Suspeito do caso Nord Stream, ucraniano Volodymyr Zhuravlov pede asilo político na Croácia
O ucraniano Volodymyr Zhuravlov, suspeito pelo Ministério Público alemão de participar do sabotagem dos gasodutos Nord Stream em 2022, pediu asilo político na Croácia enquanto aguarda a extradição para a Alemanha. O advogado Mykola Katerynchuk afirmou que o pedido de asilo não interrompe automaticamente o processo de extradição. A defesa vai recorrer da autorização de extradição concedida pelo Tribunal Distrital de Pula.
Pontos principais
- Zhuravlov pediu asilo político na Croácia, alegando que não teria julgamento justo na Alemanha
- O advogado Mykola Katerynchuk disse que o pedido de asilo não suspende automaticamente a extradição
- O Tribunal Distrital de Pula autorizou a extradição de Zhuravlov para a Alemanha, e a defesa vai recorrer
- Zhuravlov, de 46 anos, instrutor de mergulho profissional, foi preso em Pula em 19 de agosto por mandado europeu de prisão emitido pela Alemanha
- Segundo a promotoria alemã, Zhuravlov seria um dos mergulhadores que colocaram explosivos nos gasodutos Nord Stream 1 e 2 em setembro de 2022
- Zhuravlov nega envolvimento e diz que estava na Ucrânia quando ocorreu a sabotagem; a defesa chamou a decisão do tribunal de Pula de "tendenciosa" e "política"
Por que importa
O caso marca uma nova etapa nos procedimentos judiciais contra um suspeito ucraniano no caso Nord Stream e acrescenta um obstáculo jurídico adicional ao esforço da Alemanha para extraditar Zhuravlov. O episódio destaca o caráter politicamente sensível do caso, especialmente após a Polônia ter se recusado anteriormente a extraditar Zhuravlov e a Ucrânia negar qualquer envolvimento estatal. A prisão de um suspeito que trabalhava como consultor de um filme de Hollywood sobre o mesmo incidente confere ainda um aspecto público inusual ao caso.
O que aconteceu
O ucraniano Volodymyr Zhuravlov, de 46 anos, instrutor de mergulho profissional, foi preso em 19 de agosto na cidade croata de Pula com base em um mandado europeu de prisão emitido pela Alemanha. Segundo o Ministério Público alemão, ele é suspeito de ter sido um dos mergulhadores que colocaram explosivos nos gasodutos Nord Stream 1 e 2 em setembro de 2022. No momento da prisão, Zhuravlov trabalhava como consultor do filme de Hollywood "Snake Island" ("Острів Зміїний"), cuja trama trata da sabotagem dos gasodutos. O Tribunal Distrital de Pula autorizou sua extradição para a Alemanha. Em 29 de setembro, seu advogado, Mykola Katerynchuk, anunciou que Zhuravlov entrou com pedido de asilo político na Croácia, alegando que não receberá um julgamento justo na Alemanha, e acrescentou que o pedido de asilo não interrompe automaticamente o processo de extradição. A defesa também anunciou que irá recorrer da decisão do tribunal croata que autorizou a extradição, classificando-a de "tendenciosa" e "política". Zhuravlov nega envolvimento em o caso, afirmando que estava na Ucrânia quando os gasodutos foram explodidos.
O que dizem as fontes ucranianas
A cobertura em língua ucraniana enfatiza a nacionalidade de Zhuravlov, seu advogado de defesa Mykola Katerynchuk e a justificativa de asilo de que ele não teria um julgamento justo na Alemanha. As matérias destaca a descrição feita pela defesa da decisão do tribunal de Pula como "tendenciosa" e "política", enquadrando a disputa de extradição como um processo politicamente motivado. O noticiário também menciona a recusa anterior da Polônia em extraditar Zhuravlov e a posição oficial da Ucrânia de que não há provas de participação estatal ucraniana na sabotagem. A cobertura registra ainda que Zhuravlov nega o envolvimento e afirma que estava na Ucrânia no momento da sabotagem.
Onde as versões divergem
As fontes divergem quanto ao número total de suspeitos ucranianos identificados ou procurados pela Alemanha: a maioria afirma que foram expedidos mandados de prisão contra seis ucranianos, enquanto uma fonte fala em cinco e outras observam que, no total, sete indivíduos foram identificados. Há também divergência sobre a data precisa da decisão do tribunal de Pula que autorizou a extradição: uma fonte indica 18 de setembro de 2026, enquanto outra menciona apenas que o tribunal "anteriormente" autorizou a extradição, sem data exata. Por fim, as fontes divergem sobre a data de início do julgamento de Serhiy Kuznetsov em Hamburgo: uma fonte afirma "end of October" (final de outubro), enquanto outra especifica "approximately 26 October" (por volta de 26 de outubro).
Contexto
Na noite de 26 de setembro de 2022, três das quatro tubulações dos gases Norstream 1 e 2 foram destruídas por explosões subaquáticas no Mar Báltico, perto da ilha dinamarquesa de Bornholm; apenas uma das quatro tubulações permaneceu intacta. Em fevereiro de 2024, as autoridades dinamarquesas encerraram a investigação sobre as explosões por falta de fundamentos para a abertura de um processo criminal; a Suécia tomou decisão análoga. Em 26/27 de agosto de 2025, investigadores alemães emitiram mandados de prisão contra seis cidadãos ucranianos suspeitos de envolvimento na sabotagem; os promotores alemães apontaram Serhiy Kuznetsov como suposto líder do grupo, que teria agido, segundo os investigadores, sob instruções de órgãos estatais ucranianos. Kuznetsov foi preso na Itália em agosto de 2025 e extraditado para a Alemanha em novembro de 2025; em 1 de julho de 2026, o Ministério Público federal alemão o indiciou formalmente, com o julgamento previsto para começar em Hamburgo no final de outubro. Em 2024 e novamente em 30 de setembro de 2025, Zhuravlov foi detido na Polônia com base em mandado europeu de prisão expedido pela Alemanha; em outubro de 2025, um tribunal de Varsóvia recusou a extradição e ordenou sua liberação. A Rússia atribuiu à Ucrânia, aos Estados Unidos e ao Reino Unido a responsabilidade pelas explosões; Ucrânia, Polônia, Estados Unidos e Reino Unido negaram envolvimento. O Wall Street Journal publicou reportagem citando fontes segundo as quais a sabotagem foi planejada por altas figuras militares e empresariais ucranianas e executada a partir de um iate a vela, com o uso de cartas náuticas de domínio público.