataques. O Estado-Maior Geral da Ucrânia enquadrou as operações como exercício do direito inalienável de autodefesa conforme o Artigo 51 da Carta da ONU, com o objetivo de reduzir o potencial militar-econômico da Federação Russa.
O que dizem as fontes ucranianas
Todas as fontes ucranianas, incluindo o Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Ucrânia, apresentam os ataques como operações deliberadas das Forças de Defesa contra alvos militares-econômicos russos, citando o Artigo 51 da Carta da ONU como base legal. As matérias enfatizam que o complexo de Salavat está a mais de 1.300 km da fronteira, evidenciando o alcance dos drones ucranianos, e destacam o papel da refinaria no abastecimento das Forças Armadas russas. Sobre a fábrica Sasta, o foco recai sobre sua participação nas cadeias produtivas do complexo militar-industrial, em especial no sistema de mísseis Iskander. A interrupção do data center da Yandex é vinculada ao impacto sobre o Yandex Cloud e à queda de 3,4% nas ações da Yandex na bolsa de Moscou. Algumas matérias acrescentam comentários de analistas, como Mykhailo Honchar, do centro Strategy XXI, defendendo a expansão da pressão sobre toda a logística petrolífera russa — de dutos e tanques a navios e portos.
O que dizem as fontes internacionais
A única fonte não ucraniana no conjunto, uma agência do Azerbaijão publicando em inglês, registrou o ataque à Gazprom Neftekhim Salavat em termos factuais diretos, citando o Estado-Maior da Ucrânia e indicando a distância da fronteira ucraniana como cerca de 1.300 km, com pouca moldura editorial adicional.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre a distância de Salavat à fronteira com a Ucrânia: algumas publicações, incluindo НВ, ZN.UA, Суспільне Новини, ЛІГА.net, Інтерфакс-Україна, Бабель, Новинарня, Українська правда, Громадське радіо, Укрінформ, Forbes Ukraine, Радіо Свобода e a agência APA, citam cerca de 1.400 km, enquanto o Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Ucrânia e outras fontes indicam aproximadamente 1.300 km.
Contexto
A Gazprom Neftekhim Salavat é um dos maiores complexos de refino e petroquímica da Rússia, pertence ao grupo Gazprom e pode processar até 10 milhões de toneladas de matéria-prima hidrocarbonada por ano, produzindo mais de 150 tipos de produtos. A planta já havia sido atingida em 24 de setembro de 2025, com dano na unidade de refino primário ELOU-AVT-6, e sofreu incêndios após ataques em 14 de julho de 2026 e 13 de agosto de 2026, com paralisação total do processamento no incidente de julho. A fábrica Sasta é uma das maiores empresas de construção de máquinas ainda em operação na Rússia, emprega cerca de 627 pessoas, produz tornos e fresadoras CNC, centros de usinagem de cinco eixos, tornos pesados e linhas de produção automatizadas, e fornece equipamentos para o complexo militar-industrial russo, incluindo o sistema de mísseis Iskander, e para estruturas da Roscosmos; está sob sanções de EUA, Canadá, Suíça, UE, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e Japão. O data center Yandex DC Sasovo opera desde 2014, ocupa parte das antigas instalações da Sasta e tem capacidade declarada de até 12 MW. Os ataques da noite de 8 de outubro foram reportados pelos canais de monitoramento Exilenova+ e Supernova+ e pelo projeto OSINT Astra; o governador da oblast de Ryazan informou oficialmente a derrubada de dois UAVs e um incêndio no telhado de uma empresa; explosões também foram reportadas em Sterlitamak.