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Ministro ucraniano diz que mega-ataque russo à energia é rejeição de cessar-fogo proposto pelos EUA

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiha, afirmou em 14 de outubro que a vasta ofensiva russa com mísseis e drones contra a infraestrutura energética representa uma rejeição, por parte do governo russo, do cessar-fogo energético proposto pelos Estados Unidos. O ataque matou cinco pessoas em Kiev, danificou todas as termoelétricas da capital e deixou mais de 600 mil ucranianos sem eletricidade.

Pontos principais

  • Sybiha: ataque mostra que Putin rejeita cessar-fogo energético proposto pelos EUA
  • Ataque usou 39 mísseis balísticos e 128 drones durante a noite
  • Todas as termoelétricas de Kiev foram atingidas, segundo o premiêmero Serhiy Koretsky
  • Mais de 600 mil ucranianos ficaram sem eletricidade
  • Ucrânia reivindica sanções mais duras e sistemas adicionais de defesa antiaérea
  • Trump anunciou 'cessar-fogo energético' em 11 de outubro após telefonema com Putin; Kremlin disse em 14 de outubro que ainda não recebeu detalhes concretos

Por que importa

O episódio é interpretado pela chancelaria ucraniana como um sinal diplomático direto a Washington: para Kiev, o Kremlin não apenas ignorou o 'cessar-fogo energético' anunciado por Trump em 11 de outubro, como o confrontou abertamente. O ataque atingiu todas as termoelétricas da capital e mais de duas dezenas de instalações do setor elétrico, deixando centenas de milhares de pessoas sem energia e matando civis — incluindo moradores de um prédio residencial. Kiev cobra de seus parceiros sanções mais duras e entregas urgentes de defesa antiaérea, em meio a indícios de queda de tensão com os EUA e dúvidas sobre o fornecimento contínuo de inteligência militar americana.

O que aconteceu

Na noite de 13 de outubro e na madrugada de 14 de outubro de 2026, a Rússia desfergiu uma das maiores ofensivas contra a rede elétrica ucraniana desde o início da guerra, com 39 mísseis de trajetória balística e 128 drones. As principais cidades-alvo foram Kiev, a região de Kiev e Kharkiv. Um dos mísseis atingiu um prédio residencial de vários andares. A defesa antiaérea informou ter interceptado quatro mísseis e cerca de 90% dos drones. O balanço inicial registra cinco mortos na capital, além de vítimas em Dnipropetrovsk, Zaporijjia e Lutsk, onde um ataque com drones a um armazém de alimentos deixou seis mortos. Segundo o presidente Volodymyr Zelensky, 26 instalações do setor elétrico e quatro do complexo de petróleo e gás foram atingidas; o premiêmero Serhiy Koretsky afirmou que todas as termoelétricas (TETs) de Kiev e outras infraestruturas energéticas da capital foram atingidas. O operador DTEK reportou cortes emergenciais em cinco distritos, deixando mais de 600 mil pessoas sem eletricidade. O chefe da Ukrenergo, Vitalii Zaichenko, descreveu o ataque como um dos mais massivos já sofridos pelas instalações da empresa, atingindo principalmente subestações elétricas, com perda de equipamentos.

O que dizem as fontes ucranianas

A leitura oficial de Kiev enfatiza o sinal diplomático a Washington. Para Sybiha, o ataque demonstra que Putin desafia abertamente os EUA e despreza qualquer tentativa de pôr fim à guerra. Autoridades ucranianas acusaram os EUA de ajudar a Rússia, citando casos em que avisos antecipados sobre lançamentos de mísseis russos não teriam sido repassados e menções a uma possível redução no serviço Starlink usado em posições de frente, o que, segundo Kiev, prejudicaria a defesa contra drones. O governo ucraniano reivindica dos parceiros sanções mais severas, aplicação mais rigorosa e entregas imediatas de sistemas adicionais de defesa antiaérea.

O que dizem as fontes internacionais

O Kremlin, por meio do porta-voz Dmitry Peskov, afirmou em 14 de outubro que Moscou 'ainda não recebeu' detalhes específicos sobre o cessar-fogo energético anunciado por Trump em 11 de outubro. O Ministério da Defesa russo declarou ter realizado um 'ataque em larga escala com armas de alta precisão' contra alvos de infraestrutura energética e de comunicações. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, pediu aos países-membros que intensifiquem o apoio para reforçar a defesa antiaérea da Ucrânia, especialmente com a aproximação do inverno.

Contexto

Em 11 de outubro, após uma conversa telefônica com Vladimir Putin, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um chamado cessar-fogo energético, dizendo que estava em vigor 'a partir deste momento' e que ambos os lados concordaram. Segundo o Financial Times, a Ucrânia afirmou não ter sido informada desse acordo com antecedência. Em 14 de outubro, o Kremlin afirmou ainda não haver recebido informações concretas sobre esse anúncio. O ataque da noite de 13 para 14 de outubro ocorreu nesse contexto, segundo a chancelaria ucraniana. A Rússia lançou sua maior ofensiva combinada contra o sistema elétrico desde o fim da última temporada de aquecimento em 30 de setembro, e em 8 de outubro houve ataque a linhas de transmissão de alta tensão e à usina de Trypilska. Em julho de 2026, Zaichenko, da Ukrenergo, informou que o número de atingimentos a instalações energéticas cresceu 36% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período de 2025, com ataques concentrados (20 a 25 drones por alvo, contra 3 a 4 no início da guerra em grande escala) e prejuízos acumulados da ordem de 90 bilhões de grívnias.