Montenegro prende fundador da rede pró-Kremlin "Rybar", Mikhail Zvinchuk
A polícia da Montenegro, em cooperação com a Agência de Segurança Nacional (ANB), prendeu em 9 de outubro, na cidade de Risan, Mikhail Zvinchuk, fundador da rede de propaganda russa "Rybar". Também foram detidos sua esposa e colaboradora Valeriya Zvinchuk e mais três pessoas, totalizando cinco detidos. A operação visa conter atividades híbridas da rede no país; Zvinchuk está sob sanções da UE, do Reino Unido e dos EUA.
Pontos principais
- Mikhail Zvinchuk, fundador do canal "Rybar" no Telegram, foi preso em Risan, Montenegro, na sexta-feira, 9 de outubro.
- Além de Zvinchuk, foram detidos sua esposa e colaboradora Valeriya Zvinchuk e mais três pessoas — cinco detidos no total.
- A operação foi conduzida pela polícia montenegrina em cooperação com a Agência de Segurança Nacional (ANB), com o objetivo declarado de combater atividades híbridas da rede "Rybar" no país.
- A rede "Rybar" está sob sanções da UE desde 2023; Zvinchuk também está sob sanções do Reino Unido e dos EUA, e o Departamento de Estado dos EUA o incluiu em lista de pessoas envolvidas em operações de influência contra o processo eleitoral americano.
- Em 2024, o programa "Recompensas pela Justiça" do governo dos EUA ofereceu até US$ 10 milhões por informações sobre funcionários do canal "Rybar".
- Zvinchuk trabalhou no serviço de imprensa do Ministério da Defesa da Rússia até 2019; o Conselho da UE o considerava membro de grupo de trabalho criado por Vladimir Putin para coordenar atividades ligadas à guerra contra a Ucrânia.
- A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, confirmou a detenção e disse que o órgão apura as circunstâncias.
Por que importa
A detenção atinge o fundador de uma das maiores redes pró-Kremlin em língua russa operando no Telegram e em múltiplos idiomas, com mais de 250 canais em 28 idiomas, segundo o Institute for the Study of War. Zvinchuk está sob sanções da UE, do Reino Unido e dos EUA, e os EUA mantêm oferta de até US$ 10 milhões por informações sobre associados da rede. A apreensão de drones e equipamentos digitais durante a operação indica atividade operacional que vai além da produção de conteúdo. Autoridades dos EUA e do Reino Unido vinculam a "Rybar" à administração presidencial russa, a serviços especiais e ao financiamento da estatal sancionada Rostec.
O que aconteceu
Em 9 de outubro de 2026, a polícia da Montenegro, em coordenação com a Agência de Segurança Nacional (ANB), prendeu em Risan, na região da Baía de Kotor, o fundador da rede de propaganda russa "Rybar", Mikhail Zvinchuk. Também foram detidos sua esposa e colaboradora Valeriya Zvinchuk e mais três pessoas, totalizando cinco detidos. Segundo o canal pró-Kremlin "Baza", Zvinchuk foi detido por volta das 7h30 (8h30 em Kiev) no hotel Mövenpick e foi levado com a esposa para Podgorica, onde seriam ouvidos; telefones e documentos foram apreendidos. Durante a operação foram encontrados drones, equipamentos digitais e dispositivos eletrônicos. Foi aberta investigação criminal. As autoridades montenegrinas afirmam que a operação visa suprimir as atividades híbridas da rede no país e investigam o possível escopo das atividades e fontes de financiamento. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, confirmou a detenção e disse que o órgão apura as circunstâncias.
O que dizem as fontes ucranianas
A cobertura é feita exclusivamente por mídia de língua ucraniana, que enquadra a detenção como operação de combate à propaganda contra uma rede ligada ao Kremlin. As matérias destacam os vínculos da "Rybar" com serviços especiais russos, com a administração presidencial da Rússia e com a estatal sancionada Rostec. É destacada a fala do ex-chefe do Centro de Combate à Desinformação do Conselho de Segurança Nacional e Defesa, Andrii Kovalenko, que classifica Zvinchuk como figura-chave da atividade híbrida criminosa russa e defende sua entrega às autoridades dos EUA. A oferta dos EUA de até US$ 10 milhões por informações sobre associados da "Rybar" é apresentada como contexto central.
Onde as versões divergem
Há divergência sobre o propósito da visita de Zvinchuk à Montenegro: fontes da segurança montenegrina afirmam que o grupo detido planejava filmar conteúdo documentário manipulativo sobre o alinhamento da política de vistos do país aos padrões da UE, enquanto o canal "Rybar" no Telegram diz que os cidadãos russos estavam no país legalmente e pretendiam filmar o Mosteiro de Cetinje. Também há descrição inconsistente do vínculo de Zvinchuk com a inteligência militar russa: o jornal Pobjeda o descreve como coronel do GRU responsável por operações híbridas, enquanto outros relatos o identificam apenas como ex-funcionário do serviço de imprensa do Ministério da Defesa da Rússia.
Contexto
A "Rybar" foi fundada em 2018 como plataforma de análise militar e cobertura de conflitos e depois se expandiu para uma rede associada por instituições ocidentais à difusão de narrativas pró-Russa e a operações de influência. Em 2024, o Institute for the Study of War reportou que a rede reúne mais de 250 canais em 28 idiomas, e o canal principal no Telegram tem mais de 1 milhão de inscritos. O Conselho da UE considerou Zvinchuk membro de grupo de trabalho criado por Vladimir Putin para coordenar atividades ligadas à guerra contra a Ucrânia. Zvinchuk trabalhou no serviço de imprensa do Ministério da Defesa da Rússia até 2019. Em julho de 2026, a UE e o Reino Unido anunciaram sanções contra 10 representantes da "Rybar" por difundirem narrativas falsas sobre a Ucrânia e por interferência em eleições na Moldávia e na Armênia.