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Ucrânia confirma Operação Vivaldi e anuncia liberação de 125 km² no norte de Donetsk

A Operação Vivaldi, ofensiva conduzida pelo 3º Corpo de Exército da Ucrânia sob o comando de Andriy Biletsky, foi publicamente confirmada em 15 de setembro após meses de sigilo operacional. Realizada desde maio de 2025 em modo de silêncio informativo, a operação resultou na libertação de 125 km² no norte da região de Donetsk, incluindo povoados como Novoselivka, Drobysheve, Derylove e Shandryholove. O Ministério da Defesa russo alegou, em 22 de setembro, ter cercado Dobropillia, mas o ISW e analistas ucranianos refutaram a afirmação por falta de evidências.

Pontos principais

  • Operação Vivaldi foi uma ofensiva do 3º Corpo de Exército da Ucrânia no norte da região de Donetsk, perto de Lyman, conduzida sob sigilo operacional desde maio de 2025.
  • O comandante Andriy Biletsky confirmou publicamente a operação em 15 de setembro; em 20 de setembro anunciou a libertação de Shandryholove, Derylove e o controle de Drobysheve.
  • Ao todo, a operação devolveu 125 km² de território, dos quais 50 km² foram totalmente liberados.
  • As perdas russas relatadas somaram cerca de 1.500 soldados após a primeira fase, subindo para aproximadamente 3.000 ao final da segunda fase, além de mais de 12.000 drones.
  • O 3º Corpo afirmou ter removido a unidade de elite russa de drones Rubikon da direção Lyman-Borova em 18 de setembro.
  • O 3º Corpo reportou em 24 de setembro ter sido a primeira unidade militar do mundo a usar комплексes robóticos terrestres (NRK) para desminagem e apoio a assaltos.
  • O Ministério da Defesa da Rússia alegou em 22 de setembro ter cercado Dobropillia, mas não apresentou mapas nem provas; o ISW e a DeepState contestaram a afirmação.

Por que importa

A Operação Vivaldi está sendo tratada pela mídia ucraniana como uma das ofensivas de maior sucesso das Forças Armadas da Ucrânia em 2025/2026, devolvendo 125 km² de território (50 km² totalmente liberados) no norte da região de Donetsk. Conduzida sob rigoroso sigilo operacional, a operação surpreendeu o Estado-Maior russo e Vladimir Putin, que ainda em 1º de setembro afirmavam ter 'tomado' Sviatohirsk. Segundo o ISW, Vivaldi frustrou as tentativas russas de cercar o 'cinturão de cidades-fortaleza' da Ucrânia no Donbas e deteve a ofensiva da chamada 'garra norte'. A operação também marcou o primeiro uso conhecido de комплексes robóticos terrestres em desminagem e apoio a assaltos, além de ter forçado a retirada da unidade de elite Rubikon do setor. Em conjunto com uma operação paralela do 1º Corpo 'Azov' da Guarda Nacional, que frustrou uma tentativa russa de avançar sobre rotas logísticas rumo a Druzhkivka e Dobropillia, o conjunto das ações reconfigurou o front no Donbas.

O que aconteceu

A Operação Vivaldi foi conduzida pelo 3º Corpo de Exército da Ucrânia no norte da região de Donetsk, perto de Lyman, desde maio de 2025, sob regime de sigilo operacional (OPSEC). O 3º Corpo pediu a analistas de OSINT ocidentais, incluindo @moklasen e o cartógrafo francês Clément Molin, que parassem de publicar geolocalizações das avançadas ucranianas; os analistas concordaram. A operação se tornou pública em 15 de setembro, quando o comandante Andriy Biletsky confirmou a ofensiva. Naquela data, números oficiais indicavam 75 km² de território limpados e 10 km² totalmente liberados. Em 20 de setembro, Biletsky anunciou a libertação de Shandryholove, Derylove e o controle de Drobysheve, acrescentando 40 km² ao saldo. Ao todo, segundo a DeepState e a Texty.org.ua, 125 km² foram devolvidos, com 50 km² totalmente liberados. Entre os povoados libertos estão Novoselivka, Oleksandrivka, Yarova, arredores de Korovii Yar, Serednie (fase 1) e Drobysheve, Derylove e Shandryholove (fase 2). Perdas russas foram estimadas em cerca de 1.500 soldados após a primeira fase, chegando a aproximadamente 3.000 ao final, com mais de 12.000 drones e centenas de blindados e peças de artilharia reportados como destruídos. Em 18 de setembro, o 3º Corpo informou a retirada do Lyman-Borova da unidade russa de elite de drones Rubikon. Em 24 de setembro, o 3º Corpo afirmou ter sido a primeira unidade militar do mundo a empregar комплексes robóticos terrestres (NRK) para desminagem e apoio a assaltos, abrindo 30 km de rotas em duas noites na área de Shandryholove. Em 22 de setembro, o Ministério da Defesa russo afirmou ter cercado Dobropillia e avançado em direção a Oleksandrivka, sem apresentar mapas nem provas; o ISW e a DeepState refutaram a alegação. Analistas da DeepState também registraram avanço russo perto de Kupiansk, na direção de Dobropillia e no setor de Kramatorsk, onde pequenos grupos de infantaria russos tomaram o povoado de Markove.

Onde as versões divergem

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou em 22 de setembro que unidades do agrupamento 'Centro' haviam cercado Dobropillia e avançavam em direção a Oleksandrivka, sem apresentar mapas ou outras provas. O Institute for the Study of War (ISW) refutou essa alegação por falta de evidências, e analistas da DeepState informaram que as forças ucranianas haviam limpado territórios próximos a Toretske na direção de Dobropillia, contradizendo a versão russa de um cerco.

Contexto

A avançada ucraniana na direção de Lyman vinha ocorrendo desde maio de 2025, mas permaneceu fora do noticiário público até 15 de setembro de 2025, quando o comandante do 3º Corpo de Exército, Andriy Biletsky, confirmou a ofensiva e a batizou de Operação Vivaldi. Nos meses anteriores, o 3º Corpo passou mais de meio ano estabilizando o front de Borova a Lyman, reestruturando comando, pessoal, reconhecimento, drones e logística. No início da Vivaldi, o 3º Corpo pediu a analistas ocidentais de OSINT (@moklasen e Clément Molin) que parassem de publicar geolocalizações; os analistas aceitaram. O cartógrafo francês Clément Molin foi o primeiro a notar indícios de combates na saliência de Lyman por imagens de satélite no fim de maio. Milbloggers russos como Rybar e Anatoliy Radov costumam republishar conteúdo de OSINT ocidental, e essa dinâmica teria contribuído para o comando russo não perceber o avanço. Em 1º de setembro de 2025, a Rússia afirmou publicamente ter 'tomado' Sviatohirsk, enquanto seu Estado-Maior e Vladimir Putin ainda não teriam conhecimento da operação perto de Lyman. Após ser detida ao norte de Lyman, a Rússia redistribuiu parte das tropas para o sul da cidade e passou a pressionar Mykolaivka, descrita pelo analista da DeepState Roman Pohorily como posição-chave antes de Sloviansk.