SBU detém dois funcionários de empresa de certificação em Odesa suspeitos de ajudar a Rússia a legalizar trigo roubado da Mariupol ocupada
A Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) deteve em Odesa dois funcionários de uma empresa estrangeira de certificação de produtos agrícolas sob suspeita de ajudar a Rússia a legalizar quase 8 mil toneladas de trigo ucraniano roubado da cidade temporariamente ocupada de Mariupol, avaliadas em mais de 60 milhões de hryvnias. Segundo a investigação, os suspeitos emitiram um laudo laboratorial falso atribuindo origem russa ao cereal, que foi transportado em um navio sancionado ao porto russo de Temryuk e depois vendido a um país do Oriente Médio.
Pontos principais
- SBU deteve em Odesa o diretor de uma filial de empresa estrangeira de certificação agrícola e a chefe do laboratório subordinada a ele.
- A investigação diz que 7.857 toneladas de trigo ucraniano avaliadas em mais de 60 milhões de hryvnias foram roubadas do porto ocupado de Mariupol.
- Em 2024, os russos carregaram o trigo no navio sancionado 'Alfa M' em Mariupol, transportado ao porto de Temryuk, em Krasnodar.
- Em Temryuk foram emitidos documentos falsos atribuindo origem russa ao cereal, depois vendido a um país do Oriente Médio por meio de um exportador local.
- Os suspeitos sabiam da origem ucraniana do trigo e assinaram uma conclusão laboratorial falsa declarando procedência russa.
- Foram indiciados por cumplicidade com o Estado agressor, em concurso prévio de pessoas (art. 28, §2 e art. 111-2, §1 do Código Penal da Ucrânia).
- A prisão preventiva foi decretada; se condenados, podem pegar até 12 anos de prisão com confisco de bens.
Por que importa
O caso revela o suposto uso de certificação privada para lavar grãos roubados de territórios ocupados, com um esquema envolvendo um navio sancionado e documentos de origem falsos. Antes disso, expõe o papel de colaboradores do setor privado nas exportações ilegais de produtos agrícolas de áreas ocupadas e o uso de jurisdições terceiras como destino final. As acusações preveem até 12 anos de prisão, sinalizando o empenho da Ucrânia em responsabilizar legalmente casos de colaboração ligados à ocupação.
O que aconteceu
Em 19 de outubro, a SBU anunciou a detenção, em Odesa, do diretor da filial local de uma empresa estrangeira especializada em certificação de produtos agrícolas e da chefe do laboratório subordinada a ele. Segundo a investigação, em 2024 os russos carregaram 7.857 toneladas de trigo ucraniano, avaliadas em mais de 60 milhões de hryvnias, no navio sancionado 'Alfa M' no porto da Mariupol ocupada. O cereal foi transportado ao porto russo de Temryuk, em Krasnodar, onde documentos falsos atribuíram origem russa à carga. Em seguida, o trigo foi entregue a um país do Oriente Médio para venda por meio de um exportador local. De acordo com o caso, representantes russos procuraram a empresa de Odesa para ocultar a verdadeira origem do cereal, e os suspeitos teriam emitido um laudo laboratorial falso declarando que o produto era russo. Buscas em suas residências e no escritório da empresa apreenderam computadores, celulares, documentos e laudos forjados. Ambos foram indiciados sob o art. 28, §2 e art. 111-2, §1 do Código Penal da Ucrânia (cumplicidade com o Estado agressor, em concurso prévio de pessoas) e tiveram a prisão preventiva decretada. Se condenados, podem pegar até 12 anos de prisão com confisco de bens.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre o destino final do trigo: a SBU descreve genericamente como um país do Oriente Médio vendido por um exportador local, enquanto uma fonte atribui à Procuradoria-Geral a versão de que o trigo teria sido entregue à Turquia, com investigadores verificando se o produto também pode ter chegado a países da UE e à Ucrânia. Além disso, parte da cobertura informa que o tribunal decretou a prisão preventiva dos dois suspeitos, e uma das fontes acrescenta que havia possibilidade de fiança junto com a custódia.
Contexto
O grão saiu do porto da Mariupol ocupada e foi transportado pelo Mar de Azov até o porto russo de Temryuk, em Krasnodar, onde sua origem foi falsificada antes da exportação. O navio usado na operação, 'Alfa M', é descrito como sancionado. A acusação é de cumplicidade com o Estado agressor, cometida em concurso prévio de pessoas, nos termos do Código Penal da Ucrânia.