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Trump considera ataques ucranianos a refinarias russas como tentativa de prejudicar republicanos, reporta The Atlantic

Reportagem da The Atlantic, citando fontes não identificadas do entourage do presidente dos EUA, afirma que Donald Trump se convenceu de que os ataques ucranianos a refinarias russas de petróleo visam em parte prejudicar as chances do Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato. A administração Trump teria adiado a aprovação da transferência de mísseis para a Ucrânia e ameaçado suspender vendas de armas, enquanto Trump critica exclusivamente os ataques ucranianos e minimiza os ataques russos contra o país.

Pontos principais

  • Trump se convenceu de que ataques ucranianos a refinarias russas visam prejudicar os republicanos nas eleições de meio de mandato, segundo três pessoas de seu círculo próximo citadas pela The Atlantic.
  • Trump dirige toda a sua crítica exclusivamente aos ataques ucranianos a refinarias, ignorando os ataques russos à infraestrutura energética da Ucrânia.
  • A administração Trump adiou a aprovação da transferência de mísseis necessários à defesa da Ucrânia e ameaçou suspender vendas de armas caso Kiev não cesse os ataques a refinarias russas.
  • Horas após um ataque russo de drones a um parque que matou seis pessoas, incluindo duas crianças, Trump minimizou a escala dos ataques russos, dizendo que a Rússia "não está fazendo tanto assim".
  • A Ucrânia teria perdido o acesso completo ao sistema de satélites Starshield e deixado de receber alertas sobre ataques balísticos, segundo reportagem.
  • Antes das eleições de 3 de novembro, 33% dos norte-americanos aprovam a conduta de Trump, 66% desaprovam e 52% desaprovam categoricamente.
  • Tanto republicanos quanto democratas preveem que os democratas conquistarão a maioria na Câmara dos Deputados no próximo mês; a nova composição do Congresso inicia em 3 de janeiro.

Por que importa

A reportagem documenta uma alegada pressão direta do governo Trump sobre a Ucrânia para que cessem os ataques a refinarias russas, com ameaça de suspensão de vendas de armas e adiamento de transferência de mísseis. As medidas coincidem com a redução de acesso de Kiev ao sistema de satélites Starshield e à perda de alertas sobre ataques balísticos, o que enfraquece a defesa antiaérea diante de novos drones russos com motores a jato. O contexto político interno, com queda de popularidade de Trump e possíveis ganhos democratas na Câmara, amplia a incerteza sobre o apoio norte-americano à Ucrânia nas próximas semanas.

O que aconteceu

A revista The Atlantic publicou reportagem com base em fontes não identificadas do entorno de Donald Trump, indicando que o presidente dos EUA acredita que os ataques ucranianos a refinarias russas de petróleo são parcialmente motivados pela intenção de prejudicar as chances do Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato marcadas para 3 de novembro, e, por consequência, as chances do próprio Trump. Segundo a reportagem, Trump concentra todas as suas críticas nos ataques ucranianos a refinarias e ignora os ataques russos contra a infraestrutura energética da Ucrânia, chegando a minimizar publicamente os ataques russos depois de um drone atingir um parque e matar seis pessoas, entre elas duas crianças. A publicação cita ainda relatos de que auxiliares de Trump ameaçaram suspender vendas de armas caso a Ucrânia não interrompa os ataques a instalações de diesel russas, e de que a aprovação da transferência de mísseis foi adiada. Paralelamente, foram relatadas restrições ao acesso da Ucrânia ao sistema de satélites Starshield e à emissão de alertas sobre ataques balísticos, comprometendo a defesa antiaérea. Reportagem também apontou que Trump exige um cessar-fogo energético na guerra e teria anunciado uma suposta trégua no início de outubro sem base concreta.

O que dizem as fontes ucranianas

A cobertura em ucraniano dá destaque ao fato de Trump enxergar os ataques a refinarias como uma ação voltada contra os republicanos, apresentando-o como o eixo político central da questão. As matérias enfatizam a pressão hostil dos EUA sobre a Ucrânia — incluindo as ameaças de suspender vendas de armas e o adiamento da transferência de mísseis — e dão peso às perdas concretas de defesa, como o acesso reduzido ao Starshield. Em contraposição à minimização feita por Trump, as matérias destacam os ataques russos a civis, em especial a imagem viralizada de uma menina de um ano morta no ataque ao parque. A narrativa também inclui críticas internas de membros do Partido Republicano a Trump e a possibilidade de avanço democrata na Câmara como elementos diretamente relevantes para a situação da Ucrânia.

Onde as versões divergem

As duas matérias ucranianas divergem sobre como caracterizar a causa subjacente que Trump supostamente ignora: a publicação da LIGA.net enfatiza a capacidade do Irã de desafiar os EUA e bloquear o Estreito de Ormuz como o fator real do aumento dos preços de energia, enquanto o texto da NV atribui a alta de preços à guerra de Trump no Irã e ao consequente aumento dos preços do petróleo e do gás.

Contexto

Trump exige um cessar-fogo energético na guerra entre Rússia e Ucrânia e chegou a anunciar um no início de outubro, sem base concreta registrada. Meses antes, sua administração havia sancionado um projeto de lei de sanções apresentado em homenagem ao falecido senador Lindsey Graham, mas aliados republicanos criticaram tentativas posteriores de Trump de atrapalhar a tramitação do texto. Um ataque russo de drones a um parque na Ucrânia matou seis pessoas, entre elas duas crianças, e uma foto de uma menina de um ano morta no ataque viralizou mundialmente. A nova composição do Congresso dos EUA começa a trabalhar em 3 de janeiro e a disputa pelo controle do Senado permanece descrita como totalmente imprevisível.