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Alemanha acusa Rússia de ataque híbrido com drones em aeroporto de Leipzig; UE debate restrições a vistos

Investigadores alemães identificaram dois suspeitos do ataque com drones ao aeroporto de Leipzig/Halle, na Alemanha, que teve como alvo um cargueiro An-124 da Ucrânia no início de agosto. Em 1º de setembro, o governo alemão acusou formalmente a Rússia de orquestrar o ataque e anunciou medidas de retaliação. Ministros das Relações Exteriores da UE se reuniram para discutir possíveis restrições de vistos a cidadãos russos.

Pontos principais

  • Na noite de 4–5 de agosto, um drone com explosivos foi encontrado perto de um An-124 ucraniano no aeroporto de Leipzig/Halle; não houve vítimas e a aeronave não foi danificada.
  • Investigadores alemães identificaram dois suspeitos: um homem de origem russa com passaporte letão, apontado como coordenador logístico e instrutor, com supostos vínculos com a inteligência russa, e um cidadão bielorrusso com cidadania russa.
  • O suspeito com passaporte letão entrou na Alemanha pelo aeroporto BER de Berlim no fim de julho e saiu dois dias antes do ataque; o bielorrusso entrou na UE com visto Schengen de turista emitido pela Itália em Minsk.
  • DNA recolhido nos drones, em uma lata com explosivos e em uma antena levou a matches em bases europeias na Lituânia e Finlândia; investigadores têm poucas esperanças de prender os suspeitos, já que ambos saíram do território da UE.
  • Em 1º de setembro, a Alemanha acusou formalmente a Rússia pelo ataque; o ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, convocou o embaixador russo, e Berlim anunciou o fechamento do consulado russo em Bonn e do chamado "Russisches Haus" em Berlim, além de regras mais rígidas para entrada de russos.
  • A Alta Representante da UE, Kaja Kallas, relatou apoio amplo entre Estados-membros para proibir a entrada de ex-combatentes russos e apertar as restrições de vistos para turistas russos; o chanceler Antonio Tajani (Itália) abriu investigação porque um dos suspeitos tinha visto italiano.
  • A UE avalia um novo pedido de financiamento de vários bilhões de euros da Ucrânia para defesa aérea, incluindo mísseis Patriot; o próximo pacote de sanções deve abranger mais de 1.600 empresas.

Por que importa

A acusação formal de Berlim transforma um incidente operacional em uma crise diplomática aberta entre a Alemanha e a Rússia e reabre na UE o debate sobre endurecer as regras de visto para cidadãos russos. Como Leipzig/Halle é um hub-chave de logística militar para a Ucrânia desde o início da invasão em larga escala, o episódio expõe a vulnerabilidade física das rotas de ajuda ocidentais e dá novo impulso ao pedido ucraniano de financiamento bilionário para defesa aérea, incluindo mísseis Patriot.

O que aconteceu

Na noite de 4–5 de agosto, um drone armado com explosivos foi descoberto a poucos metros de um An-124 ucraniano no aeroporto de Leipzig/Halle, na Alemanha; o artefato não detonou e foi desarmado por um robô operado remotamente. Ninguém se feriu e a aeronave não foi danificada. Investigadores alemães recuperaram três drones ou partes deles e encontraram DNA em um dos aparelhos, no interior de uma lata com explosivos e em uma antena instalada em uma árvore próxima ao aeroporto, aparentemente usada para amplificar o sinal de drones controlados por celular. O cruzamento dessas amostras com bancos de dados europeus apontou para registros na Lituânia e na Finlândia. Dois suspeitos foram identificados: um homem de origem russa com passaporte letão, considerado o coordenador logístico e instrutor do plano e com supostos vínculos com a inteligência russa, que entrou na Alemanha pelo aeroporto BER de Berlim no fim de julho, alugou um carro até Leipzig e saiu do país de avião dois dias antes do ataque; e um cidadão bielorrusso também portador de cidadania russa, que entrou na UE com um visto Schengen de turista emitido pelo consulado da Itália em Minsk no fim de abril. Investigadores do Escritório Federal de Polícia Criminal (BKA) avaliam que mais drones podem ter sido usados do que se pensava inicialmente. Em 1º de setembro, o governo alemão acusou formalmente a Rússia pelo ataque; o ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, convocou o embaixador russo, e Berlim anunciou o fechamento do consulado-geral russo em Bonn e do chamado "Russisches Haus" em Berlim, além de regras mais duras de entrada para russos e do reforço do controle de fronteiras. O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, afirmou que os autores agiram como "agentes de baixo escalão" a mando de estruturas estatais russas. Em 2 de setembro, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou o encarregado de negócios alemão em Moscou, Bernd Finke, e rejeitou as acusações como "inteiramente infundadas". A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a UE não tolerará ataques híbridos russos em seu território, e a Alta Representante, Kaja Kallas, relatou apoio amplo entre Estados-membros para proibir a entrada de ex-combatentes russos e apertar vistos de turistas russos; a Itália abriu investigação porque um dos suspeitos tinha visto italiano. A UE também analisa um novo pedido ucraniano de financiamento de vários bilhões de euros para defesa aérea, incluindo mísseis Patriot, e o próximo pacote de sanções deve abranger mais de 1.600 empresas.

O que dizem as fontes ucranianas

A cobertura ucraniana trata o ataque como ação direta da Rússia contra a infraestrutura logística que sustenta o envio de ajuda militar à Ucrânia desde o início da invasão em larga escala e dá destaque aos supostos vínculos dos suspeitos com a inteligência russa. As matérias enquadram o debate europeu sobre vistos como reflexo da agressão russa e citam a comparação feita por Kallas entre o bombardeio de civis ucranianos e o livre ingresso de russos na Europa. A dimensão do visto italiano e as divisões internas da UE (França e Itália contra a proibição total de entrada de ex-combatentes russos) são apresentadas como brechas exploradas por Moscou.

O que dizem as fontes internacionais

As fontes fornecidas neste material são apenas ucranianas, de modo que não há uma moldura internacional distinta comparável a partir dos metadados disponíveis.

Onde as versões divergem

Há divergência sobre o que estava sendo transportado no An-144: WDR, NDR e Süddeutsche Zeitung, citando um relatório policial confidencial, afirmam que a aeronave levava munição recém-entregue pela França para trânsito posterior; o Ministério do Interior da Alemanha nega oficialmente que houvesse munição a bordo. Também há divergência sobre a dinâmica física do ataque: uma versão descreve o drone atingindo a asa da aeronave e caindo ao chão sem detonar; outra registra apenas que o drone armado com explosivos foi encontrado perto do An-124 e neutralizado.

Contexto

O aeroporto de Leipzig/Halle funciona como ponto alternativo de trânsito para carga militar ucraniana desde o início da invasão em larga escala. Na adoção do 21º pacote de sanções da UE, França, Itália e vários outros Estados costeiros com vocação turística se recusaram a proibir totalmente a entrada de ex-combatentes russos no bloco. Investigadores alemães também citaram como precedente o hackeo ao Bundestag em 2015, no qual suspeitos não foram presos por não terem voltado à Europa.