Zelensky propõe eleições na Ucrânia caso Rússia aceite cessar-fogo de 60 dias
Em entrevista à ABC News, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Ucrânia realizará eleições se a Rússia concordar com um cessar-fogo completo de pelo menos 60 dias, e pediu que Donald Trump transmitisse a proposta a Vladimir Putin. A declaração responde ao apelo público de Trump para que a Ucrânia escolha um novo líder, depois de uma ligação entre Trump e Putin em 9 de outubro que resultou em um acordo anunciado para fornecimento de diesel russo aos mercados americano e mundial.
Pontos principais
- Zelensky disse à ABC News que a Ucrânia realizará eleições se a Rússia concordar com cessar-fogo completo de 60 dias e pediu a Trump que levasse a proposta a Putin.
- Trump chamou publicamente a Ucrânia a escolher um novo líder, dizendo que Zelensky "não está pronto para fazer acordos".
- Elon Musk comentou que Zelensky "foi longe demais".
- Em 9 de outubro, Trump conversou por telefone com Putin e anunciou acordo para fornecimento de milhões de toneladas de diesel russo aos mercados dos EUA e mundial.
- Zelensky ofereceu cessar-fogo "energético" recíproco: parar ataques a refinarias russas se a Rússia parar de atacar a infraestrutura energética ucraniana.
- Zelensky chamou o acordo do diesel de "fraqueza" dos EUA e "presente" para Putin.
- Lei marcial está em vigor na Ucrânia desde 24 de fevereiro de 2022 e proíbe a realização de eleições.
- Em 1º de outubro, em Valdai, Putin chamou de "absurda" a proposta mútua de cessar ataques à infraestrutura energética.
- Em abril de 2026, completaram-se sete anos de presidência de Zelensky, superando o mandato máximo de cinco anos.
- Negociações entre funcionários ucranianos, americanos e europeus em Miami terminaram prematuramente.
- Projeto bipartidário em curso no Congresso dos EUA pretende bloquear a compra de petróleo russo.
Por que importa
A declaração condiciona qualquer eleição na Ucrânia a um cessar-fogo russo, transferindo para Moscou a responsabilidade pelo impasse eleitoral enquanto Zelensky insiste que a escolha do líder cabe apenas aos ucranianos. Foi uma resposta direta ao pedido público de Trump para que a Ucrânia eleja um novo presidente, intensificando o confronto aberto entre os dois mandatários. A troca de farpas ocorre após a ligação Trump-Putin de 9 de outubro, que gerou um acordo anunciado para fornecimento de diesel russo ao mercado americano — criticado por Zelensky como "fraqueza" dos EUA e "presente" a Putin — e relatos de que Washington ameaçou restringir o acesso da Ucrânia a dados de inteligência.
O que aconteceu
Em entrevista à ABC News, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Ucrânia realizará eleições se a Rússia aceitar um cessar-fogo completo de 60 dias e pediu ao presidente dos EUA, Donald Trump, que transmitisse a proposta a Vladimir Putin. Zelensky disse ainda que a Ucrânia está pronta para aceitar qualquer escolha do povo ucraniano e que a decisão sobre quando realizar eleições e quem escolher cabe exclusivamente aos ucranianos. Ele observou que eleições durante a guerra são difíceis não apenas por razões de segurança e por contrapor-se à lei e à Constituição, mas principalmente pela necessidade de infraestrutura de segurança que permita a votação.
A fala foi uma resposta direta ao pedido público feito por Trump para que a Ucrânia elegesse um novo líder. Trump afirmou que Zelensky "não está pronto para fazer acordos" e que ele poderia ter fechado muitos acordos, mas por alguma razão nunca fechou. O bilionário americano Elon Musk comentou no X que Zelensky "foi longe demais". O chanceler ucraniano Andriy Sybiha escreveu no X que Zelensky lidera o país em uma guerra pela independência e tem o apoio do povo ucraniano, acrescentando que são os ucranianos que têm o direito de decidir.
Em 9 de outubro, Trump manteve uma conversa telefônica com Putin e anunciou um acordo entre EUA e Rússia para o fornecimento de milhões de toneladas de diesel russo aos mercados americano e mundial. Zelensky ofereceu um cessar-fogo "energético" recíproco: parar os ataques a refinarias russas caso a Rússia cesse os ataques à infraestrutura energética ucraniana, e chamou o acordo do diesel de "fraqueza" dos EUA e "presente" a Putin.
O que dizem as fontes ucranianas
Todas as fontes fornecidas são veículos de mídia ucranianos em língua ucraniana. Eles centram a proposta de Zelensky de condicionar eleições a um cessar-fogo russo completo de 60 dias e enfatizam sua insistência de que a escolha do líder cabe aos ucranianos, dando destaque à postagem do chanceler Andriy Sybiha no X que assegura que Zelensky conta com o apoio do povo ucraniano. Colocam em primeiro plano o apelo de Trump por um novo líder ucraniano, o acordo anunciado entre EUA e Rússia para fornecimento de diesel, e a ameaça relatada dos EUA de restringir o acesso da Ucrânia a dados de inteligência. Registram também a oferta de Zelensky de um cessar-fogo energético recíproco e sua crítica ao acordo do diesel como "fraqueza" americana e "presente" a Putin.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre o que precedeu o acordo do diesel. Segundo a AXIOS, citada em algumas matérias, Trump tomou a decisão depois que Zelensky se recusou a atender a uma demanda americana de parar unilateralmente os ataques a refinarias russas. Já os posts de Zelensky no X e sua entrevista à ABC News registram que ele ofereceu um cessar-fogo energético recíproco, condicionado à interrupção dos ataques russos à infraestrutura energética ucraniana — ou seja, não uma recusa unilateral, mas uma contraproposta condicionada. Há também divergência sobre a leitura política do acordo do diesel: parte da cobertura o apresenta como um "acordo" entre EUA e Rússia para fornecimento de diesel aos mercados americano e mundial, enquanto Zelensky o caracterizou como "fraqueza" dos EUA e "presente" a Putin.
Contexto
A lei marcial está em vigor na Ucrânia desde 24 de fevereiro de 2022, e a realização de eleições é proibida enquanto durar. Em abril de 2026, completaram-se sete anos de presidência de Zelensky, ultrapassando o mandato máximo previsto de cinco anos. Em 1º de outubro, no Clube de Discussão Valdai, Putin classificou como "absurda" a proposta de cessação mútua de ataques à infraestrutura energética. Trump anunciou o acordo do diesel russo na sexta-feira anterior; Washington busca reduzir os preços dos combustíveis antes das eleições legislativas americanas de 3 de novembro. Está em curso no Congresso dos EUA um projeto bipartidário para bloquear a compra de petróleo russo.