Zelensky propõe cessar ataques a refinarias russas se Moscou parar de bombardear energia ucraniana
Em 11 de outubro de 2026, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Ucrânia está pronta para interromper ataques contra refinarias de petróleo russos caso a Rússia cesse os bombardeios contra a infraestrutura energética ucraniana. Ele condicionou qualquer passo de desescalação a reciprocidade e garantias concretas,指责ando a Putin de bloquear um acordo que, segundo ele, já seria possível hoje.
Pontos principais
- Zelensky propôs em 11 de outubro cessar ataques a refinarias russas se a Rússia interromper os ataques à infraestrutura energética da Ucrânia
- Ele condicionou qualquer desescalação a reciprocidade e a garantias reais
- Zelensky afirmou que é possível parar os ataques a instalações energéticas hoje, mas que Putin não quer fazê-lo
- Em uma semana, segundo Zelensky, a Rússia lançou cerca de 1.450 bombas aéreas, 75 mísseis e mais de 1.640 drones de ataque (cerca de 60% a jato) contra a Ucrânia
- As buscas em Zaporíjia foram concluídas após um ataque russo que matou 23 pessoas, incluindo quatro crianças
- Zelensky relatou um ataque russo a um prédio de cinco andares em Sloviansk, que destruiu completamente uma entrada, com possíveis pessoas sob os escombros
- Zelensky disse que seguirá coordenando com líderes europeus apoio de defesa, com foco em sistemas de defesa antiaérea e munições para aviação de combate
Por que importa
A declaração marca a primeira oferta explícita e condicional de reciprocidade da Ucrânia sobre ataques a infraestrutura energética, posicionando Kiev como proponente de desescalação em meio à pressão de Washington para interromper ataques a refinarias russas. Ao vincular qualquer passo a garantias concretas, Zelensky estabelece uma linha vermelha pública nas negociações. Ao mesmo tempo, o volume semanal de ataques russos que ele cita — 1.450 bombas aéreas, 75 mísseis e mais de 1.640 drones — dimensiona a intensidade da bombardaria em curso, e o destaque à coordenação com líderes europeus sugere um pivô de alinhamento caso o apoio dos EUA enfraqueça.
O que dizem as fontes ucranianas
Fontes ucranianas enquadram a oferta como reciprocidade mútua, não como concessão unilateral, e enfatizam a continuidade dos ataques russos a alvos civis e energéticos durante a semana — incluindo Zaporíjia, com 23 mortos, uma unidade médica em Kharkiv e um prédio em Sloviansk. Elas destacam a coordenação com líderes europeus em defesa antiaérea e munições de aviação, apresentando uma narrativa de aproximação com a Europa caso o apoio dos EUA oscile. Ao mesmo tempo, caracterizam o acordo EUA-Rússia sobre diesel como 'fraqueza' americana e 'presente' a Putin, enquadrando Trump como alguém que pressiona Kiev enquanto recompensa Moscou, e citam a rejeição russa a negociações de paz (via Ushakov) e o fim prematuro das conversas em Miami para retratar Moscou como desinteressada em desescalação apesar da oferta ucraniana.
O que dizem as fontes internacionais
A única agência internacional entre as fontes (APA, do Azerbaijão) dá destaque à oferta condicional de Zelensky e situa o pronunciamento no contexto da ligação Trump-Putin, do acordo EUA-Rússia sobre diesel, das críticas de Zelensky ao 'presente de aniversário para Putin' e do fim prematuro das conversas em Miami. O balanço semanal de ataques russos, os detalhes de vítimas em Zaporíjia/Kharkiv/Sloviansk e o tema da coordenação com a Europa — centrais na cobertura ucraniana — ficam de fora dessa enquadramento.
Onde as versões divergem
Há divergência sobre se os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner avisaram que Trump poderia suspender o compartilhamento de inteligência com a Ucrânia caso Kiev ignorasse suas exigências — alguns relatos atribuem o alerta a fontes próximas à Ucrânia, enquanto um funcionário americano nega que tenha sido feita tal ameaça, dizendo que eles enfatizaram a importância da parceria EUA-Ucrânia e pediram que Kiev evitasse ações que prejudicassem consumidores americanos. Também há divergência sobre se a oferta de Zelensky constitui mudança de posição: um alto funcionário ucraniano disse ao Financial Times que a Ucrânia seguirá atacando refinarias russas apesar da decisão de Washington, enquanto Zelensky condicionou publicamente qualquer interrupção à reciprocidade russa.
Contexto
Os ataques russos a infraestrutura energética ucraniana permanecem como objetivo declarado de guerra e têm impulsionado investidas recorrentes a geração e transmissão de energia. Ataques ucranianos de longo alcance com drones a refinarias russas são uma característica recorrente do conflito e fonte de atrito com Washington por causa dos preços globais do diesel. Em 9 de outubro, Trump e Putin tiveram uma ligação após a qual Trump anunciou acordo para suspender sanções ao diesel russo e fornecer milhões de toneladas aos mercados americano e mundial; o Tesouro americano emitiu licença temporária autorizando as operações até abril de 2027. A Ucrânia qualificou publicamente o arranjo como 'fraqueza' americana e 'presente' a Putin, enquanto a UE afirmou que não é hora de reduzir a pressão sobre a Rússia. Conversas multilaterais em Miami entre autoridades ucranianas, americanas e europeias terminaram antes do previsto, com a delegação ucraniana retornando em 10 de outubro. Assessor presidencial russo Yuri Ushakov disse que Putin rejeitou negociações de paz na ligação com Trump e insistiu que a Rússia seguirá com operações de combate até atingir 'todos os seus objetivos'.