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Rubio confirma negociações para licenciar produção de mísseis Patriot na Ucrânia, mas alerta que leva anos

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou em 2 de setembro que os Estados Unidos estão negociando com a Ucrânia a concessão de licenças para a produção de mísseis do sistema de defesa aérea Patriot. Rubio advertiu que, mesmo com a licença, a implantação da produção e a construção das fábricas necessárias levariam anos e não resolveriam a necessidade imediata de interceptores da Ucrânia.

Pontos principais

  • Marco Rubio disse em 2 de setembro, no The Brian Kilmeade Show, que os EUA negociam com a Ucrânia licenças para produzir mísseis Patriot.
  • Rubio afirmou que, mesmo com a licença, a produção e a construção das fábricas necessárias levariam vários anos.
  • Rubio disse que a licença não resolveria o problema de curto prazo da Ucrânia com a falta de interceptores.
  • Rubio afirmou que os interceptores Patriot têm alta demanda global, inclusive no Oriente Médio, e que os EUA precisam garantir estoques próprios suficientes.
  • Em maio, o presidente Volodymyr Zelensky enviou carta a Donald Trump e ao Congresso dos EUA pedindo licença para produzir mísseis Patriot.
  • Em julho, Trump disse que os EUA poderiam conceder tal licença, mas depois afirmou que Washington precisa ser 'muito cuidadoso'.
  • Uma possível solução em estudo prevê que a Ucrânia produza componentes e a montagem final seja feita na Alemanha.

Por que importa

A concessão da licença permitiria, pela primeira vez, que a Ucrânia produzisse domesticamente um sistema ocidental chave de defesa aérea, potencialmente enfrentando a escassez crônica de interceptores. O Patriot é atualmente o único sistema na Ucrânia capaz de interceptar com eficácia os mísseis balísticos e quase balísticos russos Iskander-M, Kinzhal e Zircon, cujo uso pela Rússia tem aumentado. As negociações ocorrem num momento em que a administração Trump se recusou a financiar ajuda militar direta dos EUA à Ucrânia, com aliados europeus comprando armas americanas para Kiev por meio do programa PURL. O esforço de licenciamento também expôs a oposição comercial das contratantes de defesa Raytheon e Lockheed Martin, que temem concorrência da produção ucraniana.

O que aconteceu

Em 2 de setembro de 2026, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, confirmou no The Brian Kilmeade Show que os Estados Unidos estão negociando com a Ucrânia a concessão de licenças para a produção de mísseis do sistema de defesa aérea Patriot. Rubio observou que, mesmo com a licença, a implantação da produção e a construção das fábricas necessárias levariam vários anos, e que a medida não resolveria a necessidade imediata de interceptores da Ucrânia. Ele também afirmou que os interceptores Patriot têm alta demanda global, inclusive no Oriente Médio, e que os EUA precisam primeiro garantir estoques próprios suficientes. Sobre a oferta ucraniana de compartilhar tecnologia de drones, Rubio disse que, se houver um acordo que beneficie os EUA, Washington está aberto, mas tratam-se de projetos de longo prazo sem anúncios imediatos. O contexto inclui uma carta do presidente Volodymyr Zelensky a Donald Trump e ao Congresso, em maio, pedindo a licença; declarações de Trump em julho no summit da OTAN indicando que os EUA poderiam conceder a licença, seguidas de dúvidas expressas em 31 de julho; e a análise de que uma solução de compromisso poderia envolver a produção de componentes na Ucrânia com montagem final na Alemanha.

Onde as versões divergem

As matérias divergem sobre como interpretar a declaração de Trump de 31 de julho de que Washington deve ser 'muito cuidadoso' — alguns veículos a enquadram como expressão de hesitação, outros como reversão da abertura anunciada no summit da OTAN em 8 de julho. Há também divergência sobre os motivos da hesitação: algumas fontes destacam o receio de vazamento de tecnologia para a Rússia, outras citam a necessidade de preservar estoques próprios dos EUA e compromissos no Oriente Médio, e outras ainda apontam a oposição das contratantes Raytheon e Lockheed Martin, que temem concorrência da produção ucraniana e oficialmente citam o risco de roubo de propriedade intelectual.

Contexto

Em maio de 2026, o presidente Zelensky enviou uma carta urgente a Trump e ao Congresso dos EUA alertando sobre a escassez crítica de meios de defesa aérea e solicitando licença para produzir mísseis Patriot. No summit da OTAN em 8 de julho, Trump afirmou que os EUA poderiam conceder tal licença a Kiev, mas em 31 de julho disse que Washington precisa ser 'muito cuidadoso' ao transferi-la. Segundo reportagem do Financial Times, Trump teria recusado o pedido de Zelensky por centenas de interceptores Patriot adicionais, citando necessidades dos EUA, inclusive no Oriente Médio. Washington estaria preocupada com o risco de vazamento de tecnologia sensível à Rússia, e uma solução de compromisso em estudo prevê que a Ucrânia produza componentes e a montagem final seja feita na Alemanha. Paralelamente, a União Europeia considera o pedido ucraniano de comprar mísseis Patriot com fundos europeus, e vários países da UE prometeram contribuições adicionais de defesa aérea. Desde o verão de 2025, outros países da OTAN vêm comprando armas dos EUA para a Ucrânia no âmbito do programa PURL, após a administração Trump deixar de financiar ajuda militar direta. O Patriot (MIM-104) é o único sistema na Ucrânia capaz de interceptar com eficácia os mísseis Iskander-M, Kinzhal e Zircon russos, e analistas do ISW registraram que, em julho, a Rússia aumentou o uso de mísseis Zircon e S-400, ambos em trajetórias balísticas, contra a Ucrânia.