Promotores ucranianos denunciam cinco chefes de centros de recrutamento por 857 mobilizações falsas
Promotores ucranianos anunciaram, em 25 de setembro de 2026, suspeitas contra chefes atuais e ex-chefes de centros de recrutamento distritais nas regiões da Transcarpátia e Chernivtsi por inserirem pelo menos 857 mobilizações falsas no registro "Oberih" entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. As fraudes envolviam cidadãos que não se apresentaram aos centros, militares em serviço e até pessoas inexistentes. Dois ex-chefes de Chernivtsi já tiveram suas denúncias enviadas ao tribunal, e medidas cautelares foram aplicadas a três suspeitos.
Pontos principais
- Ao menos 857 mobilizações falsas inseridas no registro "Oberih" entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026
- Casos incluem cidadãos que não se apresentaram aos centros, militares em serviço e pessoas inexistentes
- Na Transcarpátia foram documentados 54 casos de mobilização fictícia
- Em Chernivtsi foram identificados 803 casos de convocação falsa; um coronel inseriu 631 pessoas inexistentes
- Outros dois ex-chefes de Chernivtsi registraram 99 e 73 pessoas como mobilizadas e enviaram os documentos a unidades militares
- Denúncias contra dois ex-chefes de Chernivtsi já foram enviadas ao tribunal; cautelares foram aplicadas a três suspeitos
- Ações dos suspeitos são classificadas nos artigos 362 e 366 do Código Penal da Ucrânia
Por que importa
O caso revela manipulação sistêmica de registros de mobilização por parte de autoridades de duas regiões do oeste da Ucrânia, o que mina a integridade do recrutamento militar em um momento em que o país enfrenta dificuldade para alcançar as metas mensais de mobilização. As 857 inscrições falsas — incluindo pessoas inexistentes e soldados em serviço — poderiam ter sido usadas para inflar estatísticas de mobilização e desviar recrutas reais das unidades da linha de frente. Ao mesmo tempo, a ação mostra que a aplicação da lei ucraniana está investigando e responsabilizando autoridades de recrutamento.
O que aconteceu
O Escritório do Procurador-Geral da Ucrânia anunciou, na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, que promotores notificaram suspeitos a chefes atuais e ex-chefes de centros de recrutamento distritais (RTsKK) na Transcarpátia e em Chernivtsi. Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, esses funcionários inseriram no registro "Oberih" dados de pelo menos 857 pessoas mobilizadas de forma fictícia — entre elas cidadãos que nunca se apresentaram aos centros, militares em serviço ativo e até pessoas inexistentes. Na Transcarpátia, investigadores documentaram 54 casos: o chefe distrital registrou dados de 8 cidadãos que não foram efetivamente mobilizados, enquanto um ex-chefe interino de outro centro inseriu 46 registros falsos. Em Chernivtsi, foram identificados 803 casos: um coronel registrou 631 pessoas inexistentes, e outros dois ex-chefes registraram 99 e 73 pessoas, respectivamente, enviando os documentos a unidades militares. As ações foram qualificadas nos artigos 362 e 366 do Código Penal da Ucrânia, e a investigação preliminar está sendo conduzida por investigadores da polícia e do SBU. A promotoria já encaminhou ao tribunal as denúncias contra dois ex-chefes de Chernivtsi; o tribunal impôs medidas cautelares a três suspeitos, e os promotores solicitaram cautela para o suspeito da Transcarpátia.
Contexto
O caso ocorre em meio à pressão sobre o sistema de mobilização ucraniano. Em 28 de agosto, o chefe do Escritório do Presidente, Kyrylo Budanov, afirmou que a manutenção do efetivo atual das Forças de Defesa exige a mobilização de pelo menos 30 mil cidadãos por mês. No dia seguinte, 29 de agosto, o vice-chefe do Escritório do Presidente, Pavlo Palisa, declarou que não há planos de reduzir o limite superior de idade para 55 anos. Um dos suspeitos da Transcarpátia já havia recebido anteriormente uma notificação de suspeita pelo crime de privação ilegal de liberdade de homens em idade militar; ele havia sido liberado mediante fiança e, no momento dos fatos descritos, servia em uma unidade de combate no leste do país.