Na Ternopil, comissão médica vendeu cerca de mil atestados falsos para escapar da mobilização
A polícia da região de Ternopil, na Ucrânia, desarticulou um esquema que durante 2024–2026 emitiu aproximadamente mil conclusões médicas falsas para ajudar homens a obter adiamento da mobilização. O esquema, organizado pelo chefe da comissão consultiva médica (LKK) de um hospital distrital, cobrava entre US$ 6 mil e US$ 12 mil por documento. Quatro médicos e dois intermediários foram notificados como suspeitos.
Pontos principais
- Esquema operado durante 2024–2026 pela comissão consultiva médica (LKK) de um hospital distrital na região de Ternopil.
- Preço por documento falso: entre US$ 6 mil e US$ 12 mil.
- Cerca de mil conclusões falsas emitidas em três anos, alegando necessidade de cuidados permanentes para parentes de homens em idade militar.
- Quatro médicos notificados como suspeitos por obstrução às atividades das Forças Armadas e falsidade ideológica; o chefe da LKK também responde por facilitar a travessia ilegal da fronteira.
- Um intermediário foi notificado in absentia por tráfico de influência; o outro já teve medida cautelar definida pela Justiça.
- Buscas em residências e locais de trabalho apreenderam prontuários, celulares e outros materiais.
- Investigação apura possível envolvimento de outros funcionários do hospital e de instituições estatais.
Por que importa
O caso expõe uma fraude em escala institucional: a composição inteira da comissão médica de um hospital distrital é apontada como participante, e não médicos isolados. Em aproximadamente dois anos, cerca de mil homens podem ter obtido adiamento da mobilização com base em documentos falsos, enquanto a Ucrânia depende do recrutamento para sustentar a defesa contra a invasão russa. As acusações incluem ainda o auxílio à saída ilegal de conscritos do país, mostrando que o esquema ia além da papelada. Os valores de US$ 6 mil a US$ 12 mil por atestado indicam uma operação comercial relevante.
O que aconteceu
A polícia da região de Ternopil desarticulou uma comissão consultiva médica (LKK, na sigla em ucraniano) acusada de produzir em massa conclusões falsas de saúde para ajudar homens a obter adiamento da mobilização. O esquema foi organizado pelo chefe da LKK de um hospital distrital, com a participação de outros três membros da comissão e dois intermediários que recrutavam "clientes" entre conhecidos. Entre 2024 e 2026, os médicos registraram informações falsas sobre a saúde de parentes de homens em idade militar e a suposta necessidade de cuidados permanentes por terceiros, e os documentos eram usados para conseguir o benefício. Cada conjunto de documentos custava entre US$ 6 mil e US$ 12 mil; no total, foram emitidas cerca de mil conclusões ao longo de três anos. Buscas em residências e locais de trabalho apreenderam prontuários médicos, celulares e outros materiais. Quatro médicos foram notificados como suspeitos pelos crimes de obstrução às atividades legítimas das Forças Armadas da Ucrânia e falsidade ideológica cometidos em concurso prévio por grupo (art. 114-1, §1º; art. 28, §2º; art. 366, §1º, do Código Penal da Ucrânia). O chefe da LKK responde também por facilitar o transporte ilegal de conscritos pela fronteira do Estado (art. 332, §2º). Um intermediário foi notificado por obstrução (art. 114-1, §1º); o outro foi notificado in absentia por tráfico de influência (art. 369-2, §3º). A Justiça já definiu medidas cautelares para os quatro médicos e para um dos intermediários. A informação foi publicada pela Procuradoria-Geral em 17 de setembro.
Contexto
As comissões consultivas médicas (LKK) da Ucrânia emitem conclusões que podem qualificar homens para o recrutamento, inclusive com base na alegada necessidade de cuidar de parentes doentes. A obstrução às atividades legítimas das Forças Armadas da Ucrânia (artigo 114-1 do Código Penal) é um crime criado no contexto da guerra e prevê penas elevadas.