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Polônia e Romênia recusam pedido da Ucrânia para ampliar trânsito de grãos pela Europa

Diante do bloqueio dos portos do Mar Negro, a Ucrânia solicitou a vizinhos europeus ajuda para escoar sua safra por trilhos, estradas e rios. Polônia e Romênia recusaram o pedido, alegando interesses de seus próprios produtores. O ministro da Política Agrária da Ucrânia, Taras Vysotsky, esteve em Bruxelas para pedir €1,1 bilhão em ajuda logística e alertou que até 35 milhões de toneladas de grãos podem ficar retidos no país.

Pontos principais

  • Polônia e Romênia recusaram o pedido ucraniano para ampliar o trânsito de grãos pela Europa.
  • O ministro Taras Vysotsky viajou a Bruxelas e pediu €1,1 bilhão para cobrir custos logísticos.
  • Menos da metade das exportações ukrainianas hoje sai por trilhos, estradas e rios europeus.
  • Segundo Vysotsky, até 35 milhões de toneladas podem ficar retidas no país se o bloqueio continuar.
  • Se a crise persistir até a primavera, a área semeada em 2026 pode cair entre 35% e 40%.
  • O comissário agrícola da UE, Christoph Hansen, reconheceu o problema, mas não apresentou compromissos concretos.

Por que importa

A recusa pública de dois vizinhos de fronteira da UE evidencia a tensão entre a necessidade de exportação da Ucrânia em tempos de guerra e o peso político dos produtores rurais em países europeus, dificultando uma resposta coordenada de Bruxelas.

O que aconteceu

A Ucrânia pediu a países vizinhos que ampliassem o trânsito de grãos por seus territórios para contornar o bloqueio dos portos do Mar Negro. O ministro da Política Agrária, Taras Vysotsky, viajou a Bruxelas para solicitar pessoalmente ajuda dos colegas da UE, incluindo €1,1 bilhão para cobrir custos adicionais de transporte. O governo polonês, por meio da porta-voz Anna Szumanska do Ministério das Infraestrutura, afirmou não pretender mudanças para aumentar o trânsito de produtos agrícolas ukrainianos. O ministro da Agricultura da Romênia, Barna Tanczos, declarou que os interesses dos produtores romenos seguem como prioridade e que a infraestrutura do país não comporta uma duplicação de trens, estradas, ferrovias ou portos. Segundo Vysotsky, menos da metade das exportações ukrainianas escoa pelas rotas terrestres europeias; até 35 milhões de toneladas de grãos podem ficar retidas no país, e a área plantada em 2026 pode cair entre 35% e 40% se a crise persistir até a primavera. O comissário agrícola da UE, Christoph Hansen, reconheceu a preocupação com a segurança alimentar global, mas não apresentou compromissos concretos.

O que dizem as fontes internacionais

A reportagem da Politico, base desta síntese, destaca o contraste entre a urgência ukrainiana e as recusas europeias: enquanto Vysotsky pede ajuda e financiamento em Bruxelas, Polônia e Romênia invocam os interesses de seus próprios produtores. O comissário da UE reconhece a dimensão de segurança alimentar global, mas sem anúncios concretos, e a Politico ainda menciona disposição da Alemanha em reforçar rotas alternativas e o interesse da Ucrânia em portos holandeses e alemães.

Contexto

A Rússia saiu do acordo de grãos do Mar Negro de 2022 em julho de 2023, após o que a exportação ukrainiana passou a depender de trilhos, estradas e rios por países vizinhos. Polônia, Eslováquia e Hungria já haviam proibido importações de grãos ukrainianos. No mês passado, Romênia e Ucrânia assinaram um memorando para simplificar a travessia de fronteira e fortalecer conexões ferroviárias. Em 1º de outubro, a Bloomberg relatou que Turquia e ONU organizaram novas conversas entre Ucrânia e Rússia sobre um cessar-fogo no Mar Negro; Estônia proibiu o trânsito de grãos russos e bielorrussos, e a Letônia reforçou o controle fronteiriço. A Ucrânia já havia pedido €220 milhões à UE para compensar produtores afetados por ataques russos aos portos de Odesa.