Presidente da Polônia negocia incluir partido de Grzegorz Braun em pacto de direita para o Senado
O entorno do presidente polonês Karol Nawrocki está negociando com associados do deputado Grzegorz Braun a inclusão do partido "Confederação da Coroa Polonesa" em uma lista eleitoral conjunta de direita para o Senado. Líderes do PiS, do Desenvolvimento Mais e da Confederação encarregaram Nawrocki de montar a coalizão. Braun, até então marginalizado por posições antissemitas, pró-Russia e antiucranianas
Pontos principais
- O entorno do presidente polonês Karol Nawrocki negocia com associados de Grzegorz Braun a entrada do partido dele em um pacto de direita para o Senado.
- Líderes do PiS (Jarosław Kaczyński), do Desenvolvimento Mais (Mateusz Morawiecki) e da Confederação (Sławomir Mentzen e Krzysztof Bosak) confiaram a Nawrocki a missão de formar a coalizão.
- Em entrevista à Rzeczpospolita, Nawrocki afirmou que a legenda de Braun tem representação parlamentar e apoio em pesquisas e deve ser tratada como parte da política polonesa.
- Braun esteve na periferia política por excessos antissemitas e posições pró-Rússia e antiucranianas.
- Nawrocki defendeu Braun citando que o primeiro-ministro Tusk já teria abraçado Vladimir Putin como exemplo de associação pró-Russia.
- Braun publicou nas redes sociais imagens da destruição com martelo de um monumento da UPA em Lublin e pediu sua remoção oficial; a promotoria polonesa abriu investigação.
- Em 15 de setembro, o Parlamento Europeu autorizou a retirada da imunidade de Braun para que ele responda na Polônia por negacionismo do Holocausto.
Por que importa
A eventual inclusão de Braun rompe o cordão sanitário que o mantinha à margem da direita polonesa e dá sinal político sensível às vésperas das eleições para o Senado. A defesa pessoal de Nawrocki ocorre após a destruição de um monumento da UPA e a retirada da imunidade de Braun pelo Parlamento europeu por negacionismo do Holocausto.
O que aconteceu
O entorno do presidente da Polônia, Karol Nawrocki, iniciou negociações com associados do deputado Grzegorz Braun para incluir a legenda "Confederação da Coroa Polonesa" em um pacto eleitoral de direita para o Senado. A missão de formar a coalizão havia sido entregue a Nawrocki pelos líderes do PiS (Jarosław Kaczyński), do Desenvolvimento Mais (Mateusz Morawiecki) e da Confederação (Sławomir Mentzen e Krzysztof Bosak). Em entrevista recente à Rzeczpospolita, Nawrocki afirmou que o partido de Braun tem presença parlamentar e apoio em pesquisas e deve ser tratado como parte da política polonesa. Segundo uma fonte próxima, Braun não prioriza colocar parlamentares no Senado e vê como principal benefício das negociações e da participação no pacto o fim do cordão sanitário em torno de seu nome. Nawrocki também saiu em defesa de Braun, argumentando que não é a primeira corrente política acusada de posições pró-Russia e lembrando que o primeiro-ministro Donald Tusk já teria abraçado Vladimir Putin. Braun, que esteve na periferia da política por posições antissemitas, pró-Russia e antiucranianas, publicou em setembro imagens nas quais destrói com um martelo um obelisco em memória de combatentes da UPA no voivodato de Lublin e pediu sua remoção oficial; a promotoria polonesa abriu investigação sobre o caso. Em 15 de setembro, o Parlamento Europeu autorizou a retirada da imunidade de Braun para que ele responda na Polônia por negacionismo do Holocausto.
O que dizem as fontes ucranianas
As manchetes em ucraniano destacam Braun como figura "antiucraniana" e enquadram o pacto em formação como uma coalizão com um ator dessa posição. A cobertura enfatiza o papel pessoal de Nawrocki ao abrir as negociações e ao defender Braun apesar do passado antiucraniano e da destruição do monumento da UPA.
Contexto
Braun foi mantido à margem da política por incidentes antissemitas e por posições pró-Russia e antiucranianas. Em setembro, ele publicou em redes sociais imagens da destruição com martelo de um monumento e de um túmulo de combatentes da UPA no voivodato de Lublin e pediu sua remoção oficial, classificando o obelisco como uma ofensa à memória das vítimas polonesas. Em 15 de setembro, o Parlamento Europeu autorizou a retirada da imunidade de Braun para que ele responda na Polônia por negacionismo do Holocausto; não foi a primeira vez que sua imunidade foi levantada. Os líderes dos partidos de direita — Kaczyński (Lei e Justiça), Morawiecki (Desenvolvimento Mais), Mentzen e Bosak (Confederação) — encarregaram Nawrocki de montar uma coalizão para as eleições ao Senado. Nawrocki defendeu Braun apontando que não é a primeira corrente política acusada de proximidade com a Rússia e mencionando que o primeiro-ministro Tusk já teria abraçado Vladimir Putin.