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Alemanha pede aos EUA que permitam produção europeia de mísseis Patriot; Estado americano diz que ainda não há decisão sobre licença à Ucrânia

O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, pediu aos Estados Unidos que autorizem a produção na Europa dos interceptores PAC-3 para os sistemas Patriot e que permitam também a fabricação sob licença de mísseis Tomahawk de longo alcance em território alemão. Paralelamente, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que nenhuma decisão final foi tomada sobre a concessão à Ucrânia de uma licença para produzir mísseis Patriot, apesar de o presidente Donald Trump ter declarado publicamente, em duas ocasiões, estar pronto para concedê-la.

Pontos principais

  • Pistorius propôs a produção dos interceptores PAC-3 na Europa e na Alemanha após reunião com o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, em Washington na semana anterior.
  • Os dois assinaram uma declaração de intenções sobre produção conjunta de sistemas de armas americanos na Europa; PAC-3 estariam, em linhas gerais, no escopo, mas exigem novas negociações.
  • A Alemanha também pressiona Washington a autorizar a fabricação sob licença de mísseis Tomahawk de longo alcance em solo alemão; Berlim já tem acordo de compra, mas a fila de entrega é longa.
  • O embaixador dos EUA na OTAN, Matthew Whitaker, afirmou que o principal gargalo no fornecimento de interceptores é a falta de capacidade produtiva adequada.
  • Países da UE concordaram em adquirir interceptores Patriot dos EUA para a Ucrânia por 3,2 bilhões de euros, dentro de um empréstimo europeu de 90 bilhões de euros.
  • Após se reunir com Trump, Volodymyr Zelensky disse que o americano está "propenso" a conceder a licença; o Departamento de Estado respondeu que nenhuma decisão final foi tomada e que as discussões seguem em curso.

Por que importa

A ampliação da produção europeia de sistemas antiaéreos americanos responde a uma demanda alta combinada com oferta limitada, em um momento em que estoques dos EUA estão sob pressão por operações no Oriente Médio. Para a Ucrânia, a capacidade de produzir ou receber rapidamente interceptores Patriot é central para a defesa contra mísseis e drones russos com a chegada do inverno. A questão da licença expõe a fricção entre as declarações públicas de Trump e o processo formal de decisão dos EUA.

O que aconteceu

Em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira, o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, anunciou que, na semana anterior, se reuniu em Washington com o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e defendeu a produção fora dos EUA dos interceptores PAC-3 para os sistemas Patriot. Segundo Pistorius, a Alemanha oferece instalar linhas de produção na Europa e em território alemão para ajudar a suprir a alta demanda. Os dois assinaram uma declaração de intenções sobre produção conjunta de sistemas de armas americanos na Europa, no âmbito da qual os PAC-3 estariam abrangidos, embora novas negociações sejam necessárias; Pistorius também citou propriedade intelectual e a necessidade de aprovação do Pentágono, da Casa Branca e do fabricante. A Alemanha também pressiona Washington a autorizar a fabricação sob licença de mísseis Tomahawk de longo alcance em seu território — Berlim já firmou acordo de compra, com longa fila de entrega. O embaixador dos EUA na OTAN, Matthew Whitaker, disse que o principal gargalo é a falta de capacidade produtiva. Em paralelo, países da UE concordaram em adquirir interceptores Patriot americanos para a Ucrânia por 3,2 bilhões de euros, dentro de um empréstimo europeu de 90 bilhões. Após reunião com Trump, Volodymyr Zelensky afirmou que o presidente americano está propenso a conceder à Ucrânia a licença para produzir mísseis Patriot; o Departamento de Estado dos EUA, porém, disse que nenhuma decisão final foi tomada e que as discussões seguem em curso.

O que dizem as fontes ucranianas

As fontes ucranianas centram a cobertura na necessidade urgente de interceptores Patriot antes do inverno e na leitura positiva que Zelensky faz de sua reunião com Trump. Elas destacam que a Ucrânia recebeu cerca de três vezes menos mísseis para defesa antibalística este ano do que no anterior e que parceiros citam operações no Oriente Médio como razão oficial para a redução.

Onde as versões divergem

As fontes divergem sobre o status da licença de produção de Patriot para a Ucrânia. Trump afirmou publicamente, em duas ocasiões, estar pronto para concedê-la, enquanto o Departamento de Estado dos EUA, por meio do representante Ian Baitson, afirma que nenhuma decisão final foi tomada e que negociações diplomáticas seguem em curso. Zelensky, após se reunir com Trump, descreveu o americano como propenso a conceder a licença; Baitson, no entanto, disse que "Trump não disse que isso vai acontecer" e pediu que a ausência de detalhes não seja vista como mau sinal.

Contexto

Em julho, na cúpula da OTAN em Ancara, Trump anunciou que os EUA concederiam à Ucrânia licença para produzir interceptores Patriot, mas depois pareceu recuar. No fim daquele mês, Trump teria negado o pedido de Zelensky por centenas de interceptores adicionais, alegando necessidades dos EUA no Oriente Médio. Zelensky estima que a produção local de Patriot levaria de um a um ano e meio para começar. Uma solução de compromisso cogitada envolveria a fabricação de componentes na Ucrânia e a montagem final na Alemanha, para mitigar a preocupação americana com o vazamento de tecnologias sensíveis à Rússia.