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Radio Liberty examina drone 'Hera-4' usado em ataques a Kiev e identifica motor chinês

Jornalistas do projeto "Skhemy", da Radio Liberty, examinaram um drone kamikaze russo modelo "Hera-4", variante a jato do Shahed, montado na zona econômica especial de Alabuga, na Tartária. O estudo com especialistas identificou o motor turbojato chinês TG-2000 e componentes estrangeiros — em sua maioria chineses, mas também ocidentais — além de recursos que dificultam a guerra eletrônica ucraniana, como antena CRPA e slots para modems GSM.

Pontos principais

  • O "Hera-4" é um drone kamikaze russo a jato, também chamado Shahed, usado em ataques em massa contra Kiev e a região de Kiev.
  • Foi montado na zona econômica especial "Alabuga", na Tartária, Rússia.
  • O motor é o turbojato chinês TG-2000, comercializado como produto civil para aeromodelismo e aviação esportiva.
  • O drone atinge altitude de até 8 km e velocidade de 450–500 km/h, possivelmente maior.
  • Um drone "Hera" foi documentado voando da Crimeia até Lutsk, indicando alcance superior a 700 km.
  • A ogiva pesa até 90 kg e a bordo há componentes da Texas Instruments (EUA).
  • Antena CRPA de 16 canais e dois modems GSM com chips diferentes tornam a neutralização por guerra eletrônica mais difícil.

Por que importa

A análise revela em detalhe a composição técnica de um drone de ataque russo modernizado, empregado contra a capital ucraniana. Documenta a dependência de componentes estrangeiros — majoritariamente chineses, mas também ocidentais — em uma plataforma armada montada na Rússia, e destaca recursos de evasão, como antena CRPA e slots para modems GSM, que dificultam a defesa aérea e a guerra eletrônica da Ucrânia. Oferece, ainda, evidência de código aberto da participação chinesa em uma arma usada contra uma capital europeia.

O que aconteceu

Jornalistas do projeto "Skhemy", da Radio Liberty, com o apoio de especialistas, examinaram um exemplar intacto do drone kamikaze a jato russo "Hera-4", variante do Shahed, e descreveram seus componentes, capacidades e procedência. O aparelho é montado na zona econômica especial "Alabuga", na Tartária, e propulsionado pelo turbojato chinês TG-2000, especificado pelo fabricante com vida útil de 30 horas e vendido na China entre US$ 20 mil e US$ 25 mil — bem abaixo dos cerca de US$ 65 mil praticados em classificados ucranianos. O conjunto permite voo a até 8 km de altitude e 450–500 km/h, com um caso documentado de uma unidade "Hera" voando da Crimeia até Lutsk, o que sugere alcance superior a 700 km. A ogiva pesa até 90 kg. A bordo foram identificados componentes predominantemente chineses, mas também da empresa americana Texas Instruments nos computadores de bordo, além de uma câmera com canais diurno, noturno e infravermelho, zoom óptico de 10× e digital de 32×, e um modem Mesh chinês de 300 km que pode funcionar como retransmissor. Uma antena CRPA protegida de 16 canais e dois modems GSM com cartões SIM diferentes ampliam a resistência à guerra eletrônica e permitem controle em tempo real. A gravação de fábrica na tampa do slot da câmera estava em russo: "Mini-butbrod". O material também menciona ataques massivos de drones russos contra Kiev e a região de Kiev na noite de 18 de setembro.

Onde as versões divergem

As fontes apontam uma diferença marcante no preço do motor TG-2000: de acordo com a Radio Liberty, o componente custa entre US$ 20 mil e US$ 25 mil na China, enquanto classificados ucranianos o oferecem por cerca de US$ 65 mil.

Contexto

O "Hera-4" é a versão a jato dos drones kamikaze do tipo Shahed que a Rússia emprega em ataques massivos contra cidades ucranianas. É montado na zona econômica especial de Alabuga, na Tartária (Rússia). O motor chinês TG-2000 utilizado no drone é comercializado como produto civil para aeromodelismo e aviação esportiva.