Drone russo atinge sede de TV em Kiev durante transmissão ao vivo do teleton nacional
Em 8 de setembro, um drone de ataque atingiu o prédio dos canais de TV "My — Ukraine" e "My — Ukraine+" em Kiev durante o programa nacional "Yedyni Novyny". O presidente Zelensky relatou que o edifício foi parcialmente destruído e que pelo menos cinco pessoas ficaram feridas, número que poderia aumentar. É a segunda vez que o mesmo edifício é danificado em menos de três semanas.
Pontos principais
- Em 8 de setembro, um drone russo (identificado como "Shahed") atingiu o prédio dos canais "My — Ukraine" e "My — Ukraine+" em Kiev durante transmissão ao vivo do teleton nacional "Yedyni Novyny".
- O teleton estava no ar quando o ataque ocorreu; a redação e os gabinetes de trabalho foram os principais atingidos.
- Presidente Zelensky reportou inicialmente cinco pessoas feridas, advertindo que o número poderia subir; o produtor-geral Yurii Suhak afirmou depois que seis funcionários ficaram feridos, com lesões leves.
- Bombeiros do Serviço Estatal de Emergências apagaram o incêndio no prédio, no distrito de Solomianskyi; dois pacientes foram retirados dos andares superiores.
- Zelensky classificou o ataque como "uma nova página da degradação russa" e pediu reação da Europa e do mundo.
- A embaixadora da UE em Kiev, Katherina Maternova, condenou o ataque e saudou a aprovação, pela Comissão Europeia, da compra de mísseis interceptores Patriot no valor de cerca de € 3,2 bilhões.
- O ataque diurno ocorreu após uma grande bombardeio russo durante a noite de 7 para 8 de setembro, com uso de mísseis Oniks, Iskander-M, S-400, KN-23, Kh-101 e 166 drones; segundo autoridades, houve 29 locais atingidos e 9 com queda de destroços.
- É a segunda vez que esta sede é atingida em menos de três semanas: na noite de 20 de agosto, uma onda de explosão já havia estilhaçado janelas e danificado a redação durante outro grande ataque a Kiev.
Por que importa
O ataque atinge diretamente uma redação em funcionamento durante uma transmissão ao vivo, alimentando a tese de que jornalistas estariam sendo deliberadamente visados. Zelensky enquadrou o episódio como uma escalada simbólica — "uma nova página da degradação russa" — e pediu reação internacional. A condenação veio da embaixadora da UE em Kiev, que aproveitou para anunciar apoio militar adicional (interceptores Patriot por cerca de € 3,2 bilhões). É a segunda vez que o mesmo edifício é danificado em menos de três semanas, sugerindo um padrão de ataques contra este meio de comunicação. O episódio também se insere em uma sequência maior: uma grande ataque combinado de mísseis e drones na mesma noite, logo após visitas a Moscou e Kiev de enviados especiais dos EUA e após uma suposta "pausa" de três dias nos ataques a Kiev atribuída a Putin.
O que aconteceu
Em 8 de setembro, durante o dia, um drone russo do tipo Shahed atingiu o prédio dos canais de TV "My — Ukraine" e "My — Ukraine+" em Kiev, no distrito de Solomianskyi. No momento do ataque, o canal "My — Ukraine" transmitia ao vivo o teleton nacional "Yedyni Novyny". O impacto principal recaiu sobre a redação e sobre os gabinetes de trabalho da redação, que ficou parcialmente destruída e pegou fogo. Resgate e equipes médicas foram ao local; o Serviço Estatal de Emergências (DSNS) apagou o incêndio e retirou duas pessoas dos andares superiores do prédio.
O presidente Volodymyr Zelensky reportou o ataque em publicação no Telegram, afirmando que pelo menos cinco pessoas ficaram feridas e que o número poderia aumentar. O produtor-geral da "My — Ukraine", Yurii Suhak, disse ao "Detector Media" que, no total, seis funcionários dos dois canais ficaram feridos, com lesões leves a moderadas, e que cinco foram hospitalizados. Membros do canal divulgaram imagens mostrando o momento do impacto na redação, argumentando que se tratou de um ataque deliberado a jornalistas, não de dano colateral.
O ataque diurno veio após uma grande ataque russo durante a noite de 7 para 8 de setembro contra Kiev e outras regiões da Ucrânia, com mísseis Oniks, Iskander-M, S-400, KN-23, Kh-101 e 166 drones. Segundo a Força Aérea ucraniana, houve 29 locais com impacto direto e 9 com queda de destroços, e a defesa aérea teria derrubado 33 mísseis e 142 drones. A Prefeitura de Kiev, por meio da Administração Militar da Cidade, reportou 19 feridos e o prefeito Vitali Klitschko indicou três mortos no conjunto de ataques do dia. A transmissão da "My — Ukraine" foi suspensa, com previsão de retorno em um a dois dias, e seu slot no teleton foi temporariamente preenchido por outros canais.
O que dizem as fontes ucranianas
Fontes ucranianas apresentam o ataque de forma unânime como uma agressão deliberada contra uma redação em funcionamento durante transmissão ao vivo. Zelensky o classificou como "uma nova página da degradação russa" e pediu reação da Europa e do mundo. A cobertura enfatiza a ameaça a jornalistas: o canal divulgou imagens para sustentar a tese de alvo intencional, e a chancelaria, por meio do porta-voz Heorhii Tykhyi, lembrou que cerca de 30 redações foram danificadas, ocupadas ou destruídas desde o início da invasão em grande escala, com 21 profissionais de mídia mortos em serviço. Vários veículos também contextualizaram o bombardeio diurno dentro do grande ataque combinado da noite anterior e observaram que ele ocorreu após as visitas dos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner e após uma suposta "pausa" de três dias nos ataques a Kiev atribuída a Putin.
O que dizem as fontes internacionais
O enquadramento internacional limita-se, nas fontes disponíveis, a declarações de atores europeus. A embaixadora da UE em Kiev, Katherina Maternova, condenou o ataque, disse que redações não são campo de batalha e aproveitou para saudar a aprovação, pela Comissão Europeia, da compra de interceptores Patriot pela Ucrânia por cerca de € 3,2 bilhões. Um porta-voz do Serviço Europeu para a Ação Externa (citado como "Vigand") relacionou o ataque à partida recente dos enviados americanos e afirmou que a UE está acelerando o apoio à Ucrânia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, saudaram a decisão dos Estados-membros da UE de financiar a compra de mísseis Patriot, vinculando a resposta de defesa aérea ao episódio.
Onde as versões divergem
As fontes divergem em quatro pontos principais. Sobre o número de feridos no prédio do canal, Zelensky reportou inicialmente cinco, enquanto o produtor-geral Yurii Suhak falou em seis funcionários feridos e a assessoria de imprensa do canal indicou que cinco foram hospitalizados. Sobre o total de vítimas em Kiev em 8 de setembro, circularam pelo menos três números: 16 feridos e 2 mortos em um relato inicial, 10 feridos em outro relato inicial, e depois 19 feridos e 3 mortos, segundo o prefeito Klitschko e a Administração Militar da Cidade. As listas de distritos de Kiev afetados pelo ataque noturno também variam: uma menciona Solomianskyi, Podilskyi, Darnytskyi, Holosiivskyi e Shevchenkivskyi; outras incluem Dniprovs'kyi em vez de Shevchenkivskyi. Por fim, sobre a natureza do imóvel atingido, o Serviço Estatal de Emergências o descreve como um centro empresarial no distrito de Solomianskyi onde funcionam os canais, enquanto a maior parte da mídia trata o endereço diretamente como sede dos canais "My — Ukraine".
Contexto
"My — Ukraine" é um dos canais que participa do teleton nacional "Yedyni Novyny" (United News), uma transmissão conjunta de informação criada em tempos de guerra. Em 20 de agosto, o mesmo prédio já havia sido danificado por uma grande ataque russo a Kiev, com janelas estilhaçadas, redação comprometida e parte do teto dos corredores arrancada pela onda de explosão. Na noite de 7 para 8 de setembro, a Rússia lançou contra Kiev e outras regiões mísseis Oniks, Iskander-M, S-400, KN-23, Kh-101 e 166 drones; houve registro de impactos em 29 locais e destroços em outros 9, com a defesa aérea reportando 33 mísseis e 142 drones derrubados. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Heorhii Tykhyi, desde o início da invasão em grande escala cerca de 30 redações foram danificadas, ocupadas ou destruídas, com 21 profissionais de mídia mortos em serviço. No mesmo contexto, Estados-membros da UE aprovaram a compra pela Ucrânia de interceptores Patriot no valor de cerca de € 3,2 bilhões, financiados pelo instrumento de crédito europeu de € 90 bilhões, decisão saudada pela Comissão Europeia e pela liderança da OTAN. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, conversou em 8 de setembro com a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, sobre os ataques russos.