Parlamento Europeu pede aceleração do apoio a ciberataques da Ucrânia e nova postura de dissuasão contra a Rússia
Em relatório divulgado após a sessão plenária de 15 de setembro, o Parlamento Europeu recomendou acelerar o apoio à Ucrânia para fortalecer suas capacidades cibernéticas ofensivas. Os eurodeputados pedem que a UE abandone a postura puramente defensiva e adote a dissuasão ativa, incluindo a avaliação de mecanismos jurídicos e operacionais para medidas ofensivas contra a infraestrutura logística e digital usada por Moscou.
Pontos principais
- Parlamento Europeu recomendou acelerar apoio à Ucrânia para fortalecer suas capacidades cibernéticas ofensivas
- Deputados pedem estratégias para prevenir sabotagem física e cibernética de sistemas críticos como energia e comunicações
- Parlamento considera a Rússia a principal ameaça externa à segurança e à integridade democrática da Europa
- Texto reafirma a posição de que a Rússia é um Estado patrocinador do terrorismo
- Parlamento defende transição da UE do 'modo de defesa' para a dissuasão ativa, com avaliação de mecanismos ofensivos
- Apoio ao aumento do orçamento e do mandato operacional da ENISA, a agência de cibersegurança da UE
Por que importa
O relatório sinaliza uma possível mudança na política da UE, deixando de se limitar a medidas defensivas para considerar apoio a operações cibernéticas ofensivas. A proposta amplia o quadro de apoio à Ucrânia para além da assistência militar convencional, incluindo capacidades cibernéticas, e propõe mudanças institucionais concretas, como o reforço do orçamento e do mandato da ENISA.
O que aconteceu
Em relatório divulgado após a sessão plenária de 15 de setembro, o Parlamento Europeu recomendou acelerar o apoio à Ucrânia para fortalecer suas capacidades cibernéticas ofensivas. Os eurodeputados pedem que a UE transite do 'modo de defesa' para a dissuasão ativa, o que inclui a avaliação de mecanismos jurídicos e operacionais para medidas ofensivas contra a infraestrutura logística e digital por trás das ações desestabilizadoras de Moscou. O Parlamento também defende o desenvolvimento de estratégias para prevenir sabotagens físicas e cibernéticas contra sistemas críticos, como energia e comunicações, e apoia o aumento do orçamento e a expansão do mandato operacional da ENISA, a Agência da União Europeia para a Cibersegurança. O texto reafirma que a Rússia é a principal ameaça externa à segurança e à integridade democrática da Europa e mantém a posição de que Moscou é um Estado patrocinador do terrorismo.
O que dizem as fontes ucranianas
A cobertura das mídias ucranianas âncora a notícia no ângulo de que o Parlamento Europeu está pedindo ajuda para a realização de ciberataques, ou seja, capacidades cibernéticas ofensivas, enquadrando a decisão principalmente como apoio direto à Ucrânia. A Rússia é apresentada como pano de fundo que justifica a mudança de postura, com a Ucrânia como beneficiária nomeada da assistência acelerada.
Contexto
A OTAN registrou mais de 200 incidentes híbridos russos contra países-membros no ano passado, segundo dados citados no relatório. Em 11 de setembro, uma comuna francesa da Borgonha relatou ter recebido centenas de milhares de ciberataques em uma única semana, com requisições originadas em sua maioria da Rússia. O Parlamento Europeu identificou Ucrânia, Moldávia, Armênia, Geórgia e países dos Bálcãs Ocidentais como os principais alvos de operações de informação russas e chinesas voltadas a desacreditar a UE.