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Zelenskyy diz que Ucrânia vai intensificar ataques a refinarias russas e anuncia míssil FP-9 para o outono

Em entrevista à Reuters publicada em 3 de outubro de 2026, o presidente Volodymyr Zelenskyy afirmou que a Ucrânia vai intensificar os ataques a refinarias de petróleo russas em resposta à nova campanha aérea de Moscou, cujo objetivo, segundo ele, é forçar a população a deixar Kiev e outras cidades. Zelenskyy citou documentos interceptados que indicariam a aprovação por Vladimir Putin de uma "nova doutrina" ampliando a lista de alvos civis antes do inverno, incluindo infraestrutura, escolas e hospitais. Ao mesmo tempo, anunciou que o míssil balístico doméstico FP-9, capaz de chegar a Moscou segundo o fabricante, ficará pronto ainda neste outono, dias após o primeiro uso em combate do FP-7, com alcance de cerca de 250 km. Zelenskyy também disse estar pronto para se encontrar com Putin na cúpula do G20 em Miami, em dezembro, e pediu aos Estados Unidos que não normalizem relações com Moscou antes da paz.

Pontos principais

  • Zelenskyy disse à Reuters que a Ucrânia vai intensificar ataques a refinarias russas em resposta à nova campanha aérea russa.
  • Ele citou documentos da inteligência ucraniana apontando uma "nova doutrina" de Putin que amplia alvos civis (infraestrutura, estradas, escolas, hospitais) antes do inverno.
  • Ucrânia usou pela primeira vez em combate, nesta semana, o míssil balístico doméstico FP-7, com alcance de cerca de 250 km.
  • O míssil FP-9, produzido pela Fire Point e capaz de chegar a Moscou, ficará pronto neste outono, segundo Zelenskyy.
  • Na última semana, Moscou atacou Kiev com drones e mísseis e, pela primeira vez, atingiu pontes sobre o Rio Dnipro que ligam as duas margens da capital.
  • Zelenskyy afirmou estar pronto para se reunir com Putin na cúpula do G20 em Miami, em dezembro, mas pediu aos EUA que não normalizem relações com a Rússia antes da paz.
  • Zelenskyy alertou que os ataques russos no inverno devem se concentrar em Kiev, Kharkiv, Odesa e Lviv.

Por que importa

A entrevista marca uma escalada retórica e operacional da Ucrânia: pela primeira vez, Zelenskyy condiciona abertamente a defesa do país a ataques sustentados contra a infraestrutura energética russa, que, segundo ele, financia a guerra. O anúncio de que o FP-9 ficará pronto no outono, somado ao primeiro uso em combate do FP-7, indica uma ampliação mensurável da capacidade de ataque de longo alcance da Ucrânia. Ao mesmo tempo, o presidente ucraniano abre a porta para um encontro com Putin no G20 de Miami, em dezembro, mas vincula qualquer aproximação diplomática dos EUA com Moscou ao fim da guerra — um sinal claro para Washington de que concessões unilaterais são vistas como contraproducentes.

O que aconteceu

Em entrevista à Reuters divulgada em 3 de outubro de 2026, o presidente Volodymyr Zelenskyy afirmou que a Ucrânia vai intensificar os ataques a refinarias de petróleo russas em resposta à nova campanha aérea russa, cujo objetivo, segundo ele, é forçar civis a deixar Kiev e outras cidades. Zelenskyy disse que a inteligência ucraniana obteve documentos indicando que Vladimir Putin aprovou uma "nova doutrina" ampliando a lista de alvos civis antes do inverno, incluindo infraestrutura, logística, estradas, escolas e hospitais. Ele justificou a mudança de tática russa pelo desejo de Putin de parecer forte enquanto suas tropas perdem posições na frente do Donbas e sofrem perdas significativas.

Zelenskyy também anunciou que o míssil balístico doméstico FP-9, produzido pela empresa Fire Point e capaz, segundo o fabricante, de alcançar Moscou, ficará pronto neste outono. O anúncio veio poucos dias após o primeiro uso em combate do FP-7, míssil com alcance de cerca de 250 km, velocidade máxima de 1.500 m/s e ogiva de 150 kg. Zelenskyy disse ter ligado pessoalmente para a Fire Point para pressionar pela conclusão do FP-9.

Sobre o front, Zelenskyy afirmou que a operação contra-ofensiva "Vivaldi" reconquistou cerca de 140 km² no leste do Donbas e que caças F-16 e MiG derrubam atualmente cerca de 60% dos drones "Shahed" de propulsão a jato, embora os estoques de munição de 20 mm estejam baixos. A Ucrânia testa cinco modelos de novos interceptores — dois deles com cerca de 30% de eficácia — e espera receber, na segunda quinzena de outubro, uma primeira leva de mísseis antiaéreos baratos contra os novos Shaheds.

No campo diplomático, Zelenskyy afirmou estar pronto para se encontrar com Putin na cúpula do G20 em Miami, em dezembro, mas reiterou que não vê sinais de que o líder russo esteja interessado em negociações de paz. Pediu aos Estados Unidos que não normalizem relações com Moscou antes do restabelecimento da paz e alertou contra a "ilusão" de que a Rússia pararia de lutar caso recebesse o controle do oblast de Donetsk. Alertou ainda que os ataques russos no inverno devem se concentrar em Kiev, Kharkiv, Odesa e Lviv, e que Putin tentará maximizar a escalada antes das eleições de meio de mandato nos EUA.

O Kremlin não comentou as declarações à Reuters, enquanto o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, em comunicado convocando estrangeiros a deixar Kiev, enquadrou os ataques sistemáticos como resposta a ações ucranianas em território russo nos últimos meses.

O que dizem as fontes ucranianas

A cobertura ucraniana tende a destacar, em primeiro plano, o anúncio de Zelenskyy sobre o aprofundamento dos ataques às refinarias russas como resposta ao "terror aéreo" de Moscou, frequentemente associando a nova campanha russa a uma "nova doutrina" de Putin. Vários títulos destacam ainda o míssil FP-9 — capaz, segundo o fabricante, de alcançar Moscou — como peça central da narrativa, com forte ênfase no cronograma de outono. As matérias costumam sublinhar a declaração de Zelenskyy de que a Ucrânia não vai replicar os ataques indiscriminados contra alvos civis, apresentando a conduta ucraniana como distinta da russa. Também ganha destaque o alerta a Washington para que não se "brinque com concessões a Putin".

O que dizem as fontes internacionais

A cobertura internacional de língua inglesa, aqui representada pela agência azerbaijana APA retransmitindo a Reuters, foca de forma mais restrita a resposta às refinarias e o contexto mais amplo da campanha aérea, dedicando relativamente menos peso ao míssil FP-9 do que os títulos ucranianos. Enquadra a entrevista dentro do eixo diplomático — o convite a Putin para o G20 de Miami em dezembro e a disposição de Zelenskyy em se reunir com ele — ao lado do pedido para que os EUA não normalizem relações com Moscou.

Onde as versões divergem

Há divergência entre fontes ucranianas sobre o prazo do programa de mísseis balísticos: Zelenskyy disse que o FP-9 ficará pronto neste outono, enquanto o ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov afirmou, em agosto, que a Ucrânia só lançaria um míssil balístico contra a Rússia até o final de 2026. Também há divergência de enquadramento causal da mudança de tática russa: Zelenskyy a atribui ao desejo de Putin de parecer forte em meio a perdas no Donbas; o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, por sua vez, enquadra os ataques sistemáticos como resposta a ações ucranianas em território russo. Por fim, há inconsistência ortográfica no nome atribuído ao primeiro-ministro da Ucrânia nas fontes: "Serhiy Koretskyy", "Serhiy Koreyky" e outras variantes, referindo-se aparentemente ao mesmo autor.

Contexto

Nos dias que antecederam a entrevista, forças russas atacaram Kiev de forma quase contínua com drones e mísseis, atingindo infraestrutura energética, de telecomunicações, rodoviária e ferroviária; pela primeira vez, pontes sobre o Rio Dnipro que ligam as duas margens da capital foram atingidas. Segundo Zelenskyy, a Rússia acumulou centenas de mísseis balísticos para uma campanha de inverno contra alvos energéticos e de abastecimento de água. Caças F-16 e MiG derrubam cerca de 60% dos novos drones Shahed de propulsão a jato, mas os estoques de munição de 20 mm estão baixos. A Ucrânia está testando cinco modelos de novos interceptores — dois deles com cerca de 30% de eficácia — e espera, na segunda quinzena de outubro, uma primeira leva de mísseis antiaéreos baratos contra os novos Shaheds. A operação contra-ofensiva "Vivaldi" reconquistou cerca de 140 km² no leste do Donbas. Após conversas com parceiros europeus, a Ucrânia garantiu financiamento para a compra de drones até o início de 2027 e trabalha, com parceiros, em um plano para cobrir um déficit orçamentário de defesa de US$ 27 bilhões, incluindo redistribuição de recursos do orçamento interno, ajuda bilateral e a próxima tranche de um empréstimo da UE de € 90 bilhões. O Kremlin não comentou as declarações à Reuters; o Ministério das Relações Exteriores russo conclamou estrangeiros a deixar Kiev. A administração Trump convidou Putin para a cúpula do G20 em Miami, em dezembro, e discutiu negócios com representantes russos. Em junho, o designer-chefe da Fire Point, Denys Shtilerman, disse que a Ucrânia em breve poderia atingir Moscou com o FP-9; em agosto, o ex-ministro Mykhailo Fedorov projetou um prazo mais cauteloso, até o fim de 2026.