Casa Branca ordenou restrição ao serviço Starshield da SpaceX usado pela Ucrânia, diz Reuters
A Casa Branca enviou ao Departamento de Guerra dos EUA diretriz para limitar o funcionamento do sistema Starshield da SpaceX usado pela Ucrânia, segundo três fontes ouvidas pela Reuters. Terminals militares pararam em plataformas acima de 160 km/h, prejudicando drones de ataque e interceptores de Shaheds. Serviço foi parcialmente restaurado em 15 de outubro, limitado a 100 mph (160 km/h).
Pontos principais
- Diretriz da Casa Branca ao Departamento de Guerra pediu limitação do Starshield para a Ucrânia, segundo dois funcionários americanos e um representante de país europeu, citados pela Reuters.
- Funcionário sênior dos EUA afirmou: "O presidente nunca fez esse pedido"; a Casa Branca não respondeu se outro membro da administração poderia ter emitido a ordem.
- Terminals militares Starlink/Starshield perderam conexão em plataformas acima de 160 km/h — em alguns casos a partir de 110–120 km/h — afetando drones de ataque e interceptores de Shaheds.
- Voluntário Serhiy Sternenko foi o primeiro a relatar o problema na manhã de 14 de outubro; o 7º Corpo das Forças de Assalto Aerotransportado registrou falhas de comunicação na direção de Huliaipole.
- Elon Musk escreveu no X que sistemas Starshield pertencem e são controlados pelo governo dos EUA, e que limites de velocidade ou uso são definidos pela militar ou pelo presidente.
- Presidente Volodymyr Zelenskyy pediu a Musk que revertesse a medida, chamando a desaceleração de "grande erro".
- Em 15 de outubro, o Ministério da Defesa da Ucrânia informou que o serviço foi restaurado em movimento, mas limitado a 100 mph (160 km/h), e que investiga as causas junto aos EUA, à SpaceX e a parceiros da OTAN.
Por que importa
O Starshield é a espinha dorsal de comunicações para drones ucranianos, incluindo interceptores usados contra os Shaheds russos. A restrição foi imposta de forma unilateral durante operações de combate ativo, sem aviso prévio, no contexto da pressão do presidente dos EUA Donald Trump sobre Kiev para que parasse ataques a refinarias russas — episódio que ilustra como cálculos políticos internos americanos e preocupações com preços de energia podem impactar diretamente a capacidade de combate da Ucrânia. O caso também evidencia o peso que um ator privado (SpaceX) e decisões do Executivo dos EUA exercem sobre a condução da guerra pela Ucrânia.
O que aconteceu
Segundo a Reuters, que ouviu dois funcionários americanos e um representante de país europeu sob anonimato, a Casa Branca enviou ao Departamento de Guerra dos EUA diretriz para limitar o funcionamento do sistema Starshield da SpaceX usado pela Ucrânia. Na noite anterior a 14 de outubro, a SpaceX restringiu unilateralmente os terminals militares em plataformas que excediam um limite de velocidade: acima de 160 km/h — e em alguns casos a partir de 110–120 km/h — os terminals perdiam conexão, afetando drones de ataque com sistema de guiagem embarcada e interceptores usados para abater Shaheds russos. Ukrainian officials disseram que missões de ataque contra forças russas e logística em território ocupado foram prejudicadas, e o 7º Corpo das Forças de Assalto Aerotransportado registrou falhas de comunicação na direção de Huliaipole. A restrição foi revertida parcialmente em 15 de outubro, com o serviço restaurado em movimento, mas limitado a 100 mph (160 km/h). O Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou estar investigando as causas junto aos EUA, à SpaceX e a parceiros da OTAN.
O que dizem as fontes ucranianas
A cobertura ucraniana — incluindo ZN.UA, NV e hromadske — enfatiza o impacto operacional militar: ataques com drones, interceptores de Shaheds, logística e reconhecimento foram comprometidos em plataformas rápidas. A narrativa destaca a imposição unilateral e noturna, sem aviso, e a busca diplomática de Kiev para contatar a Casa Branca, o Departamento de Estado e o Pentágono para esclarecer a decisão. A mídia também destaca o contexto da pressão do presidente Donald Trump para que a Ucrânia parasse ataques a refinarias russas, tratando a restrição ao Starshield como elemento coercitivo dessa pressão. Vozes ucranianas aparecem de forma direta: o presidente Zelenskyy chamou a desaceleração de "grande erro" e figuras públicas como Serhiy Sternenko e Serhiy Beskrestnov (Flash) detalharam as consequências operacionais.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre quem exatamente emitiu a ordem. A Reuters, citando dois funcionários americanos e um representante de país europeu, atribui a diretriz à Casa Branca e a um comunicado ao Departamento de Guerra; um funcionário sênior dos EUA afirmou que "o presidente nunca fez esse pedido", e a Casa Branca não respondeu se outro membro da administração poderia ter emitido a ordem. Paralelamente, relatos baseados em fontes do Ministério da Defesa da Ucrânia e em postagens de Elon Musk no X caracterizam o evento como restrição unilateral da SpaceX, sem aviso prévio. Há ainda divergência sobre o enquadramento editorial do caso: parte da cobertura enfatiza que a ordem não partiu pessoalmente de Trump, sugerindo autoria de outro membro da administração, enquanto outra vertente atribui a decisão diretamente à Casa Branca como instituição.
Contexto
Starshield é o serviço militar da SpaceX construído sobre a constelação de satélites Starlink, desenvolvido para clientes governamentais e de segurança nacional, com o Departamento de Defesa dos EUA como maior cliente. A restrição limitou o serviço em movimento a plataformas de até 100 mph (160 km/h); terminals perderam conexão acima desse limiar e, em alguns casos, a partir de 110–120 km/h. Especialistas ouvidos pela reportagem atribuem a alta atual dos preços globais de energia principalmente ao conflito dos EUA e de Israel com o Irã, que provocou ataques iranianos a infraestruturas energéticas e a interrupção de facto da navegação pelo estratégico Estreito de Ormuz. A interrupção ocorre após episódios anteriores em que o acesso de unidades ucranianas ao Starlink foi cortado de forma abrupta.