Rússia constrói fábricas subterrâneas em Alabuga para proteger produção de drones Shahed
Imagens de satélite analisadas pelo analista de OSINT Dnipro Osint (Гарбуз) revelam que a Rússia está construindo instalações subterrâneas de produção na Zona Econômica Especial de Alabuga, em Tartaristão, para proteger a fabricação de drones Shahed/Geran contra ataques ucranianos. Segundo a avaliação, a área subterrânea já soma cerca de 42 mil metros quadrados. Alabuga hospeda a maior fábrica de drones da Rússia, com capacidade de até 11 mil drones por mês.
Pontos principais
- Satélites mostram construção subterrânea em Alabuga cobrindo cerca de 42.000 m², segundo Dnipro Osint
- Dnipro Osint (Гарбуз) publicou as imagens em 19 de setembro de 2026
- Alabuga monta drones Geran (cópia russa dos Shahed iranianos) e Gerbera, com capacidade de até 11.000 drones por mês
- Sistema de defesa de dois níveis com torres e redes metálicas está sendo construído para proteger o complexo de drones e mísseis de cruzeiro
- Em abril de 2024, drone ucraniano atingiu dormitório do Alabuga Polytech e feriu 13 pessoas; decisão de mover produção para o subsolo teria vindo após esses ataques
- ISIS avalia que estruturas de torres reticuladas podem defender as instalações contra ataques de drones e mísseis de cruzeiro
Por que importa
A construção subterrânea mostra que a Rússia está adaptando sua produção de drones de ataque em resposta à crescente ameaça dos ataques de longo alcance da Ucrânia. Endurecer Alabuga torna o sítio mais resistente a novos golpes ucranianos, com implicações diretas para a defesa aérea e a proteção de cidades ucranianas.
O que aconteceu
O analista de OSINT Dnipro Osint (conhecido como Гарбуз) publicou em 19 de setembro de 2026 imagens de satélite que mostram a Rússia erguendo instalações subterrâneas na Zona Econômica Especial de Alabuga, em Tartaristão, para blindar a produção de drones Shahed contra ataques ucranianos. A área subterrânea já é estimada em aproximadamente 42 mil metros quadrados. Imagens de satélite de fim de agosto registraram ao menos dez novos galpões e dezenas de armazéns em construção. Em agosto, satélites também captaram um sistema de defesa de dois níveis com torres para instalação de redes metálicas protetoras contra drones e mísseis de cruzeiro — estrutura avaliada pelo Instituto Americano de Ciência e Segurança Internacional (ISIS) como capaz de defender o complexo. Relatórios anteriores da Bild indicam que o sítio já ultrapassa mil hectares e opera com capacidade para até 11 mil drones Geran e Gerbera por mês. Dnipro Osint sugere que a Rússia pode estar copiando a abordagem iraniana de mover produção e armazenamento para o subsolo diante da superioridade aérea dos EUA e de Israel, e que uma alternativa realista a novos ataques contra Alabuga seria atingir a cadeia de suprimentos — fábricas de pólvora para ogivas, empresas químicas e a VNIIR Progress, que produz antenas que ajudam os Shahed a driblar a guerra eletrônica ucraniana.
O que dizem as fontes ucranianas
As duas publicações em língua ucraniana tratam o tema pelo ângulo das implicações de segurança para a Ucrânia. Destacam que a Rússia está endurecendo sua produção de drones em resposta aos ataques ucranianos anteriores e apontam que a cadeia de suprimentos pode ser um alvo mais viável do que o próprio sítio de Alabuga.
Contexto
Alabuga abriga a maior fábrica de drones da Rússia, onde são montados os drones Geran — versão russa dos Shahed iranianos — usados em ataques contra a Ucrânia. Em abril de 2024, as Forças de Defesa da Ucrânia atacaram Alabuga pela primeira vez: um drone atingiu o dormitório do Alabuga Polytech, ferindo 13 pessoas, incluindo menores que participavam da montagem dos drones. A decisão de mover parte da produção para o subsolo teria surgido após esses ataques iniciais.