Drones da Ucrânia atingem três grandes data centers da Yandex na Rússia e provocam queda no tráfego de bots
Entre 8 e 11 de outubro de 2026, drones ucranianos atacaram três dos cinco maiores data centers da Yandex na Rússia — em Sasovo (oblast de Ryazan), Kaluga e Vladimir. Dados da Cloudflare Radar mostram que o tráfego de bots da rede Yandex despencou para cerca de 0,3–0,4% do pico de duas semanas, e a NetBlocks registrou queda de 70% no tráfego do Yandex Cloud. Zelensky usou o episódio no Fórum de Segurança de Varsóvia para argumentar que a Europa não é a fonte dos bots, enquanto historiadores e políticos europeus sugeriram que a rede que apoia Trump e o AfD depende de servidores russos — tese contestada por análises de fact-checking.
Pontos principais
- 8 de outubro: drones atingem data center da Yandex em Sasovo (oblast de Ryazan), onde ficam dois supercomputadores; incêndio atinge fábrica Sasta
- 9 de outubro: drones atingem data center da Yandex em Kaluga
- Noite de 11 de outubro: drones atacam data center em Vladimir (oblast de Vladimir), que teve operação totalmente suspensa
- Tráfego de bots da rede Yandex caiu para cerca de 57% do pico após o primeiro ataque e para 0,3–0,4% após o terceiro, segundo Cloudflare Radar
- NetBlocks: tráfego do Yandex Cloud caiu para 30% do normal e do Yandex LLC para 63%; ao menos 84 serviços do Yandex Cloud ficaram fora do ar
- Zelensky afirmou no Fórum de Segurança de Varsóvia que, após os ataques, ficou 'mais fácil respirar' nas redes sociais por causa da queda no número de bots
- Análises de fact-checking contestam parte da narrativa: métrica da Cloudflare inclui rastreadores automatizados, não bots de redes sociais, e gráfico sobre AfD não tem fonte verificável nem data consistente
Por que importa
Os ataques atingiram infraestrutura de uma das maiores empresas de tecnologia da Rússia e provocaram uma queda mensurável no tráfego de bots originado na rede da Yandex. O episódio foi usado politicamente para alegar que parte da atividade automatizada que apoia campanhas políticas estrangeiras depende de servidores russos — uma alegação forte que, no entanto, ainda depende de dados verificáveis das próprias plataformas. Os danos também afetaram serviços de nuvem em seis países e supercomputadores russos construídos com hardware ocidental, com perspectiva de meses para reposição de equipamentos.
O que aconteceu
Entre 8 e 11 de outubro de 2026, drones ucranianos atacaram três dos cinco maiores data centers da Yandex na Rússia. O primeiro ataque, em 8 de outubro, atingiu o data center de Sasovo, no oblast de Ryazan, onde ficam dois supercomputadores; um incêndio atingiu as instalações da fábrica Sasta. Em 9 de outubro, drones atingiram parte da infraestrutura do data center de Kaluga. Na noite de 11 de outubro, o ataque ao data center de Vladimir, no oblast de Vladimir, levou a Yandex a confirmar a paralisação total daquela instalação. Após o primeiro ataque, dados da Cloudflare Radar mostraram que o tráfego de bots da rede Yandex caiu para cerca de 57% do pico registrado nas duas semanas anteriores; depois do terceiro ataque, o índice despencou para 0,3–0,4% desse pico. A NetBlocks registrou que o tráfego do Yandex Cloud caiu para 30% do normal e o do Yandex LLC para 63%, com ao menos 84 serviços do Yandex Cloud listados como fora do ar. Falhas afetaram usuários na Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão, Belarus e Armênia, e dois sistemas federais russos — VetIS e Saturn, do Rosselkhoznadzor — entraram em modo de emergência. Até a manhã de 12 de outubro, o Yandex Cloud ainda operava em modo de emergência, sem prazo para restauração completa. A Yandex removeu das suas mapas os data centers em quatro regiões russas no dia do primeiro ataque, e a Rússia não comentou oficialmente os ataques.
O que dizem as fontes ucranianas
A cobertura ucraniana destaca o pronunciamento de Zelensky no Fórum de Segurança de Varsóvia, no qual ele enquadrou os ataques como prova de que a Europa não é a origem do problema e que as redes sociais ficaram 'mais fáceis de respirar' com a redução de bots. Matérias também contextualizam os ataques como resposta direta à campanha russa que, segundo fontes oficiais de Moscou citadas por analista militar, já atingiu 17 data centers ucranianos — alguns mais de uma vez — incluindo Omega Telecom, DLine.ua e Cosmonova em Kiev. O ex-chefe do Centro de Combate à Desinformação, Andriy Kovalenko, confirmou o ataque a Sasovo com a frase 'esse jogo também pode ser jogado por dois'. Vários veículos ucranianos amplificaram as postagens do historiador Timothy Snyder e do eurodeputado Tomasz Zdechovský associando a queda do tráfego a bots pró-Trump e pró-AfD hospedados em servidores russos.
O que dizem as fontes internacionais
A agência internacional do Azerbaijão (APA) restringiu-se aos fatos básicos confirmados, sem entrar nas extrapolações políticas. Já peças analíticas e de fact-checking — como Tom's Hardware, o portal alemão Roxtext e análises mais aprofundadas — advertem que a queda no tráfego da Cloudflare não é equivalente a um colapso de bots de redes sociais: a métrica 'bot traffic' da Cloudflare inclui rastreadores de busca e requisições automatizadas dos próprios serviços da Yandex. O gráfico de 56% de queda na atividade em torno do AfD, amplamente compartilhado, não tem fonte de dados, metodologia verificável nem data coerente — a marca de 56% supostamente se refere a 13 de outubro, dois dias depois da publicação da postagem em 11 de outubro.
Onde as versões divergem
A principal divergência é sobre o que a queda do tráfego realmente significa. Zelensky, Timothy Snyder, Tomasz Zdechovský e o analista polonês Jarosław Wolski tratam a conexão entre os ataques e o colapso de bots pró-Trump e pró-AfD como fato ou hipótese forte. Análises de fact-checking contestam: a métrica da Cloudflare engloba tráfego automatizado em geral, não contas falsas de redes sociais; o gráfico sobre AfD não tem metodologia nem fonte rastreável; e a data indicada no gráfico (13 de outubro) é posterior à publicação (11 de outubro), o que sugere incoerência. Assim, a queda no tráfego de bots originado na rede Yandex é confirmada pelos dados, mas a tese política de que isso comprova a hospedagem de bots de campanhas específicas permanece não demonstrada.
Contexto
A Yandex é descrita como o equivalente russo do Google. Dos seus cinco maiores data centers, três foram atingidos (Sasovo, Kaluga e Vladimir) e dois seguem intactos (Mytishchi, no oblast de Moscou, e Ivanteyevka). Os data centers abrigavam três supercomputadores russos — Chervonenkis (2021), Lyapunov (2020) e Galushkin (2021) — montados em grande parte com hardware da NVIDIA, afetado por sanções desde 2022. Fontes do mercado russo de TI ouvidas por Kommersant e The Insider estimam que a substituição de equipamentos pode levar até seis meses, com preços de serviços de nuvem já tendo subido 16,6% após reajustes em maio de 2025 e maio de 2026. O Starlink não opera na Rússia, e a constelação alternativa Rassvet perdeu parte significativa de seus satélites após o lançamento.