Rússia ataca Kiev com drones e mísseis balísticos; Zelensky conversa com Macron durante ataque
Em 10 de outubro, a Rússia lançou um ataque combinado com drones a jato e mísseis balísticos contra Kiev e a região de Kiev, atingindo prédios residenciais e comerciais, danificando instalações de energia e deixando partes da capital e da região sem eletricidade e água. O prefeito Vitaliy Klitschko pediu à população que permanecesse em abrigos enquanto explosões eram ouvidas na cidade. O presidente Volodymyr Zelensky conversou por telefone com o presidente francês Emmanuel Macron durante o ataque, afirmou que a necessidade de pacotes adicionais de defesa antiaérea é óbvia e vinculou a ofensiva russa à autorização dos EUA para a exportação de produtos petrolíferos russos.
Pontos principais
- Em 10 de outubro, a Rússia atacou Kiev com drones reativos e mísseis balísticos; pelo menos duas explosões foram ouvidas na cidade.
- No distrito de Solomiansky, destroços de drones caíram sobre um prédio residencial de 25 andares e um prédio comercial de 8 andares.
- No distrito de Obolon, um míssil atingiu um restaurante, causando incêndio; pelo menos sete pessoas ficaram feridas, cinco hospitalizadas (três em estado grave); outra contagem posterior registra oito feridos, incluindo uma adolescente de 15 anos hospitalizada.
- Instalações de energia na região de Kiev foram danificadas, provocando desligamentos emergenciais em Kiev e na oblast, interrupções no abastecimento de água e a paralisação temporária do metrô e do transporte elétrico.
- O tráfego do metrô foi retomado cerca de uma hora depois com intervalos amplos, voltando gradualmente ao cronograma de fim de semana de 6 minutos.
- A defesa antiaérea ucraniana abateu parte dos mísseis balísticos usados no ataque.
- Zelensky conversou com Macron por telefone durante o ataque, afirmou que a Ucrânia trabalha com parceiros em pacotes adicionais de defesa antiaérea e advertiu sobre risco elevado de novos ataques nos próximos dias.
Por que importa
O ataque atingiu infraestrutura civil em vários distritos de Kiev, ferindo ao menos sete pessoas — entre elas uma adolescente de 15 anos — e provocando incêndio em um restaurante. As strikes em instalações de energia na região de Kiev desencadearam desligamentos emergenciais em toda a capital, paralisaram o metrô e o transporte elétrico e interromperam o abastecimento de água. O uso combinado de drones a jato e mísseis balísticos em um único dia reflete a nova tática russa de ataques contínuos a subestações, e Zelensky aproveitou para reforçar o pedido por defesa antiaérea adicional junto a parceiros ocidentais.
O que aconteceu
Em 10 de outubro, a Rússia lançou um ataque combinado com drones a jato e mísseis balísticos contra Kiev e a região de Kiev. Na parte da manhã, antes da paralisação do metrô, Kiev já havia entrado em alerta amarelo de ameaça aérea por causa de drones. Destroços de drones caíram sobre um prédio residencial de 25 andares e um prédio comercial de 8 andares no distrito de Solomiansky, segundo o prefeito Vitaliy Klitschko. Horas depois, mísseis balísticos atingiram o distrito de Obolon, onde um deles acertou um restaurante, provocando grande incêndio; outro míssil deixou destroços no pátio de um prédio residencial. O número de feridos em Obolon subiu para sete (cinco hospitalizados, três em estado grave) e depois para oito, incluindo uma adolescente de 15 anos. A defesa antiaérea ucraniana abateu parte dos mísseis balísticos. Instalações de energia na região de Kiev foram danificadas, piorando o suprimento de energia da capital; DTEK e o Ministério da Energia informaram grandes apagões em Kiev e na oblast, com os chamados cronogramas de estabilização fora de vigor, e desligamentos emergenciais em Pivdenna Borshchahivka, Sviatoshynsky, Holosiivsky e no distrito de Bucha. Por causa da queda de tensão elétrica vinda de centros externos de alimentação, o metrô de Kiev suspendeu temporariamente a circulação de trens e os elevadores; cerca de uma hora depois, o serviço foi retomado em todas as linhas com intervalos amplos (12 a 15 minutos nas linhas vermelha e verde; mais de 15 minutos na linha azul, operada por regulação de despacho), voltando gradualmente ao intervalo de fim de semana de 6 minutos. O transporte elétrico (trólebus e bondes) também foi suspenso em Holosiivsky e em partes dos distritos de Solomiansky, Shevchenkivsky e Pechersky, sendo depois restabelecido. Houve ainda interrupções no abastecimento de água. Durante o ataque, o presidente Volodymyr Zelensky conversou por telefone com o presidente francês Emmanuel Macron, agradeceu o apoio da França e afirmou que Kiev trabalha com parceiros em pacotes adicionais de defesa antiaérea, além de advertir sobre a ameaça de novos ataques russos com mísseis nos próximos dias. Zelensky também vinculou o ataque à autorização dos EUA para a exportação de produtos petrolíferos russos, afirmando que cada bilhão adicional será usado para produção de armas. Os ataques ocorrem após dias seguidos de agressões a Kiev: em 9 de outubro já havia desligamentos emergenciais, transporte público suspenso em três distritos e "pontos de invencibilidade" (укриття/pontos de apoio) implantados; em 8 de outubro, segundo o ministro da Energia Denys Shmyhal, um grande ataque russo atingiu uma grande instalação de energia de Kiev.
Contexto
Kiev vinha sofrendo ataques diários com drones a jato nas últimas semanas, uma arma relativamente nova contra a qual as defesas ucranianas têm taxa de interceptação menor do que contra drones mais lentos. Em 9 de outubro, Kiev já enfrentava desligamentos emergenciais, transporte público suspenso em três distritos e a abertura de "pontos de invencibilidade" para lidar com o sistema de energia sob pressão. Em 8 de outubro, um grande ataque russo atingiu uma grande instalação de energia de Kiev, segundo o ministro da Energia Denys Shmyhal, e o prefeito Klitschko disse à AFP que os moradores deveriam considerar deixar a cidade. Klitschko também afirmou que Kiev está entrando em um "modo de sobrevivência" diante da ameaça de uma crise em larga escala provocada por ataques à infraestrutura crítica.