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Drone russo atinge sede da Academia de Ciências da Ucrânia no centro de Kiev

Em 28 de setembro, um drone russo atingiu o prédio da Presidência da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia (ANCU) na rua Volodymyrska, no centro histórico de Kiev, durante o horário de almoço. O ataque matou pelo menos duas pessoas, incluindo a assistente pessoal do vice-presidente da ANCU, Volodymyr Horbulin, que ficou levemente ferido. O incidente provocou forte condenação internacional e levou o chanceler ucraniano Andriy Sybiha a pedir à UNESCO a suspensão dos direitos de voto da Rússia.

Pontos principais

  • Em 28 de setembro, um drone russo atingiu o prédio da Presidência da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia na rua Volodymyrska, 54, no distrito de Shevchenkivskyi, no centro histórico de Kiev, por volta das 13h30.
  • Pelo menos duas pessoas morreram, entre elas Nataliia Bukalo, assistente pessoal do vice-presidente da ANCU, Volodymyr Horbulin; o próprio Horbulin sofreu ferimentos leves provocados por estilhaços de vidro.
  • O ataque causou um incêndio de grandes proporções e danificou parcialmente o segundo e o terceiro andares do prédio de três andares; equipes de resgate, com cerca de 25 viaturas e 100 socorristas, conseguiram retirar duas pessoas pelas janelas.
  • A ANCU tem cerca de 24 mil funcionários, incluindo mais de 13 mil pesquisadores; o edifício atingido, conhecido como Pensão da Condessa Levashova, foi construído nos anos 1850 e abrigava a Academia desde 1918–1919.
  • Líderes estrangeiros como Macron, von der Leyen, Berset, Sandu e Tsahkna condenaram o ataque; o chanceler Sybiha pediu à UNESCO que retire da Rússia o direito a voto e a cargos em órgãos da organização.
  • O prédio da ANCU fica a aproximadamente 200 metros da Delegação da UE e nas proximidades imediatas da embaixada da Alemanha em Kiev; Zelensky prometeu resposta e relatou que, em toda a Ucrânia, 9 pessoas morreram e mais de 80 ficaram feridas nos ataques do dia.

Por que importa

O ataque atingiu uma das principais instituições científicas da Ucrânia em pleno horário de trabalho, no coração histórico de Kiev, a poucos metros da Delegação da UE e da embaixada alemã. Isso elevou a tensão diplomática em torno de possíveis danos a instalações estrangeiras e provocou uma onda rara de condenações oficiais de alto nível, incluindo pedidos formais por sanções dentro da UNESCO. O episódio também ilustra a escala do assalto aéreo russo, com 124 drones de ataque, sendo 86 a jato, lançados em um único dia contra a Ucrânia, principalmente contra a região de Kiev.

O que aconteceu

Na segunda-feira, 28 de setembro, um drone russo a jato atingiu por volta das 13h30 o prédio da Presidência da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia (ANCU), um edifício histórico de três andares localizado na rua Volodymyrska, 54, no distrito de Shevchenkivskyi, no centro de Kiev. O impacto direto destruiu parcialmente o segundo e o terceiro andares e provocou um incêndio de grandes proporções. Funcionários que estavam no local, muitos em horário de almoço, tentaram escapar pelas janelas; os bombeiros usaram escadas para resgatar duas pessoas. O ataque matou pelo menos duas pessoas, incluindo Nataliia Bukalo, assistente pessoal do ex-secretário do Conselho de Segurança e Defesa e atual vice-presidente da ANCU, Volodymyr Horbulin, que sofreu apenas ferimentos leves. Outros funcionários da Academia permaneceram inicialmente incomunicáveis. O presidente Volodymyr Zelensky prometeu uma resposta da Ucrânia ao ataque e citou outros alvos russos no mesmo dia, incluindo uma farmacêutica, postos de combustível em Kiev e um centro empresarial em Dnipro. Zelensky afirmou que cerca de 120 drones, 90 deles a jato, foram usados contra a Ucrânia naquele dia, com 9 mortos e mais de 80 feridos em todo o país.

O que dizem as fontes ucranianas

A cobertura ucraniana destacou detalhes operacionais do ataque — horário exato (~13h30), localização do incêndio no segundo e terceiro andares, mobilização da Defesa Estatal de Situações de Emergência (DSNS) com cerca de 25 viaturas e 100 socorristas — e deu voz principalmente a autoridades ucranianas. O presidente Zelensky prometeu uma resposta ao ataque e pediu mais apoio internacional à defesa aérea; o chanceler Andriy Sybiha pediu à UNESCO a retirada dos direitos de voto da Rússia; o ministro da Educação, Andriy Butenko, e o vice-ministro Denys Kurbatov conclamaram a comunidade científica internacional a isolar instituições russas. Veículos ucranianos também destacaram o simbolismo histórico do prédio (antigo Pensão da Condessa Levashova, sede da Academia desde 1918–1919) e traçaram um paralelo com o bombardeio do mesmo edifício pelas forças bolcheviques de Muravyov em janeiro de 1918. Reportagens pessoais incluíram relatos de funcionários da ANCU — Olha Atamanenko e Leonid Fedorenko — sobre o momento do impacto e colegas que não respondiam.

O que dizem as fontes internacionais

A imprensa internacional disponível — veículos alemães, britânicos e a agência azerbaijana APA — enquadrou o ataque principalmente pelo dano a uma instituição acadêmica histórica e pela proximidade de missões diplomáticas. O Itamaraty alemão (Auswärtiges Amt) destacou que o ataque ocorreu nas imediações da embaixada da Alemanha em Kiev. A BBC deu ênfase à fuga de pessoas do prédio histórico, privilegiando o ângulo humano e patrimonial. Vários líderes e instituições europeus foram citados condenando o ataque: Emmanuel Macron (França), Ursula von der Leyen (Comissão Europeia), Alain Berset (Conselho da Europa), Margus Tsahkna (Estônia) e Maia Sandu (Moldávia). A embaixadora da UE em Kiev, Kateryna Maternova, informou que o prédio da ANCU fica a cerca de 200 metros da Delegação da UE e pediu maior pressão sobre a Rússia. O ministro da Defesa da Polônia, Władysław Kosiniak-Kamysz, relatou que um drone russo caiu a cerca de 2 km da fronteira polonesa no lado ucraniano, sem violar o espaço aéreo polonês — um sinal de alerta de transbordamento do conflito.

Onde as versões divergem

Os números de vítimas do ataque variaram ao longo do dia. Relatos iniciais do prefeito Klitschko e da KMDA indicaram 1 morto e 3 feridos; depois os números subiram para 4, 5 e, segundo Zelensky, 6 feridos (incluindo 3 crianças). O Serviço Estatal de Emergências (DSNS) chegou a registrar 1 morto e 7 feridos no distrito de Shevchenkivskyi. Outra divergência importante diz respeito ao número de mortos ligados à ANCU: o comissário de proteção da língua estatal e o presidente da ANCU, Anatoliy Zagorodniy, afirmaram que dois cientistas da Academia morreram; a assessoria de imprensa da ANCU não confirmou duas mortes de acadêmicos, confirmando apenas a morte da assistente Nataliia Bukalo. Houve também divergências sobre o total de feridos em Kiev no dia (Klitschko citou 14, depois 19 e, ao final, 24, incluindo 3 crianças, com 6 hospitalizados) e sobre os feridos na clínica Dobrobut, também atingida no mesmo dia (7 ou 8, segundo a fonte). Por fim, a contagem de drones diverge ligeiramente: a Força Aérea relatou 124 UAVs de ataque, 86 deles a jato, enquanto Zelensky mencionou "cerca de 120 drones, 90 a jato".

Contexto

A Academia Nacional de Ciências da Ucrânia (ANCU) foi fundada em 27 de novembro de 1918 por ordem do Hetman Pavlo Skoropadskyi, tendo como primeiro presidente o cientista Volodymyr Vernadsky. O prédio da Presidência na rua Volodymyrska, 54, no centro de Kiev, foi construído nos anos 1850 como o Pensão da Condessa Levashova e abrigava a Academia desde 1918–1919. O mesmo edifício já havia sido atingido por artilharia das forças bolcheviques russas sob comando de Muravyov em janeiro de 1918. Em 28 de setembro, a Força Aérea da Ucrânia registrou o lançamento de 124 drones de ataque — 86 deles a jato — entre 06h30 e 18h30, com a região de Kiev como principal direção de ataque.