Turquia receberá parte do diesel russo do acordo entre EUA e Rússia, diz ministro
O ministro da Energia da Turquia, Alparslan Bayraktar, afirmou que a Turquia receberá parte do diesel russo que Moscou destinará ao mercado mundial sob acordo com os Estados Unidos. O anúncio ocorre em meio a críticas do presidente Volodymyr Zelensky e de autoridades europeias, e enquanto autoridades americanas dão explicações divergentes sobre o propósito do arranjo.
Pontos principais
- Em 9 de outubro, Donald Trump afirmou ter acordado com Vladimir Putin o envio de diesel russo aos mercados americano e mundial.
- Após o anúncio, o Tesouro dos EUA disse que o OFAC emitirá licença temporária para a exportação de diesel russo.
- O presidente Volodymyr Zelensky disse que a equipe negociadora ucraniana foi usada como 'cortina' e que a declaração de Trump não foi honesta nem parceira.
- O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse que a permissão visa pressionar a Rússia a encerrar a guerra; o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o diesel russo chegaria ao mercado de qualquer forma.
- A Rússia elevou as exportações de diesel nos três dias seguintes, podendo chegar a 3–3,5 milhões de toneladas por mês até o fim do ano, segundo o vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak.
- Trump anunciou um cessar-fogo energético em 11 de outubro; a Ucrânia suspendeu ataques por três dias, mas a Rússia continuou, e Zelensky liberou os ataques em 15 de outubro.
Por que importa
A Turquia, grande compradora regional de energia russa, está vinculando-se publicamente a um arranjo controverso entre EUA e Rússia enquanto busca diversificar fornecedores. O acordo tornou-se um ponto de atrito nas relações entre Ucrânia e EUA, com Zelensky acusando Washington de usar a equipe negociadora ucraniana como cortina. Autoridades americanas de alto escalão discordam abertamente sobre o propósito do arranjo, e parlamentares dos dois partidos, além de autoridades europeias, criticam o acordo. Paralelamente, a Rússia intensificou ataques ao setor de energia ucraniano, complicando o cessar-fogo energético anunciado em 11 de outubro.
O que aconteceu
O ministro da Energia da Turquia, Alparslan Bayraktar, afirmou em 18 de outubro que a Turquia receberá parte do diesel russo que Moscou fornecerá ao mercado mundial sob um acordo com Washington. O arranjo remonta a 9 de outubro, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter chegado a um acordo com Vladimir Putin sobre o fornecimento de diesel russo aos mercados americano e mundial. Após o anúncio, o Tesouro dos EUA informou que o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) emitiria licença temporária para a exportação do diesel russo. O presidente Volodymyr Zelensky acusou os EUA de usar a equipe negociadora ucraniana — que estava nos EUA no momento do anúncio — como 'cortina', dizendo que a declaração de Trump não foi honesta nem parceira. O acordo foi criticado por autoridades europeias e por alguns republicanos. Na semana seguinte ao anúncio, em 11 de outubro, de um cessar-fogo energético, a Ucrânia suspendeu ataques a instalações energéticas russas por três dias, enquanto a Rússia continuou atacando a infraestrutura energética ucraniana, levando Zelensky a liberar os ataques em 15 de outubro.
O que dizem as fontes ucranianas
As fontes ucranianas apresentam o acordo como um arranjo Rússia–EUA frequentemente chamado de 'acordo de Trump', destacando a ausência da Ucrânia na decisão. Enfatizam que a equipe negociadora ucraniana estava nos EUA no momento do anúncio e que Zelensky classificou a equipe como sendo usada como cortina. As fontes também subrayam os ataques russos à infraestrutura energética ucraniana no mesmo período e a decisão de Zelensky de suspender a proibição de ataques, além do rechaço bipartidário no Senado dos EUA e de membros do Partido Republicano como evidência da fragilidade política do arranjo.
Onde as versões divergem
Autoridades próximas ao presidente dos EUA deram explicações conflitantes sobre o propósito do acordo: o secretário de Energia Chris Wright descreveu a permissão como uma 'cenoura' para pressionar a Rússia a encerrar a guerra, enquanto o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o diesel russo chegaria ao mercado de qualquer forma. A Axios, citando fontes, relatou que Trump teria permitido a exportação porque Zelensky se recusou a interromper ataques a refinarias russos — versão que o presidente ucraniano rejeitou ao acusar os EUA de usar sua equipe negociadora como cortina.
Contexto
A Rússia vinha restringindo exportações de diesel por problemas de oferta antes do acordo. A Turquia depende fortemente de importações de energia da Rússia, Irã e Azerbaijão, e busca diversificar, inclusive comprando dos EUA. A cooperação de gás entre Rússia e Turquia dura cerca de 40 anos, com mais de 600 bilhões de metros cúbicos fornecidos, estando as partes em negociações para estender as compras de gás após 2026. A Turquia planeja lançar em 2028 uma segunda plataforma flutuante de produção de gás no Mar Negro, com meta de 45 milhões de metros cúbicos diários. Trump anunciou cessar-fogo energético em 11 de outubro; a Ucrânia suspendeu ataques por três dias enquanto a Rússia seguia atacando, e Zelensky liberou os ataques em 15 de outubro. O vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak disse que a Rússia pode elevar as exportações de diesel para 3–3,5 milhões de toneladas por mês até o fim do ano, com estoques acumulados estimados em 4,8 milhões de toneladas.