EUA ameaçam suspender compartilhamento de inteligência com Ucrânia se ataques a refinarias russas continuarem
Serviços de inteligência dos EUA teriam ameaçado a embaixada ucraniana em Washington com o fim imediato do compartilhamento de dados de inteligência caso a Ucrânia realizasse novos ataques a instalações energéticas da Rússia, incluindo refinarias de petróleo, segundo fonte ouvida pelo The Washington Post. A ameaça coincide com ataques de mísseis balísticos russos a Kiev em 12 e 13 de outubro, que, segundo o presidente Volodymyr Zelensky, não receberam alertas antecipados de parceiros à defesa aérea ucraniana. O presidente Donald Trump havia anunciado em 11 de outubro um "cessar-fogo energético" entre Rússia e Ucrânia do qual nenhum dos lados tinha conhecimento prévio.
Pontos principais
- Serviços de inteligência dos EUA alertaram a embaixada ucraniana em Washington sobre interrupção imediata do compartilhamento de inteligência em caso de novos ataques a instalações energéticas russas
- A ameaça foi feita na segunda-feira, 12 de outubro, segundo fonte ouvida pelo The Washington Post; segundo a fonte, o compartilhamento não foi totalmente cortado, mas a ameaça segue válida
- O presidente Zelensky confirmou que a Casa Branca advertiu sobre possível suspensão do intercâmbio de inteligência se ataques a refinarias russas não cessassem
- Trump assegurou publicamente na terça-feira que o compartilhamento de inteligência continuaria: "Estamos ajudando e compartilhando informações. Queremos que a guerra termine"
- 11 de outubro: Trump publicou em sua rede Truth Social um "cessar-foco energético" entre Rússia e Ucrânia do qual nenhuma das partes tinha sido informada previamente
- 12 e 13 de outubro: mísseis balísticos russos atingiram Kiev, a região de Kiev e Kharkiv; Zelensky afirmou que não houve alertas antecipados de parceiros à defesa aérea
- Na noite de quarta-feira a Rússia lançou 39 mísseis balísticos e mais de 120 drones de ataque contra a Ucrânia
- Forças ucranianas enfrentaram restrições repentinas no sistema de comunicação por satélite Starshield da SpaceX, afetando velocidades de voo de drones; não há confirmação oficial de ligação com as ameaças dos EUA
- Entre os que receberam as ameaças estavam o comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Mykhailo Drapatyi, e o vice-chefe do Escritório Presidencial, Pavlo Palisa
- O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiha, afirmou que Vladimir Putin deu uma "resposta negativa" à proposta de cessar-fogo energético de Trump
Por que importa
A ameaça afeta diretamente a capacidade da Ucrânia de se defender contra ataques russos, como ficou evidente nos lançamentos de mísseis balísticos de 12 e 13 de outubro que, segundo Zelensky, não receberam alertas antecipados de parceiros. Conecta o anúncio de "cessar-fogo energético" dos EUA a uma pressão concreta sobre Kiev para interromper ataques de longo alcance contra refinarias russas. O episódio coincidiu com restrições ao sistema de comunicações por satélite Starshield da SpaceX, usado por forças ucranianas em operações com drones, ampliando o leque de alavancagem dos EUA. Trump contradisse publicamente a ameaça ao dizer que o compartilhamento de inteligência continuaria, expondo uma inconsistência interna na mensagem americana.
O que aconteceu
Serviços de inteligência dos EUA advertiram a embaixada ucraniana em Washington, na segunda-feira, 12 de outubro, de que os Estados Unidos interromperiam imediatamente o compartilhamento de inteligência caso a Ucrânia realizasse novos ataques a instalações energéticas russas, em especial refinarias de petróleo. O alerta foi reportado pelo The Washington Post, citando uma fonte informada; a mesma fonte indicou que o compartilhamento não foi totalmente cortado, mas a ameaça segue válida. Segundo a reportagem, o aviso foi feito em escala tão ampla que praticamente "todos com sobrenome de sonoridade ucraniana" foram alvo da abordagem. O presidente Volodymyr Zelensky confirmou que a Casa Branca havia alertado Kiev sobre a possível suspensão do intercâmbio de inteligência se ataques a refinarias russas não cessassem, e afirmou que ataques de mísseis balísticos russos a Kiev nas noites de terça e quarta-feira ocorreram sem alertas antecipados de parceiros à defesa aérea ucraniana. Mísseis russos atingiram instalações energéticas em Kiev, na região de Kiev e em Kharkiv; na noite de quarta-feira a Rússia lançou 39 mísseis balísticos e mais de 120 drones de ataque. O contexto remonta a 11 de outubro, quando Donald Trump publicou em sua rede Truth Social o anúncio de um "cessar-fogo energético" entre Rússia e Ucrânia do qual nenhuma das partes havia sido informada previamente. Na terça-feira, Trump afirmou publicamente que o compartilhamento de inteligência continuaria. Zelensky disse ter conhecido o "cessar-fogo" pelas redes sociais, mas garantiu que a Ucrânia estava pronta a cumpri-lo. Forças ucranianas também enfrentaram restrições repentinas no sistema Starshield da SpaceX, afetando o uso de veículos não tripulados; não há confirmação oficial de vínculo com as ameaças dos EUA. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiha, afirmou que Vladimir Putin deu uma "resposta negativa" à proposta de Trump. Em 14 de outubro a Moscou acusou Kiev de novos ataques a duas refinarias; o conselheiro de comunicações de Zelensky, Dmytro Lytvyn, negou. Entre os que receberam as ameaças estão o comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Mykhailo Drapatyi, e o vice-chefe do Escritório Presidencial, Pavlo Palisa.
Onde as versões divergem
Em 14 de outubro, Moscou acusou Kiev de novos ataques a duas refinarias de petróleo; Dmytro Lytvyn, conselheiro de comunicações de Zelensky, negou os relatos. A fonte do Washington Post afirmou que os avisos foram feitos em escala tão ampla que "todos com sobrenome de sonoridade ucraniana" receberam um telefonema, sugerindo uma rede de contatos excepcionalmente abrangente. Zelensky declarou que os ataques balísticos das noites de terça e quarta-feira não receberam alertas antecipados de parceiros, enquanto o porta-voz da Força Aérea, Yuriy Ihnat, disse à LIGA.net que em ondas subsequentes de ataques a Ucrânia recebeu notificações dos parceiros sobre os mísseis balísticos.
Contexto
Em 11 de outubro, Trump anunciou em sua conta na Truth Social um "cessar-fogo energético" entre Rússia e Ucrânia do qual nenhum dos lados havia sido informado previamente. A Rússia continuou a atacar instalações energéticas ucranianas depois da declaração. Em 14 de outubro, Moscou acusou Kiev de novos ataques a duas refinarias russas, acusação que o conselheiro de comunicações de Zelensky, Dmytro Lytvyn, negou.