Anticorrupção da Ucrânia expõe esquema de desvio de 2,88 bilhões de hryvnias em produtos da Ukrnafta
As autoridades anticorrupção da Ucrânia (NABU e SAPO) anunciaram a exposição de um grupo organizado suspeito de se apropriar de 100 mil toneladas de produtos petrolíferos da Ukrnafta, avaliados em mais de 2,88 bilhões de hryvnias. Quatro pessoas foram notificadas como suspeitas no primeiro episódio do caso, que investiga um esquema multimilionário de desvio de combustível da maior empresa petrolífera do país.
Pontos principais
- NABU e SAPO anunciaram a exposição de um grupo organizado suspeito de se apropriar de 100 mil toneladas de produtos petrolíferos da Ukrnafta.
- O valor estimado do combustível desviado ultrapassa 2,88 bilhões de hryvnias.
- Quatro pessoas foram notificadas como suspeitas no primeiro episódio do caso.
- Os suspeitos incluem o empresário Mykhailo Kiperman, o ex-chefe do conselho da NPK-Halychyna Bohdan Baradnyi, o coproprietário da Rozhniativnafta Yevhen Krychevskyi e o ex-vice-presidente da Ukrnafta Feliks Luniov.
- O vice-chefe comercial da Ukrtaftanfta Andrii Pinchuk, cidadão de outro país, também é alvo; a notificação foi encaminhada ao país dele para entrega via cooperação internacional.
- Segundo a NABU, o esquema operou entre 2017 e 2020 e desviou cerca de 20% do combustível vendido nos postos da Ukrnafta no período.
- Os recursos eram redirecionados para empresas controladas pelos organizadores, incluindo offshores em Chipre, Belize, São Cristóvão e Névis e Ilhas Virgens Britânicas.
Por que importa
O caso mira o que os investigadores descrevem como um esquema de múltiplos episódios contra a Ukrnafta, a maior empresa de produção de petróleo da Ucrânia. O valor estimado do desvio — mais de 2,88 bilhões de hryvnias — o coloca entre os maiores casos de corrupção anunciados publicamente pelos órgãos anticorrupção ucranianos. A NABU afirma que o suposto esquema envolveu o desvio de cerca de 20% do combustível vendido na rede de postos da Ukrnafta durante o período de operação. A investigação conta com apoio operacional do SBU, enquanto a NABU também diz ter detectado um vazamento de informações do caso que pode envolver um funcionário do SBU. Entre os suspeitos estão ex-executivos da Ukrnafta e figuras descritas como controladores de partes do setor petrolífero ucraniano.
O que aconteceu
A NABU e a SAPO anunciaram a exposição de um grupo organizado suspeito de se apropriar de 100 mil toneladas de produtos petrolíferos da Ukrnafta, avaliados em mais de 2,88 bilhões de hryvnias. No primeiro episódio do caso, quatro pessoas foram notificadas como suspeitas: o empresário Mykhailo Kiperman, o ex-chefe do conselho da NPK-Halychyna Bohdan Baradnyi, o coproprietário da Rozhniativnafta Yevhen Krychevskyi e o ex-vice-presidente da Ukrnafta Feliks Luniov. O vice-chefe comercial da Ukrtaftanfta Andrii Pinchuk, cidadão de outro país, também é alvo; a notificação de suspeita foi elaborada e encaminhada ao país dele para entrega no âmbito da cooperação internacional.
Segundo a NABU, entre 2017 e 2020 os participantes do esquema desenvolveram o primeiro episódio de uma operação multimilionar de apropriação de produtos petrolíferos da Ukrnafta. O combustível era transferido a empresas controladas pelos organizadores por meio de contratos de comissão para posterior revenda, parte dele sendo vendido a empresas relacionadas que o comercializavam no atacado e no varejo pela rede de postos. Os valores obtidos, em desacordo com as condições contratuais e a legislação, não eram devolvidos à Ukrnafta, mas repassados para contas de empresas controladas, inclusive no exterior. Para ocultar os beneficiários finais, foi utilizada uma rede de offshores em Chipre, Belize, São Cristóvão e Névis e Ilhas Virgens Britânicas. O volume de produtos petrolíferos apropriados equivale a quase 20% de todo o combustível vendido nos postos da Ukrnafta no período do esquema. A investigação conta com apoio operacional do SBU. A NABU e a SAPO também apuram a possível apropriação de ativos da Ukrnafta em períodos posteriores.
Os investigadores da NABU identificaram um vazamento de informações sobre o andamento da investigação; segundo a versão dos investigadores, um funcionário do SBU em cargo de chefia, cujo departamento acompanhava o caso, pode estar envolvido na divulgação.
Contexto
A Ukrnafta é a maior empresa de produção de petróleo da Ucrânia e também opera sua própria rede de postos de combustível. Segundo os dados apresentados, a empresa assumiu a gestão dos ativos da rede Glusco em 2024 e concluiu a aquisição do negócio varejista de combustíveis da Shell na Ucrânia em 2025, junto à Shell Overseas Investments BV. O lucro líquido da Ukrnafta em 2025 caiu para 5,6 bilhões de hryvnias, ante 16,3 bilhões no ano anterior, enquanto a receita recuou 5,3%, para 99,4 bilhões de hryvnias. A Ukrnafta explora 1.807 poços de petróleo e 164 poços de gás. De acordo com a NABU, o primeiro episódio do esquema foi planejado e executado entre 2017 e 2020, com os recursos canalizados por offshores em Chipre, Belize, São Cristóvão e Névis e Ilhas Virgens Britânicas. A NABU e a SAPO afirmam que também apuram a possível apropriação de ativos da Ukrnafta em períodos posteriores.