Publicado em · Atualizado em

Operação fracassada em Leipzig é o primeiro ato de campanha de sabotagem russa autorizada por Putin, dizem serviços de inteligência dos EUA

Serviços de inteligência dos EUA avaliam que o presidente russo Vladimir Putin autorizou pessoalmente uma campanha ampliada de sabotagem contra países da OTAN, cujo primeiro episódio foi a tentativa malsucedida de drones de atacar um cargueiro ucraniano An-124 no aeroporto de Leipzig-Halle, na Alemanha, em agosto de 2025. Berlim atribuiu oficialmente a operação à Rússia em 1º de setembro.

Pontos principais

  • Em 5 de agosto de 2025, um drone com explosivos foi encontrado no aeroporto de Leipzig-Halle perto de uma aeronave de carga ucraniana An-124.
  • A inteligência dos EUA afirma que Putin sancionou pessoalmente a campanha ampliada de sabotagem e operações secretas contra países da OTAN.
  • A operação de Leipzig envolveu ao menos três drones carregados com explosivos militares Semtex, controlados remotamente via cartões SIM 5G alemães com servidores ligados ao GRU.
  • Serviços ocidentais de inteligência rastrearam a operação ao coronel Denis Smolyaninov, oficial do Serviço de Missões Especiais (SSD) do GRU, alvo de sanções da UE e do Reino Unido.
  • Em 1º de setembro, o governo da Alemanha declarou a Rússia responsável pela tentativa de ataque em Leipzig.
  • O chanceler Friedrich Merz e seus auxiliares consideraram a possibilidade de invocar o Artigo 5 do Tratado da OTAN caso houvesse grande número de vítimas.

Por que importa

A operação de Leipzig é considerada o primeiro episódio de uma campanha russa intensificada de sabotagem contra países da OTAN, sancionada pessoalmente por Putin. O episódio expõe a infraestrutura de defesa aérea alemã a um ataque já nas fases iniciais dessa escalada, atingindo um cargueiro militar ligado à Ucrânia em território aliado. A escala geográfica — que já se estende da Alemanha à Bulgária, passando por Polônia, Estônia, Lituânia e Eslováquia, além de ataques no Mar Negro — transforma incidentes isolados em uma frente híbrida contínua que pressiona a OTAN a calibrar a resposta, inclusive com a possível invocação do Artigo 5.

O que aconteceu

Na noite de 5 de agosto de 2025, um drone carregado com explosivos foi encontrado no aeroporto de Leipzig-Halle, na Alemanha, nas proximidades de um cargueiro ucraniano An-124. A operação envolveu ao menos três drones armados com Semtex de grau militar, controlados remotamente por cartões SIM 5G alemães e ligados a servidores anteriormente usados pelo GRU. Agentes alemães rastrearam a comunicação dos drones até servidores previamente associados à inteligência militar russa, e funcionários alemães afirmam que os aparelhos eram operados por agentes do GRU. Em 1º de setembro, o governo da Alemanha declarou oficialmente a Rússia responsável pela tentativa de ataque. Segundo a inteligência dos EUA, a campanha ampliada de sabotagem e operações secretas contra países da OTAN foi sancionada pessoalmente pelo presidente Vladimir Putin, e o caso de Leipzig é considerado um dos primeiros episódios dessa escalada. Investigadores ocidentais rastrearam a operação ao coronel Denis Smolyaninov, um dos chefes da unidade SSD do GRU, já sancionado pela UE e pelo Reino Unido.

O que dizem as fontes ucranianas

Fontes ucranianas enfocam a ameaça direta ao cargueiro An-124 como alvo imediato, sublinhando que o ataque mirava um ativo vinculado à Ucrânia em solo de um aliado da OTAN. A narrativa utiliza informações de inteligência ocidentais — incluindo o CIA e o gabinete do chanceler Merz, além de reportagens do Wall Street Journal — como forma de legitimar as acusações contra a Rússia.

Onde as versões divergem

A Rússia nega qualquer envolvimento nas operações de sabotagem na Europa e exige provas, como sintetizou a reação «Onde estão as provas?» atribuída ao presidente Putin. Em contrapartida, o governo da Alemanha, a inteligência dos EUA e serviços de inteligência ocidentais atribuem diretamente a responsabilidade à Rússia e a oficiais específicos do GRU, sem oferecer uma narrativa alternativa sobre os autores materiais do ataque em Leipzig.

Contexto

As operações secretas contra a Europa são coordenadas pela unidade do GRU conhecida como Serviço de Missões Especiais (SSD), criada em 2023 pela fusão de várias unidades russas sob a missão de conduzir uma guerra clandestina contra o continente. O comando da unidade está com o general-coronel Andrei Averyanov. A inteligência ocidental rastreou o caso de Leipzig ao coronel Denis Smolyaninov, chefe de um dos destacamentos da SSD, já identificado como responsável por uma conspiração de contrabando de dispositivos incendiários para a rede de encomendas DHL com o objetivo de derrubar aviões civis com destino ao Reino Unido e à América do Norte. Em resposta às acusações de Berlim, o presidente Vladimir Putin reagiu com a pergunta «Onde estão as provas?», enquanto a Rússia segue negando responsabilidade pelas sabotagens europeias. No fim de agosto, o diretor da CIA, John Ratcliffe, visitou Moscou para retomar conversas e advertir a Rússia contra a escalada; depois disso, Ratcliffe alertou colegas europeus de inteligência que Moscou estava intensificando as operações de sabotagem contra seus países. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no início de novembro de 2025, advertiu que a escalada poderia se espalhar para os países da OTAN. No verão de 2025, segundo a inteligência, cresceu em Moscou a frustração pelo fato de que nem as ações no front nem as negociações com Washington haviam forçado a Ucrânia a aceitar as exigências de Putin.