Tribunal de Apelações de Kiev mantém ex-chefe da Motor Sich preso; fiança é de R$ 56 milhões
O Tribunal de Apelações de Kiev manteve Vyacheslav Boguslaev, ex-chefe da Motor Sich, preso e se recusou a substituir a prisão preventiva por prisão domiciliar, como pedido pela defesa. A fiança alternativa foi fixada em 465.920.000 hryvnias (cerca de 140.000 subsídios mínimos). A medida vale até 7 de novembro. Boguslaev responde por colaboração com a Rússia, auxílio ao Estado agressor e facilitação de organização terrorista.
Pontos principais
- Tribunal de Apelações de Kiev manteve Vyacheslav Boguslaev preso até 7 de novembro.
- Fiança alternativa fixada em 465.920.000 hryvnias, equivalente a 140.000 subsídios mínimos.
- Defesa pediu troca da prisão preventiva por prisão domiciliar; pedido foi negado.
- Boguslaev responde por colaboração (art. 111-1 do Código Penal), auxílio ao Estado agressor (art. 111-2) e facilitação de organização terrorista.
- Investigação aponta que entre dezembro de 2017 e outubro de 2022 ele e outro funcionário organizaram uma filial da Motor Sich na cidade ocupada de Snizhne, em Donetsk.
- Após o início da invasão em escala total, teriam organizado o envio de produtos da Motor Sich ao complexo militar-industrial russo em mais de 72 milhões de hryvnias.
- Estoque de 128 motores aeronáuticos avaliados em mais de 2,48 bilhões de hryvnias seria enviado aos ocupantes; 7 motores avaliados em mais de 136 milhões de hryvnias foram entregues em maio de 2022.
Por que importa
O caso mira um alto executivo do setor aeroespacial ucraniano acusado de fornecer motores e material ao complexo militar-industrial russo durante a guerra em escala total. A manutenção de uma fiança excepcionalmente alta — mais de 465 milhões de hryvnias — sinaliza a gravidade atribuída às acusações. Os investigadores também apontam sabotagem contra as próprias Forças Armadas da Ucrânia, incluindo uma ordem para remover pás de rotor de helicópteros, impedindo seu uso pelos militares ucranianos.
O que aconteceu
O Tribunal de Apelações de Kiev analisou o recurso da defesa de Vyacheslav Boguslaev e decidiu mantê-lo sob custódia, fixando fiança alternativa de 465.920.000 hryvnias e rejeitando o pedido de substituí-la por prisão domiciliar. A medida vale até 7 de novembro. Investigadores acusam Boguslaev, ex-chefe da Motor Sich, de, entre dezembro de 2017 e outubro de 2022, organizar com outro funcionário uma filial da empresa em Snizhne, na região ocupada de Donetsk, prestando apoio a milícias pró-Rússia. Após o início da guerra em escala total, teriam estruturado o fornecimento de produtos da Motor Sich ao complexo militar-industrial russo em mais de 72 milhões de hryvnias, com um carregamento de 128 motores aeronáuticos avaliado em mais de 2,48 bilhões de hryvnias em preparação — sete dos quais, avaliados em mais de 136 milhões de hryvnias, foram efetivamente entregues em maio de 2022. Boguslaev responde por colaboração (art. 111-1 do Código Penal da Ucrânia), auxílio ao Estado agressor (art. 111-2) e facilitação de atividade de organização terrorista; posteriormente, recebeu ainda suspeita adicional pela ordem de remover pás de rotor de helicópteros para impedir seu uso pelas tropas ucranianas.
Contexto
Vyacheslav Boguslaev foi preso pela primeira vez em 24 de outubro de 2022, após ser detido em casa em Zaporizhzhia em 22 de outubro do mesmo ano. Ele responde sob vários artigos do Código Penal, incluindo colaboração (art. 111-1), auxílio ao Estado agressor (art. 111-2), facilitação de organização terrorista e, posteriormente, uma suspeita adicional ligada ao episódio das pás de helicóptero. Quatro juízes do Tribunal de Apelações de Kiev foram suspeitos de receber propina para reverter a apreensão de seus bens, e o presidente Volodymyr Zelensky impôs sanções contra ele em 2023, atualmente contestadas pela defesa na Justiça.