Presidente da Latvia diz que a maioria dos países da OTAN não conseguiria reagir a um ataque russo de mísseis
Em entrevista ao The Guardian em Washington, o presidente da Letônia, Edgars Rinkēvičs, afirmou que a maioria dos países da OTAN não seria capaz de repelir um ataque de mísseis russo caso o conflito se expanda, e que o bloco está ficando para trás no desenvolvimento de tecnologias de drones e guerra aérea observado na Ucrânia. O alerta coincide com declarações semelhantes do primeiro-ministro polonês Donald Tusk e do chanceler lituano Kęstutis Budrys sobre possíveis ataques híbridos russos a aliados da Ucrânia.
Pontos principais
- O presidente da Letônia, Edgars Rinkēvičs, afirmou em entrevista ao The Guardian, em Washington, que a Europa não acompanha o ritmo do desenvolvimento de tecnologias de drones e guerra aérea na Ucrânia.
- Rinkēvičs disse que a maioria dos países da OTAN não conseguiria repelir um ataque de mísseis russo caso o conflito se expanda.
- Rinkēvičs alertou que os atuais preparativos europeus para a guerra aérea podem se tornar obsoletos — fontes divergem se isso ocorreria em meados de 2026 ou em meados de 2027.
- Ucrânia e aliados europeus enfrentam atrasos nas entregas de mísseis críticos para sistemas Patriot e outros equipamentos de defesa aérea.
- Os EUA consideram transferir licenças de produção do Patriot para Ucrânia e Europa, mas nenhum acordo foi fechado, segundo Rinkēvičs.
- O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou que a Rússia pode atingir com drones ou mísseis países da OTAN que apoiam a Ucrânia nos próximos meses.
Por que importa
A declaração pública de um chefe de Estado da OTAN de que a aliança não seria capaz de repelir um ataque russo de mísseis levanta dúvidas sobre a credibilidade do Artigo 5º e evidencia a defasagem tecnológica entre o que se observa no campo de batalha ucraniano — em particular a guerra de drones — e o que a Europa e os EUA estão preparados para enfrentar. Os alertas coordenados de Letônia, Polônia e Lituânia, somados à resposta de Trump e aos atrasos nas entregas de interceptadores Patriot, indicam uma preocupação crescente entre aliados quanto à possibilidade de uma escalada para o território da OTAN.
O que aconteceu
O presidente da Letônia, Edgars Rinkēvičs, concedeu entrevista ao The Guardian em Washington na qual afirmou que a maioria dos países da OTAN não conseguiria repelir um ataque de mísseis russo caso o conflito se expanda, e que a Europa não acompanha o ritmo de desenvolvimento das tecnologias de drones e guerra aérea que estão sendo geradas na Ucrânia. Rinkēvičs descreveu o avanço tecnológico da guerra de drones na Ucrânia como ocorrendo em ritmo «relâmpago» e afirmou que se a Rússia decidir lançar vários mísseis contra o território europeu, isso representará hoje um desafio sério com o qual muitos países terão dificuldade de lidar. Segundo o presidente letão, os sistemas de defesa aérea, antídrone e antimísseis enfrentam sérios problemas tanto na Ucrânia como no resto da Europa e da OTAN. Rinkēvičs também manifestou a convicção de que a Rússia intensificará a mobilização nos próximos meses após eleições locais, usará o inverno para avançar na Ucrânia e tentará dissuadir países que apoiam Kiev de manter esse apoio. Paralelamente, o primeiro-ministro polonês Donald Tusk afirmou que a Rússia pode atingir nos próximos meses com drones ou mísseis países da OTAN que apoiam a Ucrânia, e que dados de inteligência indicam «planos de ataques híbridos» russos. O chanceler lituano Kęstutis Budrys afirmou que a Lituânia também possui dados semelhantes. O quadro inclui atrasos nas entregas de mísseis críticos para sistemas Patriot e outros equipamentos de defesa aérea para Ucrânia e aliados europeus. Os EUA chegaram a considerar transferir licenças de produção do Patriot para Ucrânia e Europa, mas nenhum acordo foi fechado; Rinkēvičs afirmou que as conversas seguem em curso, mas há dificuldades técnicas de licenciamento. Está prevista uma reunião entre Donald Trump e líderes europeus durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, entre 22 e 28 de setembro. Quando perguntado por um jornalista sobre as preocupações expressas por Tusk, Trump respondeu: «Acho que eles já estão atacando aliados da Ucrânia. Estão atacando aliados da Ucrânia há cerca de cinco anos». Hospitais alemães estão sendo preparados, a Lituânia atualizou seus planos de evacuação, tropas da OTAN realizam exercícios na região do Báltico, e as Forças Armadas belarusas realizaram exercícios em larga escala perto da Lituânia.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre o prazo dado por Rinkēvičs para que os atuais preparativos europeus de guerra aérea se tornem obsoletos: uma reportagem indica que isso ocorreria em meados de 2027, enquanto outras duas indicam «em meados do próximo ano», ou seja, meados de 2026. As demais informações — incluindo a avaliação sobre a capacidade da OTAN de repelir um ataque russo e os atrasos nas entregas de Patriot — são relatadas de forma coerente pelas fontes.
Contexto
Uma análise do Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA citada nas reportagens estima que os EUA utilizaram quase dois terços de seus estoques de interceptadores críticos durante a guerra com o Irã e que a reposição desses estoques poderia levar pelo menos cinco anos. Os EUA consideraram transferir licenças de produção do Patriot para Ucrânia e Europa, mas nenhum acordo foi concluído; Rinkēvičs afirma que questões técnicas de licenciamento seguem pendentes. Uma reunião entre Donald Trump e líderes europeus é esperada durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, entre 22 e 28 de setembro. As Forças Armadas belarusas realizaram exercícios em larga escala perto da Lituânia.