Zelensky confirma que EUA ameaçaram suspender compartilhamento de inteligência com a Ucrânia
Em entrevista à NPR publicada em 13 de outubro de 2026, o presidente Volodymyr Zelensky confirmou que a administração Trump advertiu a Ucrânia de que poderia interromper o compartilhamento de inteligência se os ataques a refinarias russas continuassem. Segundo Zelensky, a ameaça foi transmitida a seus generais e não a ele pessoalmente, e até o momento da entrevista o fluxo de inteligência não havia sido cortado. Ao mesmo tempo, Kyiv foi atingida por mísseis balísticos russos nas noites de 12 e 13 de outubro sem aviso prévio de parceiros, deixando em aberto se a inteligência já não estaria sendo restringida.
Pontos principais
- Zelensky afirmou à NPR que os EUA ameaçaram suspender o compartilhamento de inteligência caso a Ucrânia mantenha ataques a refinarias russas
- A advertência foi comunicada a generais ucranianos, não ao presidente diretamente, disse Zelensky
- Até o momento da entrevista, o intercâmbio de inteligência EUA-Ucrânia não havia sido interrompido
- Trump declarou em 13 de outubro que os EUA não interromperam o compartilhamento de inteligência com a Ucrânia
- Nas noites de 12 e 13 de outubro, mísseis balísticos russos atingiram Kyiv sem aviso prévio de parceiros
- Até a manhã do dia seguinte, três mortes foram registradas em Kyiv após novos ataques a instalações de energia
- Zelensky atribui a alta dos preços de combustíveis nos EUA ao conflito relacionado ao Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz
Por que importa
Uma possível interrupção do compartilhamento de inteligência dos EUA degradaria diretamente a capacidade da Ucrânia de detectar e interceptar mísseis e drones russos — risco tornado concreto pelos ataques balísticos dos dias 12 e 13 de outubro a Kyiv. A ameaça está vinculada à pressão norte-americana para que a Ucrânia cesse ataques de longo alcance contra a infraestrutura energética russa, apresentando esses ataques como o ponto de leverage da disputa, e não como defesa da própria rede energética ucraniana. Ao mesmo tempo, Trump negou publicamente qualquer corte, mas reportagens indicam que a Casa Branca ainda avalia a medida e que autoridades como o diretor da CIA, John Ratcliffe, se opõem a restrições, deixando a ameaça ativa e imprevisível. O episódio evidencia uma guinada dos EUA: pressionar militarmente a Ucrânia enquanto alivia sanções sobre o diesel russo.
O que aconteceu
Em entrevista à NPR publicada em 13 de outubro de 2026, o presidente Volodymyr Zelensky confirmou que a administração Trump advertiu a Ucrânia de que poderia suspender o compartilhamento de inteligência caso os ataques ucranianos a refinarias russas continuassem. Segundo Zelensky, a mensagem foi repassada a seus generais, não a ele pessoalmente, e até aquele momento o fluxo de inteligência seguia ativo. No mesmo dia, o presidente Donald Trump afirmou publicamente que os EUA não haviam suspendido o compartilhamento de inteligência com a Ucrânia. Reportagem da Semafor, citando fonte não nomeada da administração, indica que a Casa Branca ainda discute internamente a possibilidade de interromper o intercâmbio, sem posição unificada, e que o diretor da CIA, John Ratcliffe, está entre os que se opõem a tal restrição. As tensões coincidiram com duas noites consecutivas de ataques balísticos russos a Kyiv, em 12 e 13 de outubro, contra os quais a Ucrânia não recebeu alerta antecipado de parceiros. Segundo Zelensky, o primeiro impacto foi detectado apenas durante o ataque; na segunda noite, os mísseis foram essencialmente identificados na aproximação da capital. Até a manhã seguinte, três mortes foram registradas em Kyiv após novos ataques contra instalações de energia. Zelensky afirmou à NPR que a Ucrânia atacará alvos energéticos e logísticos russos para reduzir a capacidade de guerra do Kremlin e que só interromperá esses ataques quando a Rússia parar de atingir a infraestrutura energética ucraniana. Ele também contestou Trump sobre os preços de combustível nos EUA, atribuindo a alta ao conflito relacionado ao Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz, e não à guerra na Ucrânia.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre se o compartilhamento de inteligência dos EUA com a Ucrânia foi de fato interrompido: Zelensky confirma que houve ameaça nesse sentido, Trump nega publicamente qualquer corte, e reportagens indicam que a Casa Branca ainda discute a questão internamente, com parte do governo (incluindo o diretor da CIA, John Ratcliffe) se opondo à medida. Há também divergência sobre a razão da ausência de aviso antes do ataque balístico russo a Kyiv em 12 de outubro: um funcionário norte-americano disse à Politico que o motivo foi o mau tempo, enquanto Zelensky e autoridades ucranianas consideram a explicação insuficiente e suspeitam que a causa real tenha sido outra. Sobre o "cessar-fogo energético" anunciado por Trump, Zelensky afirma que foi uma invenção de Trump da qual a Ucrânia tomou conhecimento pelas redes sociais, enquanto Trump o apresenta como um acordo real com Putin e como pré-condição para o fim da guerra. Por fim, há disputa sobre a responsabilidade pela alta dos preços de combustível nos EUA: Zelensky atribui o aumento ao conflito relacionado ao Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz, enquanto Trump responsabiliza os ataques ucranianos a alvos energéticos russos e Zelensky pessoalmente.
Contexto
Reportagens anteriores do Financial Times e da CNN, citando funcionários europeus, afirmaram que a administração Trump exigiu que Kiev interrompesse ataques a refinarias russas, ameaçando suspender compras de armas e o compartilhamento de inteligência. Em 9 de outubro, Trump anunciou um acordo com Vladimir Putin para suspender temporariamente sanções ao diesel russo e exigiu que a Ucrânia cessasse os ataques a refinarias russas — a chamada "trégua energética", que Zelensky disse ter conhecido pelo Truth Social. Reportagens anteriores citam os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner como autores da ameaça em reunião na Flórida com representantes ucranianos e europeus em 9 de outubro. Segundo a Semafor, apesar da negativa pública de Trump, a Casa Branca ainda avalia se interrompe o compartilhamento de inteligência, com o diretor da CIA, John Ratcliffe, entre os que se opõem a essa restrição.