Rússia lança ataque massivo com mísseis balísticos e drones contra Kiev; 2 mortos e ao menos 8 feridos
Na noite de 23 para 24 de setembro, a Rússia realizou um grande ataque combinado de mísseis balísticos e drones contra Kiev, em três ondas. Segundo a Defesa Civil (SES), duas pessoas morreram — uma mulher de 57 anos no distrito de Podilskyi e um homem de 65 anos no de Solomianskyi — e ao menos oito ficaram feridas. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que o ataque ocorreu enquanto se reunia com seis congressistas americanos em Nova York para discutir sanções contra a Rússia, e pediu mais interceptadores de mísseis balísticos e sanções mais duras.
Pontos principais
- Na noite de 23–24 de setembro, a Rússia lançou três ondas de mísseis balísticos contra Kiev, após um dia inteiro de ataques com drones que já havia ferido 45 pessoas e matado duas.
- A Força Aérea da Ucrânia informou que 227 alvos aéreos foram derrubados ou suprimidos: 4 mísseis Tsirkon, 3 mísseis balísticos Iskander-M/S-400/KN-23, 1 Banderol/Dan-T e 219 drones (Shahed, Gerbera e outros).
- Zelensky afirmou que 60% dos mísseis balísticos direcionados a Kiev foram interceptados e pediu aos EUA o envio de interceptadores e a aplicação de sanções.
- O balanço final da SES registra 2 mortos (mulher de 57 anos em Podilskyi e homem de 65 anos em Solomianskyi) e ao menos 8 feridos, com idades entre 25 e 77 anos, incluindo um policial.
- No distrito de Podilskyi, estilhaços atingiram a área de um hospital maternidade, danificando janelas e parte da fachada do 1º ao 5º andar; um corpo foi encontrado no estacionamento; às 02:05 nasceu um menino no abrigo do hospital, sem feridos entre pacientes e equipe.
- A Rússia utilizou mísseis Tsirkon e Iskander-M/S-400/KN-23, além de 282 drones; Zelensky afirmou que o ataque atingiu edifícios residenciais, o hospital maternidade, instalações energéticas e logísticas.
- O ataque ocorreu horas depois de a Ucrânia ter concordado, na noite de 23 de setembro, com um cessar-fogo total e imediato, e depois que 51 países da ONU pediram à Rússia que fizesse o mesmo.
Por que importa
O ataque é um dos maiores lançamentos combinados de mísseis e drones contra Kiev no período e atingiu infraestruturas civis — incluindo um hospital maternidade, armazéns, edifícios residenciais, um centro de triagem dos correios e um templo. Ocorreu poucas horas depois de a Ucrânia ter concordado com um cessar-fogo total e imediato e de 51 países da ONU terem pedido à Rússia que fizesse o mesmo, sendo interpretado internacionalmente como uma resposta à iniciativa diplomática. Zelensky vinculou o momento do ataque à sua reunião em Nova York com seis congressistas americanos sobre o projeto de lei de sanções Lindsey Graham e usou o episódio para pressionar por mais interceptadores de mísseis balísticos e sanções mais duras. O episódio também fornece um indicador concreto do desempenho da defesa aérea ucraniana, com Zelensky afirmando que 60% dos mísseis balísticos foram interceptados e a Força Aérea reportando 227 alvos aéreos derrubados ou suprimidos.
O que aconteceu
Na noite de 23 para 24 de setembro, a Rússia realizou um grande ataque combinado de mísseis balísticos e drones contra Kiev, após um dia inteiro de ataques com drones à capital. Alertas de ataque aéreo no nível vermelho foram declarados em Kiev e na maior parte dos oblasts por volta de 01:00, quando a Força Aérea registrou o deslocamento de mísseis balísticos das regiões de Poltava e Chernihiv em direção a Kiev. O ataque foi dividido em três ondas de mísseis balísticos. Segundo a Força Aérea, foram utilizados mísseis Tsirkon, Iskander-M/S-400/KN-23 e 282 drones, e 227 alvos aéreos foram derrubados ou suprimidos. Zelensky afirmou que 60% dos mísseis balísticos direcionados a Kiev foram interceptados. A Defesa Civil (SES) reportou duas mortes — uma mulher de 57 anos no distrito de Podilskyi e um homem de 65 anos no de Solomianskyi — e ao menos oito feridos, com idades entre 25 e 77 anos, incluindo um policial. No distrito de Podilskyi, estilhaços atingiram a área do hospital maternidade municipal nº 2 (Mistskyi), danificando janelas e parte da fachada do 1º ao 5º andar, além de portas e o centro de diagnóstico clínico adjacente; quatro carros pegaram fogo no estacionamento, onde um corpo foi encontrado. No distrito de Solomianskyi, armazéns foram parcialmente destruídos e três feridos foram hospitalizados. No distrito de Dnipro, um prédio administrativo de três andares foi danificado e uma pessoa ficou ferida; em outro endereço, uma casa privada foi destruída, uma pessoa foi resgatada e duas casas vizinhas foram danificadas. No distrito de Darnytskyi, estilhaços caíram sobre uma via e três carros foram destruídos. Às 02:05, no abrigo do hospital maternidade de Podilskyi, nasceu um menino; pacientes, crianças e equipe médica não se feriram. Trens do Kyiv City Express foram temporariamente suspensos em ambos os sentidos.
O que dizem as fontes ucranianas
Fontes ucranianas descrevem o ataque como um ataque russo a Kiev com ênfase nos danos à infraestrutura civil: hospital maternidade, edifícios residenciais, armazéns, um centro de triagem da Nova Poshta, o templo Pokrovsky e carros estacionados. Elas destacam a declaração do presidente Zelensky de que o ataque ocorreu enquanto ele se reunia em Nova York com seis congressistas americanos — Brian Fitzpatrick, Michael Quigley, Marcy Kaptur, Jared Golden, Joe Wilson e Gregory Meeks — para discutir o projeto de lei Lindsey Graham, e o chamado a interceptadores de mísseis balísticos e sanções mais duras. Várias matérias relatam o detalhe humano de um menino nascido às 02:05 no abrigo do hospital maternidade, sem feridos entre pacientes e equipe. As fontes contextualizam o ataque como ocorrido horas depois de a Ucrânia ter concordado com um cessar-fogo total e imediato e de 51 países da ONU terem pedido à Rússia que fizesse o mesmo, enquadrando o ataque como uma resposta à iniciativa diplomática; o chanceler Andrii Sybiha é citado afirmando que a diplomacia ativa precisa ser acompanhada de pressão esmagadora sobre a Rússia.
O que dizem as fontes internacionais
A cobertura internacional destaca os fatos básicos — ataque com mísseis balísticos russos a Kiev, dois mortos e seis ou oito feridos — e os danos à fachada do hospital maternidade e um corpo encontrado em seu estacionamento. Agências de notícias em inglês e alemão noticiaram o número de 2 mortos e 6 feridos segundo Klitschko, enquanto reportes posteriores em língua russa e ucraniana e a Defesa Civil (SES) consolidaram o número em 2 mortos e ao menos 8 feridos. A cobertura inclui a alegação do Ministério da Defesa da Rússia de que os ataques tiveram como alvo instalações do complexo militar-industrial e centros de comunicações e logística em Kiev e no oblast de Odessa, fornecendo uma justificativa oficial russa que não aparece nas fontes ucranianas. Observações de correspondentes da AFP sobre cerca de dez explosões potentes em Kiev e contagens de canais de monitoramento de aproximadamente 14 a 20 mísseis em três ondas aparecem mais nas agências internacionais do que na imprensa doméstica ucraniana. Também ganha destaque a declaração do presidente da Eslováquia, Peter Pellegrini, no Conselho de Segurança da ONU, acusando a Rússia de mirar deliberadamente alvos civis — em contraste com a posição do primeiro-ministro Robert Fico — e a declaração do chanceler russo Sergei Lavrov de que a Rússia não vai pausar a guerra.
Onde as versões divergem
Os números de vítimas evoluíram ao longo da noite: o prefeito Klitschko relatou inicialmente 1 morto e 2 feridos, depois 2 mortos e 6 feridos, e em seguida 2 mortos e 8 feridos; o número final da Defesa Civil (SES) ficou em 2 mortos e ao menos 8 feridos, e algumas manchetes usaram 2 mortos/6 feridos, enquanto outras usaram 2 mortos/8 feridos. Estimativas do número de mísseis disparados contra Kiev também diferem: canais de monitoramento reportaram cerca de 20 mísseis no total, enquanto canais militares no Telegram informaram ao menos 14 mísseis distribuídos nas três primeiras ondas de ataque. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que os ataques tiveram como alvo instalações do complexo militar-industrial e centros de comunicações e logística em Kiev e no oblast de Odessa, enquanto autoridades ucranianas descreveram os alvos principais como edifícios residenciais, um hospital maternidade e instalações energéticas e logísticas a serviço da população civil.
Contexto
Uma longa série de ataques russos de longo alcance a cidades ucranianas precedeu este ataque, incluindo um ataque de drones durante todo o dia 23 de setembro a Kiev que feriu 45 pessoas e matou duas. Em 18 de setembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, sancionou um projeto de lei coautoria do senador Lindsey Graham que impõe tarifas de até 100% sobre países que comprem recursos energéticos russos. Em 22 de setembro, Trump confirmou disposição de conceder à Ucrânia uma licença para produzir mísseis do sistema de defesa aérea Patriot; Zelensky afirmou que a Ucrânia atualmente recebe mísseis de defesa aérea um ou dois de cada vez devido à escassez global. Na noite de 23 de setembro, 51 países-membros da ONU pediram conjuntamente à Rússia que concordasse com um cessar-fogo total, imediato e incondicional, depois de a Ucrânia ter concordado.