Presidente da Letônia diz que país está pronto para receber armas nucleares se NATO decidir
O presidente da Letônia, Edgars Rinkēvičs, afirmou que o país hospedaria armas nucleares em seu território caso a NATO tome uma decisão coletiva nesse sentido, embora não haja negociações concretas em andamento. A declaração foi feita após reunião com o primeiro-ministro Andris Kulbergs, no contexto da oferta britânica de ampliar a proteção nuclear aos países do Joint Expeditionary Force (JEF).
Pontos principais
- Presidente Edgars Rinkēvičs: Letônia hospedaria armas nucleares se a NATO decidir coletivamente
- Não há negociações concretas em curso para a implantação de armas nucleares na Letônia
- A legislação letã não contém barreiras legais à presença de armas nucleares no território
- Reino Unido ofereceu proteção nuclear aos países do Joint Expeditionary Force (JEF)
- Letônia já está sob o guarda-chuva nuclear da NATO, fornecido por EUA e Reino Unido
- Em 2003, candidatos à NATO assumiram compromisso de participação plena no mecanismo de dissuasão nuclear
Por que importa
A declaração sinaliza a disposição de um Estado da linha de frente da OTAN a hospedar armas nucleares no contexto das crescentes preocupações de segurança na região do Báltico e do debate mais amplo sobre o reforço da dissuasão nuclear europeia.
O que aconteceu
Em coletiva de imprensa após reunião com o primeiro-ministro Andris Kulbergs, o presidente da Letônia, Edgars Rinkēvičs, afirmou que o país está pronto para receber armas nucleares em seu território caso a OTAN tome uma decisão coletiva nesse sentido. Rinkēvičs esclareceu que, no momento, não há negociações concretas em curso sobre a implantação. Ele lembrou que, durante o processo de adesão à OTAN em 2003, os países candidatos assumiram o compromisso de participar plenamente do mecanismo de segurança coletiva, incluindo a dissuasão nuclear, e observou que a legislação letã não impõe obstáculos a essa presença. O presidente também mencionou a oferta do Reino Unido de estender a proteção nuclear aos Estados-membros do Joint Expeditionary Force (JEF), do qual a Letônia faz parte, e destacou que o país já está sob o guarda-chuva nuclear da OTAN fornecido pelos EUA e pelo Reino Unido.
O que dizem as fontes ucranianas
As fontes em língua ucraniana enquadram a declaração a partir da perspectiva de um Estado da linha de frente da OTAN, destacando a disposição da Letônia em sediar armas nucleares e o processo de tomada de decisão coletiva dentro da Aliança, situando o tema no contexto mais amplo da segurança no Báltico e no Norte da Europa.
Contexto
Diferentemente da Lituânia, que atualmente está modificando sua Constituição para remover a proibição de armas nucleares, a Constituição da Letônia não contém nenhuma vedação à implantação desse tipo de armamento. A Letônia é membro do Joint Expeditionary Force (JEF), que reúne Reino Unido, Dinamarca, Estônia, Finlândia, Islândia, Letônia, Lituânia, Países Baixos, Noruega e Suécia. O grupo tem buscado ampliar os mecanismos de dissuasão nuclear na região, em parte como resposta à retórica nuclear russa. Em 30 de setembro, Moscou advertiu oficialmente a OTAN sobre o possível uso de armas nucleares caso ações da Aliança levem ao isolamento da região de Kaliningrado; a OTAN rejeitou as acusações e condenou as ameaças. A Estônia, por sua vez, está em conversas com a França sobre possível participação em uma iniciativa francesa de fortalecimento da dissuasão nuclear europeia, sem que o formato específico da cooperação tenha sido definido.