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Zelensky sanciona ex-porta-voz Yulia Mendel e pacote contra Rostec e frota fantasma russa

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, assinou em 13 de setembro de 2026 o decreto nº 901/2026, aplicando sanções pessoais a sua ex-porta-voz Yulia Mendel e a nove cidadãos russos sancionados como propagandistas. No mesmo dia, Zelensky assinou outros dois decretos: um com sanções contra 29 cidadãos russos e 29 empresas ligadas à corporação estatal Rostec, e outro contra 20 navios da frota fantasma russa que transportam petróleo e gás liquefeito. Mendel foi incluída na lista por, em entrevista ao podcaster americano Tucker Carlson em maio de 2026, afirmar que Zelensky estaria disposto a entregar o Donbas à Rússia e reproduzir narrativas russas, segundo o Centro de Contradesinformação da Ucrânia.

Pontos principais

  • Decreto nº 901/2026, de 13 de setembro de 2026, aplica sanções pessoais a Yulia Mendel e a nove cidadãos russos ligados à propaganda pró-Rússia.
  • Mendel é a única cidadã ucraniana na lista; algumas sanções são por tempo indeterminado, outras por dez anos, incluindo bloqueio de ativos, proibição de operações comerciais e entrada vetada na Ucrânia.
  • Decreto nº 899/2026 sanciona 29 cidadãos russos e 29 empresas ligadas à Rostec, que segundo o assessor presidencial Vladyslav Vlasiuk fornece até 80% do armamento usado pela Rússia na guerra.
  • Decreto nº 900/2026 impõe sanções de dez anos a 20 navios sob bandeiras de Libéria, Palau, Serra Leoa, Barbados e Ilhas Marshall, usados pela frota fantasma russa para exportar petróleo à Índia, Egito e Turquia.
  • Sanções foram propostas pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU); o país pretende compartilhar os dados com parceiros para sincronizar sanções em jurisdições internacionais.
  • Em entrevista a Tucker Carlson em maio de 2026, Mendel afirmou que Zelensky estaria disposto a entregar o Donbas em 2022 e o acusou de lavagem de dinheiro e uso de drogas; Zelensky chamou Carlson e Mendel de 'pessoas loucas'.
  • Mendel tem um discurso previsto para 16 de setembro no Parlamento Europeu em Estrasburgo, em evento organizado pelo partido alemão AfD sob o título 'Ucrânia. Ouse a paz. Diplomacia, não escalada'.

Por que importa

As sanções atingem uma ex-integrante de alto escalão do Gabinete da Presidência que se alinhou publicamente a narrativas russas em mídia estrangeira. O pacote faz parte de uma rodada mais ampla contra a propaganda russa, o complexo industrial de defesa e a frota fantasma. Mendel é a única cidadã ucraniana entre os dez indivíduos sancionados neste decreto, o que sublinha a leitura do governo ucraniano de que certas críticas públicas à liderança se inserem na guerra de informação da Rússia.

O que aconteceu

Em 13 de setembro de 2026, o presidente Volodymyr Zelensky assinou três decretos pondo em vigor decisões do Conselho de Segurança Nacional e Defesa (RNBO). O decreto nº 901/2026 aplica sanções pessoais a uma lista de dez pessoas, entre elas a ex-porta-voz presidencial Yulia Mendel — única cidadã ucraniana da lista — e nove cidadãos russos apresentados como propagandistas: Svitlana Larina, Izabella Liberman, Diana Malik, Oleksandr Minyeyev, Oleksiy Plotnikov, Oleg Rezepkin, Mariya Rumyantseva, Sofiya Sambulova e Yevhen Strunkin. As restrições contra Mendel incluem bloqueio de ativos, proibição de operações comerciais, impedimento de retirada de capital, proibição de entrada na Ucrânia e bloqueio ao acesso, a partir do território ucraniano, às suas contas em Instagram, X e Facebook; algumas medidas são por tempo indeterminado, outras por dez anos. As sanções foram propostas pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU). No mesmo dia, o decreto nº 899/2026 impôs sanções a 29 cidadãos russos e 29 empresas registradas na Rússia ligadas à corporação estatal Rostec, incluindo 'Interprofavia', 'Kalashnikov-GSN', 'Triada-Tactika, competências, equipamentos' e 'Shvabe-Media'. O decreto nº 900/2026 sancionou por dez anos 20 embarcações da frota fantasma russa que navegam sob bandeiras de Libéria, Palau, Serra Leoa, Barbados e Ilhas Marshall e transportam petróleo, derivados e gás liquefeito da Rússia para Índia, Egito e Turquia. A Ucrânia pretende compartilhar as informações com parceiros para sincronizar sanções em jurisdições internacionais.

O que dizem as fontes ucranianas

A cobertura ucraniana apresenta o pacote como uma decisão coordenada que soma sanções pessoais contra Mendel e propagandistas russos a medidas contra o complexo industrial de defesa e a frota fantasma. As matérias destacam as respostas oficiais — Gabinete da Presidência, Centro de Contradesinformação e o conselheiro presidencial Dmytro Lytvyn — que classificam as declarações de Mendel como não sérias e alinhadas à propaganda russa. Alguns veículos dão destaque à fala prevista de Mendel em 16 de setembro no Parlamento Europeu, em evento organizado pelo partido alemão AfD, como contexto para a escolha do momento das sanções.

O que dizem as fontes internacionais

A única fonte em idioma estrangeiro disponível na metadata — uma agência de notícias do Azerbaijão em inglês — trata o caso de forma resumida como 'Zelensky sanciona ex-porta-voz Mendel', sem detalhes significativos sobre o pacote mais amplo, o conteúdo da entrevista a Carlson nem o enquadramento de propaganda. Não há outras fontes internacionais no material, o que limita a comparação de enquadramentos.

Onde as versões divergem

As fontes divergem sobre a data em que Mendel deixou o cargo de porta-voz presidencial: uma indica cerca de 30 de abril de 2021, mencionando que algumas fontes apontam julho de 2021; outra registra 9 de julho de 2021 como data de saída.

Contexto

Yulia Mendel foi porta-voz de Zelensky de 3 de junho de 2019 até 9 de julho de 2021 e, antes disso, trabalhou em canais de TV ucranianos e colaborou com veículos internacionais. Em maio de 2026, deu entrevista ao podcaster americano Tucker Carlson na qual afirmou que Zelensky estaria disposto a entregar o Donbas à Rússia em 2022, acusou-o de lavagem de dinheiro e uso de drogas em clubes e descreveu o ex-chefe do Gabinete da Presidência Andriy Yermak como 'a pessoa mais perigosa no poder'. O Centro de Contradesinformação da Ucrânia afirmou que a entrevista continha teses alinhadas a narrativas-chave da propaganda russa. Em agosto de 2026, Mendel deu entrevista ao semanário francês Le Journal du Dimanche, na qual chamou Zelensky de 'principal beneficiário da guerra', acusou-o de autoritarismo e criticou o processo de mobilização na Ucrânia.