Exportação marítima de petróleo russo alcança receita recorde de US$ 2,75 bilhões
A receita semanal da exportação marítima de petróleo da Rússia chegou a US$ 2,75 bilhões na semana até 27 de setembro — valor mais alto desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia. O aumento é puxado por volumes maiores e pela alta nos preços do Urals e do ESPO, parcialmente atribuída à crise no Oriente Médio e aos ataques de drones ucranianos a refinarias russas.
Pontos principais
- Receita semanal de US$ 2,75 bilhões é recorde desde fevereiro de 2022
- 37 navios-tanque embarcaram 27,9 milhões de barris na semana até 27 de setembro
- Preços médios do Urals e do ESPO atingem máxima em mais de três meses
- China e Índia seguem como maiores compradores do petróleo russo
- Ucrânia teria tirado de operação cerca de um quinto da capacidade de refino primário da Rússia
- Rússia prorroga proibição de exportar diesel até o fim de outubro
- Rússia elevou previsão de exportação de petróleo bruto para 2026 em cerca de 150 mil barris/dia
Por que importa
O recorde semanal reforça as finanças de guerra da Rússia e mostra que Moscou ainda consegue monetizar sua produção de petróleo em meio a sanções. Ao mesmo tempo, o salto depende de fatores externos — como a interrupção do oleoduto saudita East-West e a redução da oferta global — e é parcialmente neutralizado dentro da Rússia pela proibição de exportar diesel, que reflete a perda de capacidade de refino após os ataques ucranianos.
O que aconteceu
Na semana até 27 de setembro, a Rússia arrecadou US$ 2,75 bilhões com a exportação marítima de petróleo — a maior receita semanal já registrada desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Segundo os dados, 37 navios-tanque embarcaram 27,9 milhões de barris de petróleo russo, contra 32 navios e 24,99 milhões de barris na semana anterior. A receita semanal subiu cerca de US$ 180 milhões, com volumes maiores compensando recuos nos preços do Urals; a média das últimas quatro semanas atingiu US$ 2,39 bilhões, alta de US$ 290 milhões no período. Os preços médios do Urals e do ESPO chegaram ao maior patamar em mais de três meses. A alta está sendo связа, em parte, ao fato de a Arábia Saudita estar re reparando o oleoduto East-West, atingido por drones em setembro, o que reduziu suas exportações. A China e a Índia seguem como principais destinos, com fluxos para compradores asiáticos e cargas sem destino final declarado subindo para 3,61 milhões de barris por dia, ante 3,4 milhões na semana anterior. As exportações para o Mediterrâneo caíram para cerca de 100 mil barris por dia, o menor nível desde o início da guerra. Ao mesmo tempo, ataques de drones ucranianos teriam tirado de operação cerca de um quinto da capacidade de refino primário da Rússia, levando Moscou a prorrogar até o fim de outubro a proibição de exportar diesel. A Rússia elevou em cerca de 150 mil barris/dia sua previsão de exportação de petróleo bruto para 2026 e reduziu em aproximadamente 500 mil barris/dia a projeção de embarques de derivados.
O que dizem as fontes ucranianas
A cobertura dos veículos ucranianos destaca que o salto de receita está diretamente ligado aos ataques às refinarias russas, que reorganizaram a mistura de exportações de Moscou. Os relatos sublinham que parte significativa da capacidade de refino primário da Rússia foi desativada pelos ataques e que a proibição de exportar diesel atenua os ganhos do Kremlin. As matérias também apontam que, em agosto, Moscou chegou a perder cerca de US$ 400 milhões por semana por dificuldades com embarques marítimos, o que reforça a leitura de que o recorde atual é frágil.
Contexto
Em agosto, Moscou perdia até US$ 400 milhões por semana por causa de problemas com embarques marítimos. O oleoduto saudita East-West, atacado por drones em setembro, normalmente movimenta cerca de 7 milhões de barris por dia contornando o Estreito de Ormuz. China e Índia seguem como maiores compradores de petróleo russo. As refinarias russas recebem compensação estatal via mecanismo de amortecimento (damper) enquanto vigoram restrições à exportação de diesel até o fim de outubro. A Rússia elevou em cerca de 150 mil barris/dia sua previsão de exportação de petróleo bruto para 2026 e reduziu em aproximadamente 500 mil barris/dia a previsão de embarques de derivados.