Trump muda política sobre Rússia, pressiona Zelensky e avalia cúpula com Putin e Xi sem a Ucrânia
Donald Trump mudou de curso sobre a guerra na Ucrânia no último mês, passando da crítica a Vladimir Putin para uma aproximação visível, enquanto aumenta a pressão sobre Volodymyr Zelensky para aceitar um acordo. Ele cancelou ou afrouxou parte das sanções contra a Rússia, adquiriu diesel russo e avalia um encontro com Putin e Xi Jinping no mês que vem sem a participação de Zelensky. Ucrânia e aliados europeus manifestaram preocupação.
Pontos principais
- Trump mudou de curso em relação à guerra na Ucrânia no último mês, afastando-se das críticas a Putin e demonstrando afinidade com o líder russo.
- Trump pressiona Zelensky a aceitar um acordo de paz com Putin.
- Trump cancelou ou afrouxou parte das sanções contra a Rússia, incluindo alívio temporário sobre o diesel russo, e passou a comprar diesel russo.
- Trump avalia reunião com Putin e Xi Jinping no próximo mês, sem a participação de Zelensky, e apoiou a ideia de uma cúpula de controle de armas que também discuta a Ucrânia.
- Trump afirmou que a Rússia 'tem se comportado de forma bastante normal' em relação à Ucrânia e insinuou que o país precisa de um novo líder.
- Ucrânia e aliados europeus expressaram preocupação com a mudança de posição de Trump; segundo pesquisa Reuters/Ipsos, cerca de 78% dos americanos consideram a política de Trump pelo menos parcialmente culpada pela alta de preços.
- Analistas de mercado atribuem a maior parte da alta nos preços do diesel a interrupções no Estreito de Ormuz ligadas à guerra dos EUA contra o Irã, não a ataques ucranianos.
Por que importa
A guinada na política dos EUA pode redesenhar o processo de negociação sobre a guerra, a arquitetura de sanções contra a Rússia e o nível de apoio de segurança à Ucrânia. O afrouxamento de sanções e a compra de diesel russo criam consequências econômicas e políticas imediatas, enquanto indícios de restrição ao compartilhamento de inteligência e à conectividade de satélites podem reduzir a capacidade da Ucrânia de atingir alvos russos e se defender de ataques. A mudança de postura também abre uma frente de tensão com aliados europeus e pode influenciar as eleições intermediárias de novembro nos EUA.
O que aconteceu
No último mês, Donald Trump reorientou sua política sobre a guerra na Ucrânia, abandonando a linha crítica a Vladimir Putin e adotando uma postura de clara aproximação. Ele cancelou ou afrouxou parte das sanções contra a Rússia — incluindo um acordo para suspender temporariamente restrições ao diesel russo em troca de Moscou aumentar o fornecimento ao mercado mundial — e começou a comprar diesel russo. Trump pressiona publicamente Volodymyr Zelensky a aceitar um acordo com Putin, insinuou que a Ucrânia precisa de um novo líder e avalia participar de uma cúpula com Putin e Xi Jinping no mês seguinte, sem Zelensky. Autoridades ucranianas relataram que a conectividade de satélites da SpaceX parou de funcionar em drones de alta velocidade, o que limita ataques contra alvos russos e a defesa contra ataques; a administração Trump nega boa parte das alegações de restrição a comunicações por satélite e ao compartilhamento de inteligência. Zelensky, Ucrânia e aliados europeus expressaram preocupação com a mudança de rumo.
O que dizem as fontes ucranianas
As fontes ucranianas destacam a pressão dos EUA sobre Zelensky, a possível restrição ao compartilhamento de inteligência e à conectividade de satélites da SpaceX — que teria parado de funcionar nos drones de alta velocidade da Ucrânia — e a preocupação com a virada de Trump em relação à Rússia. Também relatam as declarações de Trump de que a Rússia 'tem se comportado de forma bastante normal' e de que a Ucrânia precisa de um novo líder, apresentadas como um endurecimento da pressão americana sobre Kiev. As mesmas fontes sublinham o alívio temporário das sanções sobre o diesel russo e a decisão dos EUA de passar a comprar diesel russo como parte dessa nova abordagem.
O que dizem as fontes internacionais
A leitura internacional foca na guinada visível de Trump, que deixou de criticar Putin e passou a demonstrar afinidade pelo líder russo, e no possível peso das eleições intermediárias de novembro sobre essa mudança. A cobertura estrangeira também destaca as sanções contra a Rússia, a compra de diesel russo, a possível reunião de Trump com Putin e Xi Jinping sem Zelensky e a pressão doméstica nos EUA vinda do custo de vida e dos preços de energia, que pesam tanto entre republicanos quanto entre democratas. Aproximadamente 78% dos americanos, segundo a Reuters/Ipsos, consideram as políticas de Trump pelo menos parcialmente responsáveis pela alta de preços.
Onde as versões divergem
Há divergência sobre as causas da alta nos preços do diesel: Trump atribui o aumento a ataques da Ucrânia contra refinarias russas, enquanto analistas de mercado ouvidos pelas fontes ucranianas responsabilizam principalmente as interrupções no fornecimento pelo Estreito de Ormuz, decorrentes da guerra dos EUA contra o Irã. Também há controvérsia sobre restrições a comunicações: autoridades ucranianas suspeitam que os EUA estejam limitando o uso de satélites da SpaceX e o compartilhamento de inteligência, ao passo que a administração Trump nega boa parte dessas alegações.
Contexto
Trump havia assinado uma lei com novas sanções e tarifas contra a Rússia promovida pelo senador Lindsey Graham, mas depois cancelou ou afrouxou boa parte das restrições previstas. Como explicação possível para a mudança, fontes apontam as eleições intermediárias nos EUA marcadas para novembro, e Trump chegou a afirmar que um acordo sobre a Ucrânia reduziria a pressão econômica interna. Autoridades ucranianas já vinham relatando problemas com a conectividade de satélites da SpaceX, enquanto a administração Trump negava restrições significativas. Trump também acusou a Ucrânia de atacar refinarias russas e elevar os preços globais do diesel, embora analistas de mercado atribuam a maior parte da alta a interrupções no Estreito de Ormuz.