Evento: 3 de setembro · Publicado em

Tribunal de Contas da UE diz que defesa europeia pronta em 2030 é improvável

O Tribunal de Contas Europeu publicou um relatório advertindo que a UE provavelmente não alcançará sua meta de prontidão de defesa até 2030 devido à dependência dos Estados Unidos e à fragmentação dos sistemas nacionais. Entre fevereiro de 2022 e junho de 2023, 78% das compras de defesa dos governos da UE foram feitas fora do bloco, sendo 63% delas nos EUA. Os gastos de defesa dos países da UE cresceram 79% entre 2020 e 2025.

Pontos principais

  • O Tribunal de Contas Europeu (TCE) publicou relatório afirmando que a capacidade da UE de responder a uma invasão estrangeira até 2030 permanece em dúvida.
  • O membro do TCE Marek Opiola liderou a auditoria da política de defesa da UE.
  • Entre fevereiro de 2022 e junho de 2023, 78% das compras de defesa dos países da UE foram feitas fora do bloco.
  • Os EUA foram responsáveis por 63% dessas compras extra-bloco no mesmo período.
  • Os países da UE aumentaram seus gastos de defesa em 79% entre 2020 e 2025.
  • A meta de prontidão de defesa até 2030 foi definida após alertas de inteligência de que a Rússia poderia estar pronta para uma grande guerra na Europa por volta desse período.
  • A França e a Alemanha abandonaram um projeto conjunto de caça de € 100 bilhões por disputas sobre liderança e controle.

Por que importa

O relatório questiona abertamente se a UE pode se preparar de forma crível para responder a uma grande ameaça militar até 2030, horizonte respaldado por agências de inteligência europeias. Ele destaca a forte dependência dos EUA — 63% das compras extra-bloco entre fevereiro de 2022 e junho de 2023 — como uma vulnerabilidade estrutural. Ao mesmo tempo, quantifica um aumento real de 79% nos gastos de defesa entre 2020 e 2025. O documento aponta fracassos concretos de integração, como o abandono do projeto conjunto de caça entre França e Alemanha, e se conecta diretamente às necessidades imediatas da Ucrânia, que busca isenção das regras 'Compre Europeu' para comprar interceptores Patriot americanos.

O que aconteceu

O Tribunal de Contas Europeu (TCE) publicou um relatório sobre a política de defesa da UE que conclui que a meta de prontidão de defesa até 2030 continua sendo uma tarefa complexa. Os auditores identificaram como principais obstáculos a dependência contínua dos Estados Unidos e a fragmentação dos sistemas nacionais de defesa, além de gargalos industriais. O membro do TCE Marek Opiola liderou a auditoria e afirmou que a UE ainda pode alcançar progressos significativos com um aumento acentuado dos gastos de defesa e rápida expansão da produção de munições.

Os dados do relatório mostram que, entre fevereiro de 2022 e junho de 2023, 78% das compras de defesa dos governos da UE foram realizadas fora do bloco, e os EUA foram responsáveis por 63% dessas compras extra-bloco. Os auditores reconheceram que as compras de armas americanas após o início da invasão em grande escala da Rússia foram justificadas pela necessidade de obter rapidamente capacidades militares críticas, mas afirmaram que, no longo prazo, a UE precisa desenvolver sua própria produção de defesa.

Apesar do veredicto cético, o TCE reconheceu que a UE está hoje melhor preparada do que em 2019, quando foi feita a auditoria anterior, e que os gastos de defesa dos países do bloco aumentaram 79% entre 2020 e 2025.

Contexto

A UE definiu a meta de alcançar prontidão de defesa até 2030 em resposta a alertas de inteligência de que a Rússia poderia estar pronta para uma guerra em grande escala na Europa por volta desse período; o objetivo foi estabelecido no ano anterior ao relatório. Os países da UE cumpriram em novembro de 2024 a promessa de enviar à Ucrânia um milhão de projéteis de artilharia, com oito meses de atraso em relação ao prazo previsto. As regras 'Compre Europeu' da UE para gastos conjuntos de defesa definem a indústria europeia de forma ampla, incluindo produtores de Estados estreitamente ligados ao bloco, como Ucrânia e Noruega. Após uma série recente de ataques russos com mísseis e drones, a Ucrânia solicitou isenção dessas regras para comprar interceptores Patriot americanos usando parte de um crédito de € 90 bilhões da UE. O TCE é liderado nesta auditoria pelo membro Marek Opiola.