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Trump pede que Ucrânia eleja novo presidente; Nausėda defende direito de Kyiv a seus líderes

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em 10 de outubro que é hora de a Ucrânia eleger um novo presidente. O presidente da Lituânia, Gitanas Nausėda, respondeu que os ucranianos têm o direito de escolher os líderes que elegeram, e Volodymyr Zelensky condicionou a realização do pleito a um cessar-fogo de 60 dias por parte da Rússia.

Pontos principais

  • Em 10 de outubro, Donald Trump afirmou que é hora de a Ucrânia eleger um novo presidente.
  • Trump acusou Zelensky de ser o principal obstáculo a um acordo de paz com a Rússia e disse que os ataques ucranianos a refinarias russas prejudicaram o suprimento global de diesel.
  • Zelensky respondeu que os ucranianos devem escolher o presidente da Ucrânia e disse estar pronto para organizar eleições se a Rússia concordar com um cessar-fogo completo de 60 dias.
  • O presidente da Lituânia, Gitanas Nausėda, afirmou que a Ucrânia tem o direito aos líderes que elegeu e que Zelensky, eleito em 2019, merece esse respeito.
  • Nausėda disse que, sob circunstâncias normais, eleições já deveriam ter ocorrido na Ucrânia, mas acrescentou que um cessar-fogo de 60 dias poderia permitir a realização do pleito.
  • Nausėda recusou-se a avaliar se as declarações de Trump configuram interferência dos EUA em assuntos internos da Ucrânia e disse não fazer drama de algo dito espontaneamente.
  • O chanceler ucraniano Andriy Sybiha afirmou que Zelensky tem o apoio do povo e que só o povo tem o direito de decidir essa questão.

Por que importa

Um presidente americano em exercício pediu publicamente uma mudança de liderança em um país em guerra, levantando dúvidas sobre a influência de Washington sobre a política interna da Ucrânia. O mandato presidencial de Zelensky expirou formalmente em 2024, de modo que qualquer debate sobre novas eleições toca na ordem constitucional do país sob lei marcial. Várias figuras nomeadas da política e das Forças Armadas ucranianas aparecem como possíveis sucessores, e aliados europeus já se manifestaram publicamente sobre o tema.

O que aconteceu

Em 10 de outubro, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em entrevista que é hora de a Ucrânia eleger um novo presidente, acusando Volodymyr Zelensky de ser o principal obstáculo para um acordo de paz com a Rússia e criticando os ataques ucranianos a refinarias russas por prejudicarem o suprimento global de diesel. Zelensky respondeu que cabe aos ucranianos escolher o presidente da Ucrânia e afirmou estar pronto para organizar eleições caso a Rússia concorde com um cessar-fogo completo de 60 dias. O presidente da Lituânia, Gitanas Nausėda, manifestou-se em defesa do direito da Ucrânia de manter os líderes que elegeu, observou que, sob circunstâncias normais, eleições presidenciais já deveriam ter ocorrido, mas afirmou que uma janela de cessar-fogo de 60 dias poderia permitir a realização do pleito. Nausėda recusou-se a avaliar se as declarações de Trump configuram interferência dos EUA em assuntos internos da Ucrânia, dizendo tratar-se de observações feitas de forma espontânea. O chanceler Andriy Sybiha acrescentou que Zelensky tem o apoio do povo e que só o povo tem o direito de decidir essa questão.

O que dizem as fontes ucranianas

As fontes em língua ucraniana destacam em primeiro plano a resposta do presidente lituano defendendo o direito da Ucrânia a seus líderes eleitos, valorizando o apoio aliado em vez da exigência americana. Articulam as falas de Nausėda com a oferta condicional de Zelensky de realizar eleições diante de um cessar-fogo de 60 dias, apresentando uma contraposição unificada. Incluem a declaração do chanceler Sybiha de que só o povo pode decidir essa questão e detalham possíveis sucessores domésticos de Zelensky — Zaluzhny, Budanov e Fedorov — com dados biográficos e de pesquisa, enquadrando a história em torno do cenário político interno da Ucrânia.

O que dizem as fontes internacionais

A fonte em língua árabe do Catar abre com a própria exigência americana e levanta a questão de quem poderia desafiar Zelensky, traçando retratos de Zaluzhny, Budanov e Fedorov como possíveis rivais. Enfatiza as acusações de Trump de que Zelensky é o principal obstáculo à paz e de que os ataques ucranianos a refinarias russas prejudicaram o suprimento global de diesel. Apresenta o tema como um desafio conduzido pelos EUA à liderança de Zelensky, em vez de destacar o apoio aliado à liderança eleita da Ucrânia.

Onde as versões divergem

As fontes divergem em quatro pontos. Primeiro, sobre se a declaração de Trump constitui interferência em assuntos internos da Ucrânia: Nausėda se absteve de classificá-la assim e a descreveu como espontânea. Segundo, sobre a realização de eleições: Zelensky condicionou-as a um cessar-fogo de 60 dias, enquanto Nausėda reconheceu que, em circunstâncias normais, já deveriam ter ocorrido e afirmou que a janela de 60 dias mencionada por Zelensky permitiria realizá-las. Terceiro, sobre o papel de Zelensky: Trump o apresenta como o principal obstáculo a um acordo com a Rússia, enquanto Zelensky defende que a decisão cabe aos ucranianos e está atrelada a um cessar-fogo. Quarto, sobre a ligação entre o pedido de Trump e a política de energia: uma das contas liga a declaração a um acordo entre EUA e Rússia sobre o suprimento de diesel e às críticas de Trump aos ataques a refinarias, enquanto outras não destacam essa conexão.

Contexto

A última eleição presidencial na Ucrânia ocorreu em 2019, e o mandato de cinco anos de Zelensky expirou em 2024; a Constituição e as disposições de lei marcial permitem que ele permaneça no cargo enquanto durar a guerra. A guerra entre Rússia e Ucrânia já se estende por quatro anos e meio. A Rússia anexou a Crimeia em 2014. Trump já havia atacado publicamente Zelensky durante a tensa reunião no Salão Oval em fevereiro de 2025. O Rating Group, instituto de pesquisa baseado em Kyiv, mediu a confiança do público em vários possíveis candidatos.