Rússia lança maior ataque combinado contra Kiev após saída de enviados dos EUA; dois mortos
Na noite de 7 para 8 de setembro, a Rússia realizou um grande ataque combinado com mísseis e drones contra Kiev, poucas horas depois da saída de enviados especiais do presidente americano Donald Trump da capital ucraniana. Ao menos duas pessoas morreram no distrito de Solomianskyi, segundo as primeiras informações, e o número de feridos subiu ao longo do dia. A Defesa Aérea da Ucrânia afirma ter interceptado ou suprimido 175 alvos aéreos, e a Polônia colocou sua aviação militar em alerta.
Pontos principais
- Ataque combinado usou dezenas de mísseis balísticos e de cruzeiro, 32 mísseis Kh-101, Iskander-M/KN-23/S-400, Oniks e 166 drones de ataque, a maioria do tipo Shahed.
- Até as 08:30 (hora local), a defesa aérea ucraniana havia derrubado ou suprimido 175 alvos: 2 mísseis balísticos, 31 mísseis de cruzeiro e 142 drones.
- Pelas primeiras informações das 08:20, ao menos 2 pessoas morreram em Kiev, ambas no distrito de Solomianskyi, e 10 ficaram feridas; o número de feridos subiu ao longo do dia.
- Destruição e incêndios foram registrados em pelo menos cinco distritos de Kiev: Holosiivskyi, Solomianskyi, Darnytskyi, Podilskyi e Dniprovskyi.
- O ataque ocorreu logo após a saída de Steve Witkoff e Jared Kushner de Kiev, na noite de 6 de setembro, que estiveram na cidade após reuniões com Vladimir Putin em Moscou; uma pausa mútua de três dias nos ataques às capitais havia sido anunciada durante a visita.
- Os principais alvos do ataque foram as regiões de Kiev e Odessa; drones russos também atingiram Boryspil e Fastiv, e um trem de passageiros Kiev–Sumy foi atacado na região de Sumy.
- A Polônia colocou sua aviação militar em alerta e ativou sistemas de defesa aérea e reconhecimento radar em resposta ao ataque, descrevendo as medidas como preventivas.
Por que importa
Foi o maior ataque combinado de mísseis e drones até o momento, envolvendo vários tipos de armamentos lançados de diferentes regiões da Rússia. Ocorreu imediatamente após a visita de enviados americanos a Kiev e Moscou, minando o anúncio de pausa nos ataques às duas capitais. Provocou mortes de civis, danos a prédios residenciais, uma escola, um supermercado, a fachada de uma estação de metrô, o escritório de um canal de TV e um armazém farmacêutico, e fez a Polônia — membro da OTAN — colocar sua aviação militar em alerta, evidenciando o risco de transbordamento para o território da aliança. As cifras de vítimas subiram ao longo do dia, mostrando a continuidade do impacto humano.
O que aconteceu
Na noite de 7 para 8 de setembro, a Rússia lançou um ataque combinado massivo contra Kiev, usando dezenas de mísseis balísticos e de cruzeiro, mísseis antinavio Oniks e 166 drones de ataque (Shaheds a jato e outros tipos). De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, foram disparados mísseis Oniks (das regiões de Bryansk e Kursk e da Crimeia ocupada), mísseis balísticos Iskander-M/S-400/KN-23 (de Voronezh e Bryansk), 32 mísseis de cruzeiro Kh-101 (da região de Vologda, a partir de bombardeiros Tu-95MS e Tu-160MS) e drones lançados das direções de Orel, Primorsko-Akhtarsk, Crimeia e Donetsk. Até as 08:30, a defesa aérea ucraniana havia interceptado ou suprimido 175 alvos — 2 mísseis balísticos, 31 mísseis de cruzeiro Kh-101/Iskander-K e 142 drones.
As primeiras explosões em Kiev foram ouvidas por volta das 03:30 e o alerta aéreo de nível vermelho durou cerca de 8 a 10 horas seguidas. As primeiras informações, por volta das 08:20, registravam 2 mortos — ambos no distrito de Solomianskyi — e 10 feridos; o número de feridos cresceu ao longo do dia. Destruição e incêndios foram registrados em pelo menos cinco distritos: Holosiivskyi, Solomianskyi, Darnytskyi, Podilskyi e Dniprovskyi. No distrito de Holosiivskyi, um míssil balístico atingiu uma construção não residencial de 26 andares no 23º andar, e duas pessoas foram resgatadas de um apartamento de um prédio residencial de 16 andares bloqueado pela onda de choque; incêndios se espalharam de uma garagem para um prédio comercial e um centro de negócios. Em Solomianskyi, escombros caíram sobre um prédio residencial de cinco andares — onde 10 pessoas foram resgatadas — e outro prédio de três andares foi danificado, além de um incêndio em armazém. Nos distritos de Darnytskyi, Podilskyi e Dniprovskyi, houve incêndios em garagens, armazéns e veículos. Mais de 50 objetos foram danificados em Kiev, incluindo edifícios residenciais, um dormitório, uma escola, um supermercado, uma clínica e a fachada da estação de metrô Taras Shevchenko.
A Polônia, em resposta à atividade de aviação de longo alcance russa, subiu sua aviação militar e colocou em alerta sistemas de defesa aérea e reconhecimento radar, descrevendo as medidas como preventivas. Moradores dos voivodados de Lublin e Podkarpackie, na Polônia, receberam alertas de emergência.
O que dizem as fontes ucranianas
Fontes ucranianas destacam o momento político do ataque, classificando-o como um golpe deliberado de Putin logo após a saída dos enviados Witkoff e Kushner de Kiev, rompendo a pausa anunciada. A cobertura dá grande destaque a declarações do presidente Zelensky, do ministro das Relações Exteriores Andrii Sybiha e do ministro do Interior Ivan Vyhyvskyi, e enfatiza a dificuldade de interceptar mísseis balísticos, pedindo o envio de interceptadores e reforços para o sistema antibalístico FREYJA. Reportagens locais detalham ações de resgate por distrito, danos a infraestrutura civil e simbólico (escola, supermercado Varus, canal de TV Mi-Ukraina, estação de metrô Taras Shevchenko) e mencionam a solidariedade ocidental — a mobilização da aviação polonesa e o fato de a embaixadora da UE, Katarina Mathernova, ter passado a noite em um abrigo — como argumento para endurecer sanções e fechar as 'casas russas' na Europa.
O que dizem as fontes internacionais
A cobertura internacional (agências e mídia dos EUA, Reino Unido, Espanha e Azerbaijão) concentra-se no número de civis mortos e feridos, na retomada dos ataques após a pausa ligada à visita dos enviados de Trump e nos riscos de escalada diplomática. As matérias destacam o ataque como uma violação do anunciado cessar-fogo mútuo de três dias e mencionam os ataques russos anteriores às pistas dos aeroportos de Boryspil e Zhuliany na véspera da visita da delegação americana, sem entrar no mesmo nível de detalhe por distrito da imprensa ucraniana.
Onde as versões divergem
As cifras de vítimas em Kiev variaram conforme a fonte e o horário: os relatos iniciais indicavam 2 mortos e 6 a 10 feridos, mas ao longo do dia o número subiu para 5 mortos e 23 a 35 feridos, segundo diferentes agências. O número de distritos de Kiev afetados foi reportado como quatro, cinco ou sete, dependendo da fonte e do momento. Monitoramentos independentes divergiram sobre a quantidade de mísseis balísticos disparados — "mais de dez" ou "mais de vinte". A duração contínua do alerta aéreo de nível vermelho em Kiev foi relatada ora como mais de 8 horas, ora como cerca de 10 horas.
Contexto
Kiev vinha sofrendo ataques quase contínuos de drones desde 27 de agosto de 2025, antes do ataque de 8 de setembro. Em 5 e 6 de setembro de 2025, os enviados especiais dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner reuniram-se com Vladimir Putin em Moscou e com Volodymyr Zelensky em Kiev; uma pausa mútua de três dias nos ataques às duas capitais foi anunciada por ocasião da visita. Os enviados deixaram Kiev na noite de 6 de setembro, e o ataque massivo russo ocorreu logo em seguida. A Ucrânia havia concordado em não atacar Moscou até o fim da segunda-feira, esperando reciprocidade da Rússia.