Publicado em · Atualizado em

Merz diz negociar pessoalmente com líderes mundiais por mais defesa aérea para a Ucrânia

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou nesta terça-feira (29) em Berlim que mantém conversas pessoais com chefes de Estado e de governo para garantir o envio adicional de sistemas de defesa aérea à Ucrânia, que descreveu como a maior fragilidade atual de Kiev. As declarações foram dadas em coletiva com o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, e ocorrem antes de uma reunião do Conselho Europeu marcada para 15 e 16 de outubro em Bruxelas.

Pontos principais

  • Merz afirmou em Berlim, em 29 de setembro, que conduz conversas pessoais com chefes de Estado e de governo para garantir suprimentos adicionais de defesa aérea à Ucrânia.
  • O chanceler alemão chamou a defesa aérea de 'maior fragilidade' da Ucrânia no momento.
  • Merz disse esperar que a Ucrânia esteja preparada para o inverno que se aproxima, inclusive no abastecimento de energia.
  • A Alemanha está em consultas intensivas com parceiros europeus sobre ajuda adicional à Ucrânia antes da reunião do Conselho Europeu de 15–16 de outubro em Bruxelas.
  • O chanceler alertou que a Rússia continuará a golpear a infraestrutura civil ucraniana e prometeu apoio alemão para que Kiev atravesse um inverno 'muito difícil'.
  • O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, disse em Estrasburgo que confia em entregas adicionais de defesa aérea de pelo menos dois outros países.
  • Merz assegurou que a Alemanha seguirá apoiando a Ucrânia porque a segurança do país está diretamente ligada à segurança de todo o continente europeu.
  • Merz declarou que a Rússia não vencerá a guerra e que Moscou sofrerá perdas significativas, inclusive no campo econômico.

Por que importa

A defesa aérea é apontada como a vulnerabilidade mais aguda da Ucrânia enquanto a Rússia segue atacando infraestrutura civil. A Alemanha está coordenando ativamente a ajuda militar aliada, com possíveis novos pacotes de defesa aérea para a Ucrânia ainda em setembro. A pressão ocorre antes de um inverno que promete ser difícil e da reunião do Conselho Europeu de 15–16 de outubro. Está em discussão um mecanismo pelo qual Estados da UE transfeririam interceptadores Patriot à Ucrânia, com reposição financiada por um empréstimo de 90 bilhões de euros, mas os ministros da Defesa da UE não chegaram a um acordo sobre novos mísseis em 28 de setembro.

O que aconteceu

O chanceler Friedrich Merz afirmou em coletiva em Berlim, em 29 de setembro, ao lado do presidente do Cazaquistão Kassym-Jomart Tokayev, que mantém conversas pessoais com diversos chefes de Estado e de governo para garantir suprimentos adicionais de defesa aérea à Ucrânia. Classificou a defesa aérea como a maior fragilidade atual de Kiev e disse esperar que a Ucrânia possa ser preparada para o inverno que se aproxima, inclusive em energia. Anunciou que a Alemanha está em consultas intensivas com parceiros europeus sobre ajuda adicional antes da reunião do Conselho Europeu de 15–16 de outubro em Bruxelas, com discussões incluindo apoio concreto ao orçamento ucraniano e formas de reforçar a defesa aérea. Advertiu que a Rússia continuará a golpear a infraestrutura civil e prometeu que Berlim fará tudo ao seu alcance para ajudar Kiev a atravessar um inverno provavelmente muito difícil. Acrescentou que a Alemanha seguirá apoiando a Ucrânia porque a segurança do país está diretamente ligada à do continente e que, se a Ucrânia cair, a paz e a liberdade em toda a Europa ficarão ameaçadas. Segundo a Ukrinform, a Ucrânia deve receber novos pacotes de defesa aérea da Alemanha ainda neste mês. O ministro das Relações Exteriores Johann Wadephul disse no Parlamento do Conselho da Europa em Estrasburgo que confia em entregas adicionais vindas de pelo menos dois outros países, lembrou que a Alemanha já fez contribuição significativa e anunciou o início da produção alemã de mísseis Patriot, com entregas previstas apenas para o próximo ano.

O que dizem as fontes ucranianas

A cobertura ucraniana lidera com o enquadramento de que a defesa aérea é a 'maior fragilidade' ou 'ponto mais fraco' da Ucrânia e de que a Alemanha está 'procurando soluções'. Destaca ações concretas do governo alemão: pacotes de defesa aérea previstos para este mês, a expectativa de Wadephul de entregas de ao menos dois outros países e o trabalho do ministro da Defesa Boris Pistorius para envolver sistemas adicionais. A imprensa ucraniana também destaca o possível mecanismo de transferência de interceptadores Patriot por Estados da UE com reposição via empréstimo de 90 bilhões de euros, além do fracasso dos ministros da Defesa da UE em 28 de setembro em chegar a acordo sobre mísseis adicionais, e contextualiza as declarações dentro da próxima reunião do Conselho Europeu em 15–16 de outubro e do inverno difícil previsto.

O que dizem as fontes internacionais

O noticiário internacional, como o da agência do Azerbaijão, concentra-se no ângulo da diplomacia pessoal de Merz para aumentar o fornecimento de defesa aérea à Ucrânia, dando menos destaque ao contexto da cobertura ucraniana sobre as consultas da UE, o mecanismo do empréstimo de 90 bilhões de euros ou o resultado do Conselho da UE de 28 de setembro. O enquadramento internacional prioriza o esforço diplomático pessoal de Merz e seu alerta sobre o inverno e os ataques a infraestrutura civil, com menor ênfase em prazos concretos de entregas alemãs ou no mecanismo de transferência de Patriot.

Onde as versões divergem

Há divergência entre as fontes sobre se Merz caracterizou explicitamente os ataques russos a infraestrutura civil ucraniana como crimes de guerra: uma das versões relatadas inclui essa caracterização, enquanto outras versões dos mesmos comentários não trazem essa formulação. Outra divergência menor é sobre a data exata da coletiva com Tokayev — a maioria das fontes menciona apenas 'terça-feira', enquanto uma fixa o evento em 29 de setembro. Há também divergência entre Zelensky e Trump: em 25 de setembro, Zelensky afirmou que Trump tomou uma 'decisão final' de transferir a Kiev licenças para produção de mísseis Patriot, enquanto Trump se recusou a confirmar.

Contexto

Merz fez as declarações em coletiva conjunta em Berlim com o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev. No mesmo dia, o chanceler falou sobre a expectativa de pacotes alemães de defesa aérea ainda em setembro. Em 29 de setembro, o presidente Volodymyr Zelensky disse que a Ucrânia recebeu um pacote de mísseis para sistemas NASAMS. Em 28 de setembro, após reunião do Conselho da UE, a Alta Representante Kaja Kallas afirmou que os ministros da Defesa da UE não chegaram a acordo sobre lotes adicionais de mísseis. A Alemanha está iniciando produção própria de mísseis Patriot, com disponibilidade prevista apenas para o próximo ano. Em 25 de setembro, Zelensky afirmou que Trump tomou decisão final de transferir licenças de produção de Patriot à Ucrânia; Trump não confirmou.