Trump anuncia 'cessar-fogo energético' entre Rússia e Ucrânia; Zelenskyy e Moscou dizem não ter sido notificados
O presidente dos EUA, Donald Trump, publicou em sua conta na Truth Social em 11 de outubro que um 'cessar-fogo energético' entre Rússia e Ucrânia entrou em vigor imediatamente e que ambos os lados concordaram. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, afirmou à Axios que a notícia foi uma surpresa e que a Ucrânia só concordaria se a Rússia também o fizesse; a Rússia não confirmou publicamente o acordo. Horas antes e depois do anúncio, a Rússia atacou instalações energéticas em Kiev e na região de Kharkiv, segundo Zelenskyy.
Pontos principais
- Trump publicou em 11 de outubro na Truth Social que um 'cessar-fogo energético' entre Rússia e Ucrânia 'entra em vigor a partir deste momento' e que 'ambos os lados concordaram'.
- Trump não informou duração, escopo das instalações energéticas abrangidas ou mecanismo de verificação.
- Zelenskyy disse à Axios que o anúncio foi uma surpresa, mas que a Ucrânia aceitaria o cessar-fogo se a Rússia também aceitasse e pediu para ser informada de quando começaria.
- Nem a Ucrânia nem a Rússia haviam confirmado publicamente o acordo até o momento da publicação.
- Cerca de uma hora antes do anúncio de Trump, a Rússia atacou uma instalação energética em Kiev, deixando partes dos distritos de Obolon, Shevchenkivskyi, Desnianskyi, Podilskyi e Dniprovskyi sem energia e áreas de Holosiivskyi, Solomianskyi, Sviatoshynskyi e Shevchenkivskyi sem água.
- Após o anúncio, Zelenskyy relatou que um drone Shahed russo atingiu uma usina em Kiev e que instalações energéticas na região de Kharkiv foram atingidas; o chanceler Andriy Sybiha afirmou que a Rússia violou o cessar-fogo imediatamente.
- Em 9 de outubro, a administração Trump anunciou acordo com Putin para fornecimento de diesel russo aos mercados americano e mundial e emitiu licença temporária do Tesouro dos EUA válida até 7 de abril de 2027.
Por que importa
O anúncio de Trump, feito unilateralmente sem confirmação de Kiev ou Moscou, levanta dúvidas imediatas sobre se existe algum acordo vinculante. A Rússia continuou atacando infraestruturas energéticas ucranianas antes e depois da publicação, e o chanceler Andriy Sybiha disse que Moscou violou o cessar-fogo imediatamente. Ao mesmo tempo, os EUA afrouxaram sanções ao diesel russo — decisão criticada por Kiev como 'investimento na guerra' — enquanto pressionavam a Ucrânia a parar ataques a refinarias russas. Líderes europeus, como Macron e von der Leyen, apoiaram a ideia de um cessar-fogo, mas destacaram que a Rússia não reciprocou. O episódio coincide com Trump pedindo publicamente a substituição de Zelenskyy, a quem este respondeu que eleições poderiam ocorrer sob cessar-fogo total de 60 dias.
O que aconteceu
Em 11 de outubro, o presidente dos EUA Donald Trump publicou em sua conta na Truth Social que um 'cessar-fogo energético' entre Rússia e Ucrânia entrou em vigor imediatamente e que ambos os lados concordaram, sem detalhar duração, escopo ou mecanismo de verificação. Horas antes, a Rússia havia atacado uma instalação energética em Kiev, causando quedas de energia em partes dos distritos de Obolon, Shevchenkivskyi, Desnianskyi, Podilskyi e Dniprovskyi, e interrupção no fornecimento de água em Holosiivskyi, Solomianskyi e partes de Sviatoshynskyi e Shevchenkivskyi. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, disse ao jornalista da Axios Barak Ravid que o anúncio foi uma novidade para ele, mas que a Ucrânia aceitaria o cessar-fogo se a Rússia também aceitasse, e pediu aos EUA que informassem quando começaria. Zelenskyy afirmou ainda que a Ucrânia pararia ataques a refinarias russas se a Rússia cessasse ataques à infraestrutura energética ucraniana, e disse ter conversado por telefone com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. Após o anúncio, Zelenskyy relatou que um drone Shahed russo atingiu uma usina de energia em Kiev e que instalações na região de Kharkiv foram atingidas; o chanceler Andriy Sybiha afirmou que a Rússia violou o cessar-fogo imediatamente. O presidente francês Emmanuel Macron declarou apoio incondicional da França a um cessar-fogo genuíno e disse que a Rússia continuava a recusá-lo enquanto atacava infraestrutura ucraniana. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após ligar para Zelenskyy, manifestou apoio total ao chamado dele por um cessar-fogo que proteja osupplymento global de alimentos e a infraestrutura energética, e anunciou financiamento adicional da UE para drones e mísseis destinados à defesa aérea da Ucrânia.
O que dizem as fontes ucranianas
Fontes ucranianas destacam os ataques russos contínuos à infraestrutura energética — em Kiev e na região de Kharkiv, antes e depois do anúncio de Trump — e enfatizam que qualquer cessar-fogo sem reciprocidade russa não protegeria civis. Elas citam a Financial Times e a Axios para retratar o anúncio de Trump como precipitado e não verificado, e reproduzem Zelenskyy dizendo que o anúncio foi 'novidade para mim', com a Ucrânia sem informações sobre um acordo final. Registram a disposição de Zelenskyy em aceitar em princípio e a oferta ucraniana de parar ataques a refinarias russas caso a Rússia cesse os ataques à infraestrutura energética ucraniana, ao mesmo tempo em que sublinham a necessidade de ação mútua e detalhes dos EUA. Incluem críticas ao afrouxamento de sanções dos EUA ao diesel russo como 'investimento na guerra' e citam autoridades ucranianas classificando a medida como 'decisão fraca de parceiros fortes'. Reportam conversas com parceiros internacionais — Carney, Stubb, Rutte, Macron e von der Leyen — como evidência de apoio diplomático à posição da Ucrânia, e reproduzem Macron e von der Leyen afirmando que a Rússia continua a recusar o cessar-fogo e a intensificar ataques.
O que dizem as fontes internacionais
Fontes internacionais enfatizam o anúncio em si — a publicação de Trump na Truth Social e suas condições (vigência imediata, concordância de ambos os lados) — e observam a ausência de detalhes sobre duração, escopo ou verificação. Dão destaque ao contexto diplomático em torno do anúncio: a declaração anterior de Trump em 14 de setembro, a fala do secretário de Estado Marco Rubio em 23 de setembro sobre o interesse russo e ucraniano em uma pausa temporária e a declaração do chanceler russo Sergei Lavrov no mesmo dia de que a Rússia não pausaria sua 'operação militar especial' para negociações 'em nenhum formato'. Vários veículos levantam dúvidas sobre a existência do acordo, citando a reportagem da FT de que o anúncio foi precipitado e de que não há acordo final, relatando a suposta relutância de Putin em fechar um acordo antes do inverno e registrando a incapacidade de deputados da Duma russa de confirmar o arranjo. A cobertura internacional destaca que o anúncio ocorre em paralelo à pressão dos EUA sobre a Ucrânia para parar ataques a refinarias russas e ao afrouxamento de sanções ao diesel russo, enquadrando-os como concessões a Moscou. Macron e von der Leyen são citados expressando apoio à posição da Ucrânia e à ideia de um cessar-fogo energético genuíno, ao mesmo tempo em que apontam que a Rússia tem intensificado ataques à infraestrutura ucraniana.
Onde as versões divergem
Existe divergência sobre se há um acordo vinculante de cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia. Trump afirmou em sua publicação na Truth Social que ambos os lados concordaram e que o cessar-fogo entrou em vigor imediatamente. Zelenskyy disse à Axios que o anúncio foi uma surpresa, mas que a Ucrânia concordaria se a Rússia também concordasse; a Financial Times, citando um oficial ucraniano próximo a Zelenskyy, relatou que a Ucrânia não tinha informações sobre tal acordo e que Trump havia precipitado o anúncio, com o correspondente-chefe Christopher Miller afirmando que não existe acordo final. Deputados da Duma russa não puderam confirmar o acordo, com um deles sugerindo que Trump pode estar fazendo 'investimentos verbais' para impedir a alta dos preços do petróleo. Outra divergência diz respeito a se a Rússia realmente interrompeu ataques à infraestrutura energética. Zelenskyy e o chanceler Sybiha relataram que a Rússia atingiu uma estação de energia em Kiev com um drone Shahed e instalações em Kharkiv, incluindo a TEC-5, após o anúncio de Trump, com Sybiha afirmando que a Rússia violou o cessar-fogo de imediato. O presidente francês Macron disse que a Rússia continuava a recusar o cessar-fogo e a intensificar os ataques. Já a FT, citando fontes, relatou que Putin não deseja fechar um acordo antes do inverno porque acredita que ataques à infraestrutura energética ucraniana podem pressionar Kiev a fazer concessões.
Contexto
Em 14 de setembro de 2025, Trump já havia feito declaração parecida sobre um cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia que não foi confirmado por nenhum dos lados na época e após a qual os ataques continuaram. Em 22 de setembro de 2025, após reunião com Trump, Zelenskyy declarou publicamente que a Ucrânia estava 'pronta para qualquer formato de cessar-fogo energético' com a Rússia. Em 23 de setembro de 2025, o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio disse, após encontro com o chanceler russo Sergei Lavrov na Assembleia Geral da ONU, que Rússia e Ucrânia estavam interessadas em uma pausa temporária nos ataques à infraestrutura energética; no mesmo dia, Lavrov afirmou que a Rússia não pausaria sua 'operação militar especial' para negociações 'em nenhum formato'. Em 9 de outubro de 2025, a administração Trump anunciou acordo com Putin para fornecimento de diesel russo aos mercados dos EUA e global; o Tesouro dos EUA emitiu licença geral temporária permitindo transações com diesel russo até 7 de abril de 2027. Ainda em 9 de outubro de 2025, o enviado especial dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner teriam ameaçado suspender o compartilhamento de inteligência dos EUA com a Ucrânia durante negociações em Miami, caso Kiev mantivesse ataques a refinarias russas. Em 10 e 11 de outubro de 2025, Trump defendeu publicamente que a Ucrânia elegesse um novo líder, afirmando que Zelenskyy não conseguiria fechar um acordo para encerrar a guerra; o mandato presidencial de Zelenskyy expirou em 20 de maio de 2024 e foi estendido sob lei marcial, com eleições impossíveis em condições de guerra. Em 9 de outubro de 2025, reportagens citadas pela Kyiv Independent e pela Bloomberg afirmaram que a Rússia exigiu que os EUA afrouxassem sanções em troca de um possível cessar-fogo energético.