Publicado em · Atualizado em

Zelensky diz que parceiros não avisaram a Ucrânia antes de ataque com mísseis balísticos a Kiev

O presidente Volodymyr Zelensky afirmou em redes sociais, em 13 de outubro, que os parceiros da Ucrânia não avisaram antecipadamente sobre o ataque russo com cinco mísseis balísticos que atingiu infraestruturas civis em Kiev na noite de 12 de outubro. O episódio ocorre após Trump ter anunciado um suposto "cessar-fogo energético", que Moscou não confirmou, e em meio a relatos de que os EUA ameaçaram suspender o compartilhamento de informações se Kiev continuar atacando refinarias russas.

Pontos principais

  • Cinco mísseis balísticos atingiram infraestruturas civis em Kiev na noite de 12 de outubro, por volta das 22h10
  • Zelensky disse que os parceiros não avisaram a Ucrânia antecipadamente sobre o ataque, sem especificar quais
  • Zelensky afirmou que a Ucrânia não atacou refinarias e infraestrutura energética russas por dois dias após Trump anunciar um "cessar-fogo energético", enquanto a Rússia continuava atacando 19 regiões
  • A Força Aérea da Ucrânia informou que os alvos balísticos foram detectados por radar apenas durante o ataque, sem informação prévia sobre lançamentos
  • O ministro das Relações Exteriores, Andriy Sybiha, afirmou que a Ucrânia continua recebendo inteligência dos EUA, contradizendo especulações sobre um corte
  • Kharkiv registrou quatro mortos e 41 feridos em uma noite; ataques também atingiram Rivne (14 feridos), Lviv, Fastiv e Darnytsia, em Kiev
  • Zelensky declarou que a Ucrânia está pronta para medidas múttas de desescalada, mas que é necessária pressão efetiva sobre a Rússia

Por que importa

A declaração vincula a falta de aviso antecipado a um ataque específico à capital, levantando questões sobre o compartilhamento de inteligência entre aliados em um momento sensível das relações entre EUA e Ucrânia. O episódio ocorre em meio a relatos de que Washington ameaçou suspender o compartilhamento de inteligência e a compra de armas se Kiev continuar atacando refinadoras russas, o que faz o episódio ser lido nesse contexto. A vulnerabilidade técnica ficou evidente: mísseis S-400 lançados da região de Bryansk podem chegar a Kiev em menos de dois minutos. Ao mesmo tempo, Zelensky destacou a assimetria de um suposto cessar-fogo energético, e o ministro das Relações Exteriores confirmou publicamente que o compartilhamento de inteligência com os EUA continua, contrariando especulações.

O que aconteceu

Na noite de 12 de outubro, por volta das 22h10, a Rússia atingiu Kiev com cinco mísseis balísticos que acertaram infraestruturas civis, segundo a Força Aérea da Ucrânia. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou em publicação nas redes sociais, em 13 de outubro, que os parceiros da Ucrânia não avisaram antecipadamente sobre o ataque, sem especificar quais parceiros eram esperados nem a razão da ausência de aviso. A Força Aérea informou que os alvos balísticos foram detectados por radar apenas durante o próprio ataque, sem informação prévia sobre lançamentos a partir do território russo, e que o alerta soou durante a incursão, situação semelhante, segundo o porta-voz Yuriy Ihnat, a casos anteriores. Zelensky também disse que, nos dois dias seguintes ao anúncio de um "cessar-fogo energético" feito pelo presidente dos EUA Donald Trump, a Ucrânia se absteve de atacar refinarias e instalações de energia russas enquanto a Rússia continuou atingindo infraestrutura energética e crítica ucraniana, com 19 regiões sob ataque. O ministro das Relações Exteriores Andriy Sybiha afirmou no Fórum de Segurança de Varsóvia que a Ucrânia continua recebendo inteligência dos EUA, e o conselheiro presidencial Serhiy Beskrestnov (Flash) acrescentou que a não detecção de lançamentos de S-400 pelos parceiros já ocorreu antes. Zelensky também relatou que partes significativas dos meios de ataque foram abatidos, mas não todos; em Kharkiv, um prédio residencial foi destruído, com quatro mortos e 41 feridos em uma única noite, e outros ataques atingiram Darnytsia (Kiev), o distrito de Fastiv (região de Kiev), uma instituição educacional em Rivne (14 feridos) e um prédio residencial em Murovane, perto de Lviv.

O que dizem as fontes ucranianas

As fontes ucranianas centram a cobertura no pronunciamento de Zelensky nas redes sociais e no impacto humano da'attaque, situando o episódio logo após o anúncio por Trump de um "cessar-fogo energético" que Moscou não confirmou. Várias matérias amplificam reassurancees oficiais de que o compartilhamento de inteligência com os EUA continua (Sybiha em Varsóvia) e reproduzem o aviso do Centro de Combate à Desinformação contra especulações online sobre um corte na transferência de inteligência. Vozes militares e parlamentares — Ihnat, Beskrestnov, o chefe do subcomitê de segurança cibernética Fedienko e o blogueiro militar Serhiy Misiura — fornecem contexto técnico (curto tempo de voo dos S-400 a partir de Bryansk, múltiplas fontes de inteligência além dos EUA, casos anteriores semelhantes) para explicar a falta de aviso sem apontar para uma ruptura política.

O que dizem as fontes internacionais

As duas fontes não ucranianas (uma agência do Azerbaijão e uma reportagem da mídia dos EUA) destacam principalmente a declaração de Zelensky sobre a ausência de inteligência dos parceiros antes do ataque, enquadrando o evento como um pronunciamento do presidente ucraniano mais do que como um relato do impacto do ataque. Elas trazem menos detalhes sobre o contexto político doméstico e a desinformação (Centro de Combate à Desinformação, vozes parlamentares, balanços detalhados de vítimas em Kharkiv, Rivne e Lviv) que dominam a cobertura em ucraniano, e não dão destaque central à assimetria do suposto "cessar-fogo energético".

Onde as versões divergem

Há divergência sobre se os Estados Unidos ameaçaram suspender o compartilhamento de inteligência com a Ucrânia caso Kiev continue atacando a infraestrutura energética russa. CNN e Financial Times, citando funcionários europeus, relataram esse tipo de ameaça; já fontes da Reuters, incluindo uma presente na reunião de 9 de outubro na Flórida entre Steve Witkoff, Jared Kushner e a equipe ucraniana, negaram que tenham ocorrido ameaças de cortar ajuda. Também há divergência sobre se o atraso no alerta aéreo se deve ao uso pela Rússia de um "tipo especial de armamento", como afirmou Sybiha, ou a uma lacuna real no alerta antecipado fornecido por parceiros, como sugere a leitura da declaração de Zelensky.

Contexto

Em 11 de outubro, o presidente dos EUA Donald Trump anunciou em uma rede social que ambos os lados haviam concordado com um "cessar-fogo energético" com efeito imediato; Moscou não confirmou a alegação, e o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou apenas que "os contatos sobre o assunto continuam". Reportagens da CNN e do Financial Times, citando funcionários europeus, disseram que a administração Trump advertiu a Ucrânia e aliados europeus de que Washington poderia suspender o compartilhamento de inteligência e interromper compras europeias de armas americanas para a Ucrânia se Kiev não parasse os ataques a alvos energéticos no interior da Rússia. Já fontes da Reuters, incluindo uma presente na reunião de 9 de outubro na Flórida com Witkoff e Kushner, negaram que tenham sido feitas ameaças de cortar ajuda militar. O Institute for the Study of War (ISW) avaliou, em relatório de 11 de outubro, que uma suspensão temporária do compartilhamento de inteligência pelos EUA em março de 2025 permitiu à Rússia avançar na região de Kursk, e que o cessar-fogo energético, em sua forma atual, daria uma vantagem significativa à Rússia sem oferecer nada em troca à Ucrânia.