Rubio diz que não há cessar-fogo energético entre Ucrânia e Rússia, mas aponta interesse mútuo em acordo limitado
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou em entrevista à rádio WABC que atualmente não existe acordo de cessar-fogo energético entre Ucrânia e Rússia, mas disse que ambas as partes manifestaram interesse em uma trégua limitada envolvendo energia e grãos. Rubio também declarou que a guerra não terminará com uma vitória militar decisiva de nenhum dos lados, mas sim por meio de um acordo negociado, e que o presidente Donald Trump está pronto para continuar buscando oportunidades de mediar as diferenças entre Kiev e Moscou. As declarações ocorrem após o encontro entre Zelensky e Trump em 22 de setembro, na Assembleia Geral da ONU, no qual o tema do cessar-fogo energético esteve entre os principais pontos da conversa.
Pontos principais
- Rubio afirmou que não há acordo de cessar-fogo energético entre Ucrânia e Rússia.
- O secretário de Estado disse que a guerra terminará por meio de negociação, e não de vitória militar decisiva.
- Ele declarou que ambos os países manifestaram interesse em um cessar-fogo limitado envolvendo energia e grãos.
- Rubio disse que Trump está pronto para continuar mediando as diferenças entre Kiev e Moscou quando houver oportunidade.
- Em 22 de setembro, Zelensky e Trump se reuniram em Nova York, na Assembleia Geral da ONU; cessar-fogo energético foi um dos temas principais.
- Zelensky afirmou que os EUA não exigiram que a Ucrânia parasse unilateralmente os ataques a instalações energéticas russas.
- Delegações dos dois países foram lideradas por Rubio, Bessent, Witkoff e Kushner (EUA) e Budanov, Umerov, Sybiha, Arakhamia e Palisa (Ucrânia).
Por que importa
As declarações de Rubio sintetizam a posição diplomática atual dos EUA sobre as perspectivas de encerramento da guerra Rússia-Ucrânia, afastando-se da ideia de solução militar definitiva e reforçando a expectativa de um acordo negociado. O reconhecimento de que ambas as partes têm interesse em um cessar-fogo limitado, mesmo sem acordo firmado, abre caminho para continuidade da mediação americana. As falas ocorrem em meio à intensificação dos ataques russos à infraestrutura energética ucraniana antes do inverno, o que eleva a urgência humanitária do tema.
O que aconteceu
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou em entrevista à rádio WABC — citada pelo site do Departamento de Estado americano — que não existe atualmente um acordo de cessar-fogo energético entre Ucrânia e Rússia, mas que ambas as partes manifestaram interesse em uma trégua limitada envolvendo energia e grãos. Segundo Rubio, esse tipo de cessar-fogo limitado foi pauta de todas as conversas que Washington manteve com os dois lados, e os EUA estão dispostos a desempenhar um papel construtivo em sua implementação, embora ele próprio tenha reconhecido que isso não encerrará a guerra, podendo, contudo, servir como base para um entendimento mais abrangente. Rubio também afirmou que o conflito não terminará com uma vitória militar decisiva de nenhum dos lados, mas sim por meio de um acordo negociado, observando que quanto antes isso ocorrer, menos vidas serão perdidas. Ele destacou que o presidente Donald Trump está pronto para continuar aproveitando oportunidades que ajudem a reduzir as diferenças entre Kiev e Moscou. Rubio também conversou com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, na Assembleia Geral da ONU. No dia anterior, 22 de setembro, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky se reuniu com Trump em Nova York, às margens da Assembleia Geral, com o cessar-fogo energético entre os temas principais. Zelensky afirmou que os EUA não exigiram que a Ucrânia parasse unilateralmente os ataques a instalações energéticas russas e disse que a Ucrânia está pronta para qualquer formato de cessar-fogo energético, com a contrapartida de que os EUA transmitiriam as considerações ucranianas aos russos. As negociações foram conduzidas por delegações amplas: pelos EUA, Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner; pela Ucrânia, o chefe do Gabinete da Presidência Kyrylo Budanov, o chefe do Serviço de Inteligência Exterior Rustem Umerov, o ministro das Relações Exteriores Andriy Sybiha, o chefe da facção Servidor do Povo Davyd Arakhamia e o vice-chefe do Gabinete da Presidência Pavlo Palisa.
O que dizem as fontes ucranianas
A cobertura ucraniana destaca a formulação de Rubio de que ainda não há cessar-fogo energético, mas sublinha sua declaração de que ambas as partes manifestaram interesse como base para a continuidade da mediação americana. As matérias dão grande relevo ao encontro de 22 de setembro entre Zelensky e Trump na Assembleia Geral da ONU, apresentando-o como "positivo" e "produtivo" e enfatizando a disposição ucraniana para qualquer formato de cessar-fogo energético. Os veículos ucranianos sublinham que Zelensky afirmou que os EUA não exigiram que a Ucrânia parasse unilateralmente os ataques a instalações energéticas russas, enquadrando isso como um resultado diplomático de Kiev. A imprensa também destaca o pedido de Zelensky para que o líder chinês Xi Jinping seja envolvido nas negociações, por considerar que ele "tem influência sobre Putin".
Onde as versões divergem
Há divergências relevantes na narrativa entre os próprios atores americanos: em 14 de setembro, Trump afirmou que Ucrânia e Rússia haviam concordado em não atacar instalações energéticas uma da outra; dias depois, Rubio declarou que atualmente não existe acordo de cessar-fogo energético entre os dois países — uma tensão não resolvida entre as duas versões vindas dos EUA. Do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, inicialmente descartou um cessar-fogo energético, classificando a energia como o "calcanhar de Aquiles" da Ucrânia, e poucos dias depois chamou a ideia de cessar-fogo energético de "uma ideia muito boa", criando uma aparente contradição no posicionamento declarado de Moscou. Rubio também reconheceu que tanto a Rússia quanto a Ucrânia designaram ataques à infraestrutura energética uma da outra como objetivo militar estratégico, o que dificulta um cessar-fogo do tipo — uma tensão com seu próprio enquadramento de que ambos os lados manifestaram interesse em uma trégua limitada.
Contexto
As discussões sobre cessar-fogo energético se intensificaram nas semanas que antecederam o inverno e em meio à escalada de ataques russos contra a infraestrutura energética civil da Ucrânia. Em 13 de setembro, Trump pediu publicamente a Zelensky que parasse os ataques ucranianos a instalações de diesel na Rússia. No dia seguinte, Trump afirmou que Ucrânia e Rússia haviam concordado em não atacar as instalações energéticas uma da outra; no mesmo dia, Zelensky afirmou que Kiev estava pronta para uma cessação mútua de ataques à infraestrutura crítica, desde que parceiros pudessem garantir o cumprimento por parte da Rússia. Em 15 de setembro, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou uma possível trégua energética como "uma ideia muito boa", após ter descartado a ideia dias antes. Os enviados especiais americanos Steve Witkoff e Jared Kushner visitaram Kiev e Moscou no início de setembro para conversas que incluíram o tema do cessar-fogo. No encontro de 22 de setembro em Nova York, Zelensky enfatizou a conveniência de envolver o líder chinês Xi Jinping nas negociações, afirmando que ele "tem influência sobre Putin".